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Musica Revisado por ULTRA AI

O novo álbum de Prince não faz jus à sua lenda

Timeless compila sobras de décadas de Prince com poucas faixas marcantes e quase nenhum dinamismo para fãs e curiosos

3 min de leitura
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Por que Prince foi o popstar definitivo? Deixando de lado a persona extravagante, a iconografia chamativa e os shows ao vivo eletrizantes, sua inquietação e seu senso lúdico na música geraram álbuns que eram — e continuam sendo — audições obrigatórias.

Ele ampliou ou subverteu o que vinha antes, tanto dele quanto de todo mundo. Os álbuns de Prince faziam suas faixas dialogarem entre si de um jeito parecido com a forma como os próprios arranjos dessas músicas funcionavam: padrões “mola”, com uma leveza inesgotável.

Um álbum deveria ser uma experiência dinâmica — e poucos demonstraram isso com o talento de Prince.

Quase não há dinamismo nem brilho em Timeless, uma nova coletânea de sobras antigas que parece ter sido montada às pressas em uns 15 minutos. Ela é simplesmente chapada, como uma água com gás esquecida ao sol.

Organizada em ordem cronológica, de uma demo de estúdio de 1977 a uma versão ao vivo de 2016 de um lado B querido, o conjunto nem chega a ganhar alguma coesão. Em vez de apresentar caminhos alternativos fascinantes e pistas do que poderia ter sido, Timeless nem sequer é interessante como coleção de outtakes.

Por que essas músicas, você pode se perguntar? Ouvindo Timeless, a única resposta concebível parece ser: “Por que não?”. As melhores faixas são um par de rockzinhos descartáveis: “The Guilty Ones”, de 2007 (uma “rasgada” de guitarra maravilhosa), e a versão original, trêmula e new wave, de “Tick Tick Bang”, de 1981 — que apareceria em Graffiti Bridge em 1990, enfeitada com synths tortos e drum machine.

Juntas, elas soam como sementes de uma coletânea tematicamente coerente que alguém deveria fazer.

Mas mesmo aí é preciso se concentrar, porque, se você não fizer isso, a música basicamente evapora. A versão ao vivo em Oakland de “How Come U Don’t Call Me Anymore”, da turnê final, parece jogada ali, não como uma virada intencional; a faixa de abertura, “I Am You”, na maior parte do tempo faz você desejar estar ouvindo “The Walk”, do The Time — que realinha o groove da demo de 1977 com impulso e potência, como um calhambeque transformado em um carro de passeio.

Claro, é historicamente interessante que o Prince-rapper-mal-ideado ainda estivesse fazendo aquela cadência meio “skip-to-my-Lou” em 2003, o ano em que gravou “Calabama”, mas, assim que ele canta “NPG cutting up a rug”, qualquer fiapo de esperança pode ser abandonado de vez.

Por que Prince foi o popstar definitivo? Aqui há pouquíssimas pistas de resposta. Se alguém dissesse que ele foi — e então tocasse Timeless como prova — você nunca mais ouviria Prince (nem essa pessoa) de novo.

Fontes consultadas

  • Rolling Stone Brasillink

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