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Crise do varejo? Por que algumas gigantes enfrentam dificuldades e outras seguem crescendo

Juros altos, crédito restrito e famílias endividadas pressionam redes tradicionais, enquanto grandes plataformas digitais ganham espaço. Especialistas veem uma

4 min de leitura
Crise do varejo? Por que algumas gigantes enfrentam dificuldades e outras seguem crescendo

Crise das Casas Bahia pode limitar crédito.

Os pedidos de recuperação judicial da Casas Bahia e da Marabraz, anunciados no último domingo (16), são novos capítulos da crise enfrentada por parte do varejo brasileiro.

As dificuldades atingem principalmente as empresas que atendem consumidores de renda média e baixa. Pagar dívidas e gerar caixa se tornaram desafios em um cenário de juros elevados, crédito restrito, endividamento das famílias e consumo enfraquecido.

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Para especialistas do mercado financeiro, a situação força o setor a passar por uma transformação estrutural, que inclui a revisão das operações, o fechamento de lojas e a definição de novas prioridades estratégicas para manter a competitividade.

Por outro lado, empresas que chegaram a esse período com balanços mais equilibrados e operações mais eficientes podem aproveitar a reorganização do setor para ganhar espaço sobre concorrentes em dificuldade.

Há uma crise sistêmica no varejo nacional.

Embora grandes varejistas tenham recorrido à recuperação judicial nos últimos anos, o mercado financeiro não vê sinais de uma crise sistêmica no setor.

Falar em uma crise generalizada do varejo seria um erro", afirma Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.

A especialista vê uma espécie de "seleção empresarial", já que algumas companhias atravessam o atual cenário econômico com estruturas financeiras e operacionais mais sólidas do que outras.

Na prática, varejistas são naturalmente mais dependentes de crédito. Além de financiar estoques, operações e planos de expansão, muitas empresas do setor dependem do poder de compra dos consumidores, do acesso ao crédito e ao parcelamento.

Os casos da Casas Bahia, da Marabraz e do Grupo Toky (Tok&Stok e Mobly) são exemplos dos impactos do crédito mais caro e da redução do consumo das famílias.

É o mesmo cenário que atingiu outros grandes nomes, como Ricardo Eletro, Americanas, Casa & Video, Le Biscuit, MMartan, Artex, Saraiva e Livraria Cultura. São empresas que também passaram por processos de recuperação judicial, falência ou outras formas de reestruturação financeira.

Para a especialista, esse movimento também reflete a maior variedade de produtos oferecidos pelas plataformas digitais e o menor valor médio gasto em cada compra.

Parte dessa readequação já começa a aparecer entre as grandes varejistas. Como o g1 já mostrou, várias dessas empresas começaram a rever seus modelos de crescimento, fechando lojas ou desacelerando a expansão física para reduzir custos.

Ainda assim, o mercado não espera uma recuperação rápida dos resultados nem das ações das grandes varejistas tradicionais, principalmente enquanto os juros permanecerem elevados.

Para Brás, da Magno Investimentos, no entanto, a queda dos juros não funcionará como um “botão de reset”. “O consumidor ainda precisa recuperar renda disponível, a inadimplência precisa ceder e o crédito precisa chegar à ponta em condições melhores”, explica.

Segundo os especialistas, esse cenário pode fazer com que empresas mais fragilizadas se tornem alvos de fusões, aquisições ou parcerias estratégicas. Ao mesmo tempo, o e-commerce tende a ganhar ainda mais espaço e consolidar sua participação no mercado.

Como fica a carteira de investimentos.

Embora o mercado não veja uma crise generalizada no varejo, as dificuldades enfrentadas por algumas empresas do setor também têm reflexos para investidores.

Com isso, especialistas esperam uma redução da presença do varejo nas carteiras de investimentos, já que os sinais de desaceleração da economia tendem a aumentar a incerteza sobre o setor.

Isso, no entanto, não significa uma completa extinção do varejo entre os investimentos.

Nesse contexto, Nossig, da Nomad, afirma que o mercado tende a ser mais rigoroso na seleção das empresas em que investir. “Essa prátuica permite que empresas com fundamentos mais sólidos continuem ocupando posições relevantes nas carteiras”, explica, destacando o varejo alimentar e as redes de farmácias.

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Negócios, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • G1 Negócioslink

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