Os dados foram apresentados durante o painel “Nada é o que parece: o colapso das certezas digitais na era dos deepfakes e da fraude sintética”, realizado nesta segunda-feira (24) na Febraban Tech 2026.
Segundo Flávio Silveira da Silva, Chefe da Divisão de Tecnologia e Inovação do Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da PF, as autoridades já observam o uso de IA em praticamente toda a cadeia criminosa, desde campanhas de phishing até tentativas de invasão de infraestruturas de instituições financeiras.
Dentro dessa realidade, a principal preocupação citada pelos painelistas foi a incapacidade humana de distinguir conteúdos reais de falsificações digitais está cada vez mais limitada.
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Deepfakes ameaçam credibilidade de instituições.
O impacto do uso de deepfake e outras tecnologias de IA em fraudes vai além do sistema financeiro. André Parente Houang, Coordenador-Geral da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, afirmou que a disseminação de conteúdos sintéticos reforça o chamado “efeito bolha” e amplia a desconfiança da população em relação a informações, instituições e políticas públicas.
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Segundo Houang, golpes envolvendo programas governamentais, como Bolsa Família, Pé-de-Meia e Enem, vêm se tornando mais frequentes, afetando não apenas os cidadãos, mas também a credibilidade das instituições.
Bancos apostam em camadas de proteção.
Para os bancos, o desafio é aumentar a segurança sem tornar a experiência do cliente excessivamente burocrática. “Não queremos uma coleta de biometria que leve 30 minutos para ser concluída.
Estamos sempre buscando o ponto ótimo entre segurança e conveniência”, disse Favaro.
Na avaliação do executivo, não existe uma ferramenta capaz de bloquear sozinha todos os ataques. A estratégia mais eficaz continua sendo a combinação de diferentes mecanismos de proteção.
Embora os deepfakes tenham se tornado praticamente indistinguíveis para seres humanos, Favaro afirmou que as ferramentas de verificação ainda conseguem identificar sinais de manipulação.
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Entre as tendências mais avançadas de proteção contra o deepfake está o uso da biometria comportamental, que analisa a forma como cada cliente navega em aplicativos e realiza operações.
Já entre as medidas defendidas pelo governo federal, representando por André Houang, Coordenador-Geral da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, está a criação de mecanismos para identificar conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial, como marcas d’água digitais e sistemas de identificação legíveis por máquinas.
Houang também destacou que o Brasil já possui avanços regulatórios em áreas relacionadas à IA, citando regras do Banco Central, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dispositivos do Marco Civil da Internet e do chamado ECA Digital.
Ainda assim, defendeu o avanço do Marco Legal da Inteligência Artificial (PL 2338), aprovado pelo Senado e atualmente em análise na Câmara dos Deputados.
Leis existem, mas falta cooperação internacional.
Na avaliação da Polícia Federal, a legislação brasileira já oferece instrumentos para punir fraudes digitais, mesmo quando envolvem tecnologias recentes como deepfakes.
Para o perito, um dos principais gargalos está na cooperação internacional. Isso porque muitas infraestruturas utilizadas pelos criminosos ficam hospedadas no exterior.
Além da tecnologia, especialistas defenderam que a resposta ao avanço das fraudes passa por educação digital e transparência. Para Elisa Sotero, da Caixa Econômica Federal, a confiança dos clientes passou a ser um ativo estratégico para as instituições financeiras.
Segundo Sotero, muitos usuários ainda enxergam mecanismos de proteção apenas como barreiras burocráticas. Por isso, os bancos precisam comunicar melhor como funcionam seus sistemas de segurança.
Fontes
Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.