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Ultradireita na América Latina restringe acesso a autoridades e desafia jornalismo

Sob Milei, Argentina caiu 69 posições em índice de liberdade de imprensa; El Salvador, 74 desde que Bukele assumiu

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O jornalista argentino Fabián Waldman cobre a Presidência de seu país há sete anos, o que engloba parte do governo de Mauricio Macri (2015-2019), toda a gestão de Alberto Fernández (2019-2023) e, desde 2023, Javier Milei.

Com base na sua experiência e nos relatos de colegas, assegura: "Nenhum presidente da Argentina, nos 40 anos de democracia, gerou confronto com a imprensa nos termos que Milei o faz.

Desde 2022, um ano antes de o ultraliberal tomar posse, a Argentina caiu 69 posições no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa, realizado pela organização Repórteres Sem Fronteiras, ficando na posição 98 de 180 países.

O fenômeno se repete em diversos países da América Latina, região que abraçou a ultradireita nos últimos anos.

Há nuances, no entanto. A Colômbia de Abelardo de la Espriella, por exemplo, cujo Judiciário tradicionalmente protege a liberdade de imprensa, enfrenta as primeiras tentativas do novo presidente de cercear o trabalho dos jornalistas.

El Salvador de Nayib Bukele, por sua vez, já viu alguns de seus principais comunicadores saírem do país.

Na Argentina, o assunto ficou novamente em evidência nas últimas semanas, quando o presidente mais uma vez voltou a sua artilharia aos jornalistas. No final de agosto, ele foi às redes sociais chamar o jornalista Marcelo Bonelli de "merda humana mal cagada" por uma coluna de opinião crítica ao seu governo —ofensa que repetiu a outros profissionais desde então.

A nova investida foi captada pela Adepa (Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas, na sigla em espanhol), que reúne mais de 180 veículos do país. De 17 a 23 de agosto, a organização registrou 335 mensagens contra a imprensa republicadas por Milei no X, além de 26 mensagens próprias e 21 menções depreciativas ao jornalismo em aparições públicas.

As ofensas voltaram durante um período de quase um mês em que Milei estava ausente na Casa Rosada. Ao voltar, no final de agosto, reuniu seus ministros e, segundo a imprensa local, pediu que fossem a meios de comunicação para defender o governo, que enfrenta uma rejeição de cerca de 60% a quase um ano das eleições presidenciais.

A entidade não registra o número de ataques regularmente, mas em fevereiro de 2025, por exemplo, o site Chequeado fez um levantamento que identificou 1. 051 insultos contra políticos da oposição, jornalistas e comentaristas até aquele momento, o que incluiria 439 dias da gestão Milei.

Embora intensificada agora, a postura não é novidade. O ultraliberal costuma usar o termo "merda humana" contra a imprensa em geral e termina muitas de suas mensagens de redes sociais com as letras NOLSALP, que significa, na sigla em espanhol, "não odiamos suficientemente os jornalistas.

Para além da retórica, a situação se deteriorou na sede do Executivo argentino. Ao longo do mandato de Milei, lembra Waldman, o governo passou a impedir jornalistas de verem quando o presidente entra ou sai do edifício e restringiu a circulação dos profissionais, o que limita o trabalho de apuração.

Desde 1940 até recentemente, jornalistas podiam ir a qualquer área comum da Casa Rosada", afirma.

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