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15 anos de Lollapalooza Brasil: por que o festival deu tão certo no país?

Criado em 1991 como turnê de despedida do Jane's Addiction, o festival chegou ao Brasil em 2012 e hoje se prepara para sua 14ª edição nacional, marcando 15 anos

7 min de leitura
15 anos de Lollapalooza Brasil: por que o festival deu tão certo no país?

O Lollapalooza nasceu em 1991, idealizado por Perry Farrell, vocalista do Jane’s Addiction, como uma turnê de despedida da banda pelos Estados Unidos e Canadá. Décadas depois, o festival itinerante se transformou em um dos maiores fenômenos da indústria musical global, com edições fixas em diferentes países.

No Brasil, a primeira edição aconteceu nos dias 7 e 8 de abril de 2012, no Jockey Club de São Paulo, reunindo cerca de 70 atrações em quatro palcos, com Foo Fighters e Arctic Monkeys como headliners.

Depois de uma segunda edição também no Jockey Club, em 2013, o festival se mudou definitivamente para o Autódromo de Interlagos em 2014, ganhando uma área cinco vezes maior e capacidade para mais público.

De lá para cá, o Lolla se tornou um ponto fixo do calendário paulistano, com exceção do hiato forçado pela pandemia em 2020 e 2021.

Em 2026, o festival bateu recorde de público, com mais de 285 mil pessoas ao longo dos três dias de programação, consolidando-se como um dos maiores eventos musicais da América Latina.

Agora, o Lollapalooza Brasil se prepara para sua 14ª edição nacional, marcada para os dias 19, 20 e 21 de março de 2027, novamente no Autódromo de Interlagos. A tendência é que esta seja uma edição especial, que celebra 15 anos de festival no país, e os fãs que confiam na curadoria do evento já podem garantir seus ingressos clicando aqui.

Por que o Lollapalooza Brasil deu tão certo.

Em meio a isso, para entender os bastidores dessa trajetória e por que o Lollapalooza Brasil deu tão certo, o TMDQA! conversou com Marcelo Beraldo, diretor do festival, sobre curadoria, experiência do público e os motivos que fizeram o festival prosperar tanto no país.

Logo de cara, Beraldo não esconde a importância do fator comercial. Questionado sobre a fórmula para a montagem do line-up, que sem dúvidas ainda é o protagonista do Lolla mesmo com todas as experiências que envolvem o festival, ele explica que é preciso “ancorar cada dia do festival [em] duas ou mais atrações que efetivamente vendam ingressos”.

Começamos por aí, navegando dentro de um recorte editorial razoavelmente bem delimitado entre rock, rap, pop e eletrônico. Muitas vezes também buscamos ser a porta de entrada de artistas na América do Sul.

Muitos artistas vieram pela primeira vez para o Brasil com o Lolla. Temos que estar na vanguarda do que há de mais interessante em termos de música global. Acho que esta sempre foi a grande proposta do Lolla – vez ou outra trazemos atrações mais ‘heritage’, mas o Lolla é, acima de tudo, o espírito de uma época.”.

Não faltam exemplos desse trabalho como “porta de entrada”. Muitos artistas consolidados finalmente fizeram suas estreias no Brasil como parte do Lollapalooza – alguns exemplos particularmente marcantes que vêm à cabeça incluem Modest Mouse em 2023, TOOL em 2025 e até mgk em 2022, que voltaria para outro festival em 2023 e só agora em 2026 fará sua primeira apresentação solo no país.

Assim, essa ideia de capturar o “espírito de uma época” ajuda a explicar por que boa parte dos line-ups do Lolla, revistos anos depois, funcionam quase como cápsulas do tempo.

Isso envolve a estreia de Lorde no Brasil em 2014, logo depois do estouro de “Royals”; a primeira vinda de Lana Del Rey em 2018, mesmo ano em que o festival recebeu uma Zara Larsson ainda bem jovem; ou a apresentação de Miley Cyrus em 2022, quando a cantora vivia talvez seu melhor momento da carreira e ainda emocionou o público com faixas como “The Climb”.

Para Beraldo, esse equilíbrio entre novidade e história é o grande diferencial e resultado direto da experiência acumulada por uma equipe de curadoria multinacional.

O Lolla foi o primeiro grande festival multi-palcos e multi-gênero na cidade de São Paulo. Aliado ao pioneirismo, acho que o time curatorial do Lolla, composto por mim, brasileiro, argentinos, chilenos, colombianos e norte-americanos, foi ganhando experiência ao longo do tempo.

Fomos aprendendo e refinando o que funciona, apesar de estarmos sujeitos a safras de bons artistas mais ou menos abundantes dependendo do ano”.

A explicação tem sentido. Basta olhar para 2012, quando o Foo Fighters foi a grande aposta para consolidar o festival no país e entregou um show pra lá de especial, com direito a participação de Joan Jett, ou para 2025, quando o evento apostou na reunião dos Titãs com o show “Encontro”, que mostrou o peso de um headliner brasileiro.

Além da curadoria musical, no entanto, Beraldo destaca que grande parte do que torna certos shows do Lolla inesquecíveis está na forma como a experiência do público é pensada, da disposição dos palcos às ativações espalhadas pelo autódromo.

Tudo é pensado com o foco na música, na música ao vivo, na verdade. Para um fã, um show é um momento sagrado e legítimo. Respeitamos isto como verdade absoluta, e nosso papel é criar as melhores condições possíveis para que a mágica aconteça.

O time que faz o Lolla acredita de verdade nesta missão, não é apenas uma plaquinha na parede de um escritório.”.

Essa atenção ao ambiente ajuda a explicar por que o relevo característico de Interlagos, com seus “morrinhos” que funcionam como arquibancadas naturais, se tornou parte da identidade visual do festival, permitindo boa visão dos palcos mesmo para o público mais distante.

Esse fator, somado à curadoria, é uma das explicações mais plausíveis para a crescente procura por ingressos mesmo antes de qualquer nome ser anunciado.

Referências nacionais e internacionais para valorizar a cena.

Um dos aspectos mais celebrados do Lollapalooza Brasil ao longo dos anos é justamente o cuidado com o line-up nacional, que costuma equilibrar nomes consagrados, artistas em ascensão e descobertas mais nichadas.

Diversos artistas hoje consolidados no mainstream, como Liniker e Jão, já passaram pelo palco do Lolla antes de estourarem de vez no país. Ao mesmo tempo, grande estrelas da música nacional, como Pitty e Mano Brown, também já passaram pelo festival como atrações de peso.

Questionado sobre como funciona essa curadoria e qual a resposta do público a ela, Beraldo cita referências dentro e fora do país.

A gente tenta emular mais ou menos o que o próprio Lolla faz nos EUA, ou o que festivais menores e independentes fazem no Brasil, como o festival Bananada, o DoSol ou o Coquetel Molotov.

Nos mantendo fiel ao recorte editorial do Lolla, também tentamos abrir espaço para artistas menores, independentes, mas que tenham indiscutível valor criativo. Queremos ser uma plataforma de propulsão na carreira destes artistas, e acho que a resposta é majoritariamente muito positiva, apesar de sempre haver um ou outro chato de plantão (risos).”.

O que esperar da edição de 15 anos do Lollapalooza Brasil.

Apesar da edição de 2027 ainda não ter line-up revelado, boa parte da expectativa em torno da programação comemorativa de 15 anos se apoia na tradição do Lolla mencionada por Beraldo de ser um espelho de seu tempo.

É claro que os rumores estão a todo vapor, mas não adianta querer saber antes de todo mundo. Cartazes falsos vão circular por todo canto e, no fim, o line-up verdadeiro está sempre guardado a sete chaves, mesmo que costume ter algumas inspirações claras – as próprias mencionadas pelo diretor, por exemplo, incluindo a edição norte-americana de 2026 e o circuito nacional de festivais.

De resto, a expectativa segue a mesma lógica que guiou o festival ao longo de toda a sua trajetória no país: uma combinação entre grandes nomes que garantam público, atrações emergentes que se tornem descobertas, e a tentativa de capturar, mais uma vez, o tal “espírito de uma época” que Beraldo credita como a verdadeira proposta do Lolla desde sempre.

Você já pode garantir seu ingresso para o Lollapalooza Brasil 2027 clicando aqui.

Em números

  • Em 2026, o festival bateu recorde de público, com mais de 285 mil pessoas ao longo dos três dias de programação, co

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