A tecnológica portuguesa Tekever vai fornecer drones AR5 à Força Aérea Portuguesa (FAP) para missões de vigilância marítima. As plataformas autónomas têm entrega prevista para o início de setembro.
Em comunicado, a empresa, que se tornou num importante player na indústria dos sistemas não tripulados sobretudo no que toca à exportação de drones para a Ucrânia, anunciou a assinatura do contrato com a FAP que inclui também "a formação dos operadores, bem como o fornecimento da estação de controlo terrestre (Ground Control Station) e do sistema de missão ATLAS.
O modelo AR5, com quase 8 metros de envergadura e pesando quase 200 quilos, talhado para missões marítimas, por ser mais robusto e voar a maiores altitudes, irá permitir à FAP "reforçar a sua autonomia operacional em missões de longo alcance.
Entre essas missões constam a "vigilância marítima, segurança e defesa, monitorização da Zona Económica Exclusiva (ZEE) e apoio a missões de interesse público", o que inclui "o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), a segurança costeira e a proteção ambiental.
Na nota, a Tekever detalha que numa primeira fase vai formar militares da Força Aérea até setembro para que possam operar os sistemas assim que forem entregues.
Depois, a partir de outubro, vai decorrer uma "segunda fase de formação", para consolidação da "plena prontidão operacional e o desenvolvimento de novas competências entre as equipas de operação.
A Tekever não revela nem a extensão do contrato nem o valor do investimento feito pela FAP. No entanto, um despacho do Ministério da Defesa, datado de novembro do ano passado, dava autorização à Força Aérea para a compra de um sistema aéreo não tripulado para patrulhamento marítimo com um orçamento global máximo de pouco mais de 7,79 milhões de euros, a ser financiado através de verbas da Lei de Programação Militar.
Citado no comunicado, o Tenente-Coronel Luís Henriques, Coordenador Operacional do Grupo de Trabalho AR5 da Força Aérea Portuguesa, defende que "a integração do sistema AR5 representa uma melhoria significativa das capacidades operacionais da Força Aérea Portuguesa"."Esta plataforma atende aos requisitos atuais de vigilância, segurança e defesa, proporcionando maior alcance, resistência e flexibilidade operacional", refere, sublinhando que a sua integração "fortalecerá a capacidade da nação de monitorar a Zona Econômica Exclusiva e apoiar uma ampla gama de missões de interesse público, contribuindo para uma Força Aérea que esteja melhor preparada para responder aos desafios atuais e futuros."Por seu lado, Pedro Petiz, diretor de Desenvolvimento Estratégico na Tekever, destaca que este contrato "coloca uma capacidade autónoma desenvolvida e produzida em Portugal" para atuar na proteção do espaço aéreo e território marítimo do país.
Além de fornecer as aeronaves, cooperaremos com a Força Aérea Portuguesa para consolidar e desenvolver a sua própria capacidade operacional, o que fortalecerá a autonomia nacional, a prontidão e a capacidade de resposta", reforça.
A tecnológica descreve o AR5 como um "sistema aéreo não tripulado de asa fixa, de média altitude e longa autonomia, projetado para missões de recolha de informação em grandes áreas.
Com uma autonomia de voo de até 20 horas e capaz de transportar até 50 kg de carga útil, este sistema "integra comunicações por satélite (SATCOM), permitindo operações além da linha de visão de rádio (BRLOS)"Os sistemas Tekever têm ganho notoriedade no mercado ao acumularem milhares de horas de voo em patrulhas costeiras, vigilância persistente, proteção de fronteiras, detecção de atividades suspeitas, proteção ambiental e missões de busca e resgate.
A empresa tem vindo a celebrar contratos com várias entidades nacionais e internacionais, incluindo o Ministério da Administração Interna do Reino Unido e a Agência Europeia da Segurança Marítima (EMSA).
Atualmente, os sistemas Tekever também estão em operação na Ucrânia, onde realizam missões de vigilância e reconhecimento em ambiente operacional. Recentemente, um dos drones da empresa fez notícia por ter conseguido surpreender as forças russas na região fronteiriça de Bryansk.
O drone de reconhecimento AR3 de fabrico português e ao serviço do exército ucraniano foi abatido pelas forças russas e depois recuperado e transferido para um instituto de investigação onde deverá ser estudado pelas suas particularidades técnicas e de engenharia.
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Citado no comunicado, o Tenente-Coronel Luís Henriques, Coordenador Operacional do Grupo de Trabalho AR5 da Força Aérea Portuguesa, defende que "a integração do sistema AR5 representa uma melhoria significativa das capacidades operacionais da Força Aérea Portuguesa.
Com uma autonomia de voo de até 20 horas e capaz de transportar até 50 kg de carga útil, este sistema "integra comunicações por satélite (SATCOM), permitindo operações além da linha de visão de rádio (BRLOS).
Fontes
Informação baseada em material público de Euronews PT, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.