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Como empresa de energéticos de SC passou a Red Bull e mira posto de líder, Monster

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Como empresa de energéticos de SC passou a Red Bull e mira posto de líder, Monster

Nada de geladeiras em escritórios da Faria Lima, patrocínio a esportes radicais ou gamers. Para ultrapassar a Red Bull em participação no mercado nacional, a Baly Brasil apostou alto na consolidação entre público das classes C e D e diversificou o portfólio para avançar sobre o consumidor de alta renda com opções saborizadas e ligadas ao bem-estar.

A Baly gosta de dizer que “democratizou” o acesso aos energéticos no Brasil. A companhia já atuava no mercado de bebidas não alcóolicas quando, em 2009, decidiu dar um novo passo: desenvolver a fórmula de um energético para produção em escala.

O problema é que a operação só contava com máquinas para envasar refrigerantes de dois litros, enquanto as latas predominavam nesse mercado.

Leia mais: Consumo de álcool diminuirá na próxima década, diz pesquisa A solução foi lançar sua primeira versão nas garrafas PET mesmo. O recipiente abriu caminho para que a companhia avançasse sobre o público universitário e em festas como uma alternativa mais barata para a diluição de bebidas alcóolicas em grandes grupos.

Até 2012, a empresa já era uma das líderes em vendas na região Sul e manteve o ritmo de crescimento até 2015. Então veio a crise.

Em três anos, a fabricante viu seu faturamento afundar 50% e a participação de mercado regional despencar da primeira para a quarta posição. Para Cardoso, o problema foi de gestão.

Fundada em 1997 pelos primos Mário e Jânio Cardoso como uma produtora de vinhos e cachaças, a Baly precisou passar por um choque de gestão. Os fundadores assumiram o papel de conselheiros, enquanto os filhos de Mário assumiram funções executivas: Dayane foi para a diretoria comercial e de marketing; o irmão, Mário Júnior Cardoso (o Marinho), ficou com a diretoria financeira e de operações.

Por muitos anos, o sabor guaraná, aroma tradicional associado aos energéticos, dominou festas e prateleiras de supermercados pelo Brasil e seu consumo ficou muito associado às bebidas alcóolicas.

A mistura da bebida com uísque, por exemplo, foi a febre em baladas nos anos 2010, com Red Bull e Monster preenchendo a maioria das geladeiras do lado não alcoólico do drink.

Os dados de mercado corroboram essa visão. Hoje, o consumo per capita de energéticos pelos brasileiros é de 4,27 litros ao ano, com projeção de alcançar 7 litros em 2029, apontam dados do Euromonitor.

Para surfar essa onda, a Baly apostou na diversidade de portfólio. Com o lançamento do seu primeiro sabor, batizado de “Tropical”, a empresa cresceu 8 vezes de tamanho, número que se repetiu para diversas das outras 30 versões da bebida desenvolvidos até 2026.

E a companhia não poupa na criatividade — nem no marketing.

Um exemplo: a novidade para o Carnaval de 2026 foi o “Baly Tadala”. Mesmo sem qualquer efeito farmacêutico, a alusão ao medicamento para disfunção erétil rendeu à companhia 2 milhões de visualizações no TikTok, ultrapassando 23 milhões de pedidos em apenas 25 dias.

O apelo popular parece estar rendendo. Em 2025, a Baly ficou à frente da Red Bull em volume de vendas, com 27% do mercado, contra 13% da concorrente austríaca, segundo dados da Scanntech compartilhados pela fabricante brasileira com o InfoMoney.

Já a Monster, líder do segmento, teve 33% das vendas.

Além do acirramento da competição em bebidas energéticas, o avanço sobre a Red Bull dá outro sinal: a Baly está ganhando terreno entre os consumidores das classes A e B.

Em 2022, a marca que “dá asas” tinha uma participação de mercado na casa dos 40%, com maior entrada na parcela mais rica da população.

Parte da explicação não é novidade. O crescimento da categoria de energéticos, como em muitos bens do consumo, tem sido impulsionado por alternativas relacionadas a bem-estar e saudabilidade.

São os casos de bebidas com menos açúcar ou adições saudáveis.

Dentro do grupo de bebidas não alcoólicas, as mais beneficiadas pela onda fitness, o energético foi a segunda categoria de destaque, atrás apenas de refrigerantes.

As alternativas sem açúcar contribuíram com 72% do crescimento dessa categoria, crescendo duas vezes mais que as versões tradicionais, mostram dados do primeiro trimestre recolhidos pela NielsenIQ.

Nas mãos da Baly, a tendência virou marketing. A empresa reforça que seus energéticos são enriquecidos com vitaminas B3, B5, B6 e B12 (o padrão na composição de ingredientes também das principais concorrentes).

Além disso, todo o portfólio foi replicada em versão zero açúcar, que recebeu também uma alternativa com adição de 15 gramas de proteína.

Entre janeiro e julho de 2026, o volume de vendas de energéticos zero açúcar da fabricante cresceu 135% quando comparadas apenas as mesmas lojas que já comercializavam o produto em igual período de 2025.

Varejo de energéticos sustenta crescimento.

A concorrência no setor não dá sinais de retração. De 2024 a 2025, o número de marcas que atuam na categoria cresceu 23%, enquanto o número de itens subiu 24%, conta Fagundes, da NielsenIQ.

Segundo a Scanntech, energéticos em garrafas PET de 2 litros, uma das marcas da fundação da Baly, representam 40% do mercado no país. A Baly detém 64% do faturamento na categoria que tem puxado o crescimento de vendas.

Agora, a empresa vai acelerar a produção. Depois de comprar uma nova unidade fabril — a maior da companhia — em janeiro de 2026, a empresa colocará a planta para funcionar no segundo semestre.

O objetivo para esta que é a terceira fábrica da Baly é sustentar o crescimento de produção: depois de envasar 550 milhões de litros de energético em 2025, a projeção é chegar a 1 bilhão em 2026.

E, assim, ir atrás da liderança no segmento.

Fontes

Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • InfoMoneylink

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