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Trump assina decreto que renomeia lago Ontário como lago América e irrita Canadá

Primeiro-ministro canadense rejeita a medida e diz que vai manter o nome histórico

4 min de leitura
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou nesta quinta-feira (27) que o lago Ontário passe a se chamar "lago América", em meio à escalada de sua guerra comercial com o Canadá, provocando reação imediata de Ottawa.

Lista completa

  • Canadá anuncia retaliação contra EUA com tarifa de 50% sobre US$ 20 bilhões em exportações.
  • Canadá disse não aos Estados Unidos, e as consequências vão muito além de suas fronteiras.
  • Governo Trump diz que guerra comercial terá impacto devastador para o Canadá.

Trump intensificou suas provocações ao Canadá ao assinar o decreto presidencial que muda o nome do local na fronteira entre os vizinhos norte-americanos. Mas o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, rejeitou a medida do americano, afirmando que ele se chamaria lago Ontário "antes, agora e sempre.

A medida de Trump ocorreu depois que as negociações comerciais entre Estados Unidos e Canadá fracassaram no último minuto na semana passada, levando os dois aliados de longa data a impor tarifas retaliatórias um ao outro.

Vamos mudar o nome do lago Ontário, com efeito imediato, para lago América", disse o republicano de 80 anos a jornalistas enquanto assinava o decreto na Casa Branca.

Questionado por um repórter da agência de notícias AFP sobre por que estava punindo um aliado em vez dos adversários de Washington, Trump respondeu: "As autoridades canadenses nos trataram muito mal.

Atrás da mesa do republicano no Salão Oval havia dois mapas —um com as palavras "lago América" escritas em vermelho sobre o lago e outro com o título "Tornando os Grandes Lagos Ainda Maiores.

O lago Ontário é o menor em área de superfície entre os cinco Grandes Lagos, que se estendem pela fronteira entre EUA e Canadá. O lago faz divisa com a província canadense de Ontário e o estado americano de Nova York.

A mudança de nome remete à decisão de Trump de alterar, em janeiro de 2025, o nome do Golfo do México para Golfo da América —medida também rejeitada pelo governo mexicano.

Carney rebateu dizendo que o nome do lago tinha 400 anos —anterior à formação tanto dos EUA quanto do Canadá— e vinha de uma palavra indígena que significa "o lago é bonito, o lago é grande.

Sabemos que os EUA estão mudando", escreveu ele em uma publicação no X. "Os canadenses também sabem que dar nome à realidade significa chamá-lo de lago Ontário —antes, agora e sempre.

A postura desafiadora adotada nos últimos dias por Carney, ex-presidente dos bancos centrais do Canadá e do Reino Unido, diante de Trump tem sido elogiada em seu país.

No início desta semana, ele declarou que Ottawa estava "em guerra" depois de ter sido "atacada.

O decreto presidencial de Trump determina que o Departamento do Interior dos EUA atualize, no prazo de 30 dias, as referências ao lago no serviço oficial de nomenclatura geográfica e garanta que o governo federal passe a chamá-lo de "lago América.

O texto justifica a mudança de nome afirmando que a parte mais profunda do lago fica do lado americano, o que significa que os EUA "reivindicam a maior parte do volume do lago.

Trump havia dito na terça-feira (25) que estava considerando seriamente chamá-lo de lago América. Na noite de quarta-feira (26), publicou um vídeo no TikTok afirmando que levaria a mudança adiante.

O presidente americano enfrenta baixos índices de aprovação em meio à guerra no Oriente Médio e aos problemas econômicos internos, com as cruciais eleições de meio de mandato se aproximando, em novembro.

Ele afirmou que a mudança de nome era algo em que pensava havia muito tempo. Trump chegou a sugerir a possibilidade de renomear os oceanos que banham os EUA.

Temos um golfo e temos um lago. Agora, só precisamos de um oceano. Então, talvez tenhamos de mudar o nome do Atlântico e/ou do Pacífico. Talvez mudemos os dois", disse.

Desde que tomou posse de seu segundo mandato presidencial, Trump irritou uma série de aliados com suas extravagantes reivindicações territoriais, entre elas a de que o Canadá deveria se tornar o 51º estado americano.

Trump também reivindicou a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, aliada da Otan, e falou em transformar a Venezuela em um estado americano após os EUA capturarem o então líder do país, Nicolás Maduro.

Nos últimos dias, ele também afirmou que transformará o estreito de Hormuz, entre o Irã e Omã, em território americano, apesar de a guerra com Teerã ainda estar em curso.

Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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