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Mundo Revisado por ULTRA AI

Rede criminosa no Camboja força brasileiros traficados a aplicar golpes fingindo ser da Polícia Federal

Roteiro ao qual a Folha teve acesso indica tom de voz e passos a serem seguidos para que o crime seja bem-sucedido

4 min de leitura
Mundo — imagem padrão

Você tem de arcar com as consequências legais por cada crime que foi cometido usando sua identidade. Você entende.

A frase faz parte do roteiro de um golpe que Pedro Alencar, 25, teve de seguir após se tornar vítima de tráfico humano no Camboja. O atendente de telemarketing, que já havia sido levado pelos criminosos ao Laos e às Filipinas, aterrissou no litoral cambojano para aplicar o que chamou de "o golpe mais pesado.

Enquanto nos primeiros destinos o trabalho forçado era associado a plataformas de cassinos, desta vez ele seria obrigado a fingir ser parte da Polícia Federal e envolver vítimas com uma história que só terminava quando uma transferência bancária fosse concluída.

Caso se recusasse, corria o risco de ser espancado, levar choques e ficar sem comida.

Alencar, que prefere o nome pelo qual era conhecido nos complexos, foi um dos brasileiros traficados para o Sudeste Asiático com a promessa de remuneração alta e trabalho digno, mas que se viram envolvidos em uma rede de golpes digitais que simula, além da PF, órgãos públicos como as polícias civil e militar, o Ministério Público Federal, o Banco Central, o Tribunal de Contas da União, a Secretaria Nacional de Justiça e até empresas privadas, como a Meta.

Crimes do tipo —que envolvem órgãos reais, citam nomes de agentes em serviço e convocam as vítimas até para falsas reuniões online— fazem do Camboja um dos principais destinos de brasileiros vítimas de tráfico humano.

Alencar foi levado até a cidade de Sihanoukville, no litoral sul do país, e obrigado a participar do esquema.

No Camboja, brasileiros vítimas de tráfico humano vivem sob grades, vigilância e tortura.

O município é descrito como um dos berços da indústria de golpes por ter sido o principal atingido por uma determinação que proibiu as apostas online em agosto de 2019 e levou ao fechamento de diversos cassinos.

Com o veto, criminosos aproveitaram a infraestrutura física e de segurança dos espaços para dar vazão à operação ilegal.

Hoje, porém, muitos dos complexos estão esvaziados, transformando áreas da cidade em regiões fantasma. Moradores e comerciantes afirmam que o cenário atual contrasta com o de antes, quando condomínios residenciais, hotéis e cassinos eram usados como centrais.

Câmeras de segurança desativadas e muros com arame farpado permanecem, enquanto a presença constante de seguranças armados deixou de existir.

O esvaziamento ocorreu após ações das autoridades cambojanas, que miraram Sihanoukville e outros polos de golpe quando países como a China e os Estados Unidos passaram a exercer pressão em decorrência do tráfico humano e das fraudes.

Alencar desembarcou na cidade pouco mais de um ano após chegar ao Sudeste Asiático. Na sua primeira parada, no Laos, era obrigado a produzir conteúdo para uma plataforma de cassinos.

Sem o retorno esperado de seu trabalho, foi transferido para as Filipinas, onde a ocupação se resumia a inserir anúncios de bets em conteúdo pornográfico e a subtrair o saldo de usuários em sites de apostas.

Ainda assim, o lucro não satisfazia os criminosos, o que o levaria para um novo destino. Foi dada a ele a opção de escolher entre Indonésia e Camboja, e ele preferiu o segundo.

Quando começaram os trabalhos, a gente começou a entender que não era mais site pornô, que não era mais cassino. E ali começou o golpe da Polícia Federal", diz ele.

Eles montaram estrutura igualzinha a uma sala da Polícia Federal, com slogan, bandeiras, mesa, distintivo e até farda de policial, terno. Como se fosse um cenário.

A Folha teve acesso ao roteiro usado pelos criminosos, um documento que detalha os passos a serem seguidos para que o golpe fosse bem-sucedido. O texto se espelha na dramaturgia, com informações sobre tom e expressão, além de apontar possíveis dúvidas das vítimas e indicar a resposta em cada situação.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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