Espetáculo grandioso, repertório híbrido e carisma de Oli Sykes marcam apresentação capaz de convencer praticamente qualquer um.
Após lotar um estádio em São Paulo no fim de 2024, qual seria o próximo passo do Bring Me the Horizon a nível nacional? Ser escalado como atração de ”abertura” do Avenged Sevenfold no ”dia do metal” do Rock in Rio 2026, neste sábado, 5, pode parecer uma movimentação pouco ambiciosa.
Não é. A própria organização reconhece ter um público ”conservador” no que diz respeito à música pesada. Esperam nomes mais consolidados no festival mais popular do Brasil.
Oli Sykes (voz), Matt Nicholls (bateria), Lee Malia (guitarra) e Matt Kean (baixo), acompanhados do guitarrista de turnês John Jones, concluíram há pouco uma transição interessante no processo de agregar pop e hyperpop à sua sonoridade (hoje não tão) pesada.
Não se trata de algo estático ou de um objetivo unidimensional, pois a banda inglesa tem mudado sua sonoridade com certa frequência. E, ao menos num momento inicial, tem funcionado bem mesmo sem o tecladista Jordan Fish, que saiu em 2023 após uma década na formação e se mostrara fundamental nesta nova etapa.
Embora ainda não seja o momento para uma performance como atração principal do Rock in Rio, Bring Me the Horizon mostrou, no sábado, 5, que é a principal referência do que se chama de ”metal contemporâneo” Híbrido, dinâmico e com uma proposta que vai cada vez mais além da música, com narrativa estabelecida e direção artística chamativa.
Pacote completo. Algo similar ao que fez e representou o Linkin Park para a geração anterior, seja em som, estética ou letras que abordam ansiedade, inadequação, raiva e conflito interno de um jeito tão pessoal que se tornou global.
A nível de Brasil, ainda há um tempero extra para firmar o BMTH por aqui: Oli Sykes é casado com uma brasileira (Alissa Salls) e tem residência estabelecida em Caraguatatuba, litoral de São Paulo, embora, segundo rumores, planeje uma mudança para o Rio de Janeiro.
No palco, o carismático vocalista faz bastante uso dessa proximidade. Conversa em português e brinca com a plateia como se fosse um dos nossos. Tão pessoal que se tornou seu.
Tão pessoal, aliás, que quase não há espaço para individualidade no Bring Me the Horizon atual. Tudo parece pensado como parte de um mesmo universo, com Sykes como fio condutor.
Nos dez minutos que antecedem o show, por exemplo, os telões exibem uma espécie de interface de videogame, com estética que remete ao PlayStation 2. Quando a apresentação começa, as câmeras já procuram o público colado à grade.
O espetáculo quer ser interativo antes mesmo da primeira nota.
Depois de tanta intensidade, a reta final desacelera. ”Doomed” assume clima mais contemplativo e prepara terreno para ”Drown“, momento em que Oli desce até a plateia.
Para além de cantor, um mediador entre uma produção gigantesca e uma obra íntima. ”Throne” devolve alguma escala ao show antes de ”Can You Feel My Heart” encerrar em tom pop.
Não dá para dizer que Bring Me the Horizon abriu para Avenged Sevenfold. Foi um show de atração principal, no auge de seus poderes. Talvez o Rock in Rio ainda não esteja pronto para tratá-lo dessa maneira, embora tenha oferecido a estrutura necessária para a plenitude de seu espetáculo.
Possivelmente o melhor show do ”dia do metal” de 2026.
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