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Mundo Revisado por ULTRA AI

Vitória da extrema direita na Alemanha confronta a Europa com os seus fantasmas

Às vezes custa a crer que as pessoas não votem por ideias, daí que procuremos sempre os atalhos das

3 min de leitura
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Como habitual de cada vez que um partido de extrema direita tem uma vitória retumbante, como aconteceu agora no estado alemão da Saxônia-Anhalt, os comentadores dividem-se em dois campos: um que dá prioridade às questões socioeconômicas, como desemprego, inflação e desigualdade; e outro que tende a explicar os fatos por causas culturais, como a imigração e a xenofobia.

Em ambos os casos, o foco está em acontecimentos relativamente recentes, da última década ou pouco mais, que deveriam ter capacidade explicativa para fenômenos também eles recentes.

Vale a pena porém pensar no seguinte: neste mesmo estado alemão, há quase cem anos, o partido nazista teve resultados que são praticamente idênticos, com uma diferença mínima na casa dos décimos, aos que a AfD (Alternativa para a Alemanha, de extrema direita) teve nestas últimas eleições.

A verdade é que historicamente a Saxônia-Anhalt foi sempre um estado muito à direita. Na era comunista isso ficou disfarçado, mas desde a reunificação alemã o partido mais à direita ganhou sempre as eleições.

Só que em tempos esse partido mais à direita era a CDU (União Democrata-Cristã, de centro-direita conservador) e agora existe uma oferta mais à direita ainda.

Nessa dimensão histórica, convém lembrar que não há necessariamente contradição entre o período nazista e o período comunista. A AfD tem muita gente oriunda de movimentos neo-nazistas, mas também tem eleitos oriundos das fileiras da Stasi, a polícia política da Alemanha Oriental.

Um dos deputados eleitos agora foi mesmo oficial da Stasi durante doze anos do período comunista. O que esses elementos trazem consigo (além de um historial de contatos com Putin, que enquanto elemento do KGB esteve estacionado na Alemanha Oriental) é uma capacidade de organização administrativa, de "governar", que vem de terem feito parte do aparato do partido único durante o período comunista.

Às vezes custa a crer que as pessoas não votem por ideias, daí que procuremos sempre os atalhos das "causas". Mas a verdade é que o eleitor autoritário existe, e o eleitor ultraconservador também.

A questão é se existe oferta eleitoral para ele. A questão é também, para os partidos progressistas, se é possível mudar de assunto e falar para os mesmos eleitores.

À medida que se aproximam outras eleições decisivas na Europa, a começar pela França, é bom que os democratas descubram o caminho rápido.

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Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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