Cantor e compositor americano toca dia 15 de novembro na Audio, em São Paulo, parte da turnê do disco ‘Chrome’, lançado nesta sexta-feira, 28.
Chamar Ty Segall de “prolífico” é pouco. O cantor e compositor americano, notório por sua abordagem revivalista do garage rock e da psicodelia, lançava múltiplos álbuns por ano no início de sua carreira.
Também mantinha uma variedade de projetos paralelos.
Esse constante movimento criativo nunca o trouxe ao Brasil. No entanto, isso está prestes a mudar.
O músico se apresenta no dia 15 de novembro na Audio, em São Paulo, com abertura de Ema Stoned e Bike. Ingressos para o show, organizado pela Associação Cultural Cecília, estão à venda via Ticket360.
Em conversa com a Rolling Stone Brasil, Ty se mostrou empolgado em finalmente vir para o Brasil. O músico diz que desejava tocar no país desde seus 20 e poucos anos de idade e confidencia ter um plano bem simples de aproveitar sua passagem por aqui: comprar discos que o ajudem a se aprofundar na música brasileira.
Ainda não tão conhecido do público brasileiro, Segall quis compartilhar uma mensagem para quem está interessado no show. Basicamente, amantes de música alta vão amar.
A vinda de Ty Segall ao Brasil fará parte da turnê de seu novo trabalho solo, Chrome (2026), que saiu no fim do último mês de agosto. O álbum marca o reencontro do artista com sua banda de apoio de longa data – Emmett Kelly (guitarra), Mikal Cronin (baixo), Ben Boye (teclados) e Evan Burrows (bateria) – formada por músicos integrantes de uma rede pequena de colaboradores com quem Ty trabalha desde o início da carreira.
O objetivo em Chrome, segundo o artista, era justamente aproveitar essa cumplicidade de anos no palco, onde se desenvolveu uma “espécie de comunicação musical abreviada” na qual os membros quase conseguem ler a mente um do outro.
Nesse álbum, Segall queria algo mais aberto e colaborativo.
Isso é um contraste com os trabalhos mais recentes, nos quais Ty gravou a maioria dos instrumentos sozinho ou se encarregou de todos os arranjos. Ao longo de sua carreira, o músico também viajou por diversos gêneros, desde o garage rock de seus primórdios à psicodelia acústica de Sleeper (2013), glam em Manipulator (2014) e pós-punk cáustico de Emotional Mugger (2016).
O grupo foi construído ao longo de anos. Burrows estreou em Emotional Mugger, enquanto Boye e Kelly fizeram suas primeiras aparições no disco Ty Segall (2017). O guitarrista veio a trabalhar ainda mais com Segall, participando da banda The C.
I. A., formada com Ty e sua esposa, Denée Segall.
Sobre o projeto, Ty lembra da rapidez com que os três eram capazes de gerar material. Especialmente as contribuições de Denée, que também escreveu letras para Chrome.
Segundo o músico, a experiência de colaborar com a esposa e vê-la criar versos para outros artistas lhe convenceu a querer trabalhar com ela no seu projeto autoral.
Entretanto, Cronin é de longe o colaborador mais antigo do músico. Os dois são amigos desde o colégio, apareceram juntos em pontas na série da MTV Laguna Beach: The Real Orange County e chegaram a gravar um álbum colaborativo, Reverse Shark Attack (2009).
O baixista tem também uma carreira solo elogiada pela crítica, com quatro álbuns de estúdio – MCI (2011), MCII (2013), MCIII (2015) e Seeker (2019) – que exploram uma sonoridade mais power pop orquestral.
Questionado se há alguma perspectiva do amigo lançar um quinto disco, Segall não quis abrir o jogo, mas concordou que já é hora de rolar.
Chrome não é o único trabalho de Ty Segall a ser lançado recentemente. Também no fim de agosto, ele disponibilizou o EP Love Fuzzz, que reinterpreta na faixa-título uma canção do álbum Twins (2012) com uma sonoridade mais doom metal.
A tracklist é completada por “My Pet Guru”, mais influenciada por krautrock.
Além disso, no último dia 14 de agosto estreou nos cinemas americanos o filme The Wrong Girls, que conta com uma trilha sonora composta pelo músico. Infelizmente, a comédia – estrelada por Kristen Stewart e Alia Shawkat – não tem previsão de lançamento no Brasil.
No âmbito cinematográfico, ele já havia composto música para o documentário Whirlybird, dirigido por um de seus colaboradores, Matt Yoka. Sobre trabalhar em filmes, Segall comentou sobre como isso lhe dá a oportunidade de remover seu ego do processo criativo.
Essa veia altruísta também se manifesta em outro projeto seu. Em 2012, o músico lançou um selo chamado GOD? Records, subsidiário da gravadora independente Drag City, com quem o músico trabalha desde 2011.
Segundo ele, o impulso para começar a empreitada surgiu da vontade de lançar um álbum do artista pós-punk americano Trin Tran. A ideia evoluiu para ajudar artistas underground a botar suas músicas no mundo.
A quantidade de lançamentos na carreira de Ty Segall também aponta há quanto tempo ele já está na indústria. Seu álbum de estreia, Ty Segall (2008), completa 20 anos de lançamento em 2028.
Entretanto, o músico reconheceu ter uma relação distante com seu material mais antigo.
Ty passou um período no qual não via suas primeiras composições com bons olhos, mas está suavizando essa perspectiva ultimamente. Mesmo assim, o músico evita ser nostálgico.
novo álbum e boatos de aposentadoria.
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