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Musica Revisado por ULTRA AI

Péricles faz tributo caprichado e natural à Motown no Rock in Rio 2026

Arranjos fiéis e performance de altíssimo nível provam que cantor de pagode é, de fato, um grande conhecedor do soul, R&B e funk americano Arranjos fiéis e perf

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Arranjos fiéis e performance de altíssimo nível provam que cantor de pagode é, de fato, um grande conhecedor do soul, R&B e funk americano.

Pode parecer um desvio colocar o pagodeiro Péricles diante de um repertório da gravadora americana Motown, como feito na segunda-feira, 7, de Rock in Rio 2026. Não é.

Sua extensão vocal e o fraseado característico da soul music são relativamente raros no gênero que o consagrou, mesmo após décadas de fama e, naturalmente, influência em artistas mais jovens.

Para justificar a apresentação, o próprio cantor passou os meses anteriores ao Rock in Rio dizendo exatamente isso: chamou a Motown — selo responsável por apresentar gigantes como Stevie Wonder, The Temptations, Smokey Robinson, Jackson 5 e Marvin Gaye — de “revolução”, afirmou que sua forma de cantar carrega aquela escola e tratou o show como oportunidade de mostrar a conexão entre soul/R&B e o chamado pagode romântico.

Funcionou? Com certeza. Mérito não apenas de Péricles, mas de uma banda com mais de 10 integrantes incluindo quatro cantores de apoio (três mulheres e um homem), metais, baixo, bateria, percussão e por aí vai.

Também de um repertório campeão, formado apenas por hits e muito bem escolhido não apenas em canções, como também em ordem: sem momentos morosos ou se deixar levar demais pelas composições mais lentinhas.

A grande dúvida residia em torno de Péricles. É um grande cantor, mas poderia não se sair bem. Longe de ter sido o caso. Interpretou bem uma lista de músicas bem diversa, demonstrou conhecimento de quem absorve tais obras há décadas e, sem comprometer sua própria identidade, respeitou as versões originais o quanto pôde — quando impossível, realizou adaptações coerentes para ambientar sua voz, vide o óbvio ajuste de tom em “I’ll Be There” (The Jackson 5).

Em termos de performance vocal, os destaques residiram na delicadeza de “My Girl” (The Temptations), na competente exploração de graves em “I Heard It Through The Grapevine” (Michael McDonald) e na inesperada “Super Freak” (Rick James), muitas vezes não associada à Motown por ter sido lançada pela subsidiária Gordy.

Também surpreendeu a inclusão de “End of the Road” (Boyz II Men, “a maior banda de R&B” na opinião do artista), rara representante pós-década de 1980 no setlist.

No fim das contas, soou como um cantor reencontrando parte de suas raízes. Pareceu tudo tão natural que fica difícil deixar de imaginar uma turnê “Péricles canta Motown”.

Setlist: 1 Ain’t no Mountain High Enough (Marvin Gaye e Tammi Terrell) 2 I Want You Back (The Jackson 5) 3 How Sweet It Is (To Be Loved By You) (Marvin Gaye) 4 My Girl (The Temptations) 5 Cruisin’ (Smokey Robinson) 6 I Heard It Through The Grapevine (Michael McDonald) 7 I’ll Be There (Jackson 5) 8 End of the Road (Boyz II Men) 9 Let’s Get It On (Marvin Gaye) 10 For Once In My Life (Stevie Wonder) 11 Super Freak (Rick James) 12 Signed, Sealed, Delivered (I’m Yours) (Stevie Wonder) 13 All Night Long (Lionel Richie) 14 ABC (The Jackson 5) 15 Superstitious (Stevie Wonder).

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Fontes consultadas

  • Rolling Stone Brasillink

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