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Por que as imagens das inundações no Nepal e no Tibete não são mostradas na China e se sabe pouco sobre as

Algumas das imagens mais dramáticas das enchentes ocorridas na quarta (26) são escondidas do público chinês

3 min de leitura
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As imagens dramáticas eram praticamente impossíveis de ignorar. Uma torrente de água invadia o porto de Gyirong, uma das principais passagens entre o Nepal e o Tibete, e arrastava tudo em seu caminho, enquanto centenas de pessoas fugiam para salvar a vida.

As cenas, capturadas por câmeras de segurança, espalharam-se rapidamente pelas redes sociais e chegaram às telas de todo o mundo.

Exceto na China. Até o momento, apenas uma única imagem estática foi transmitida pelo principal telejornal estatal do país.

Também tem sido difícil encontrar o vídeo na internet chinesa, que é fortemente censurada. É igualmente difícil encontrar publicações que descrevam as inundações repentinas que deixaram centenas de mortos e desaparecidos na última quarta-feira (26 ).

Pequim lançou uma operação de resgate em larga escala que envolve centenas de socorristas. O trabalho está em andamento, e o dirigente Xi Jinping presidiu uma reunião de emergência com autoridades para coordenar os esforços.

Mas, ao comparar o conteúdo disponível na internet do país com o que grande parte do mundo tem visto online nos últimos dias, o bloqueio da China torna-se mais visível do que nunca.

A região do Tibete, anexada por Pequim na década de 1950, resistiu por muito tempo ao domínio do Partido Comunista Chinês. Ao longo dos anos, a China reprimiu protestos, por vezes de forma violenta, e foi acusada de graves violações dos direitos humanos na região de maioria budista.

O país classificou o líder espiritual exilado dalai lama como um separatista. Essa história significa que o próprio nome Tibete atrai a censura da China. E a sensibilidade de Pequim fica especialmente evidente em momentos como este.

Os noticiários trazem atualizações diárias sobre os desaparecidos e os mortos, e Pequim também tem divulgado informações sobre as operações de resgate, bem como sobre os perigos representados por um lago de contenção que corre o risco de transbordar.

No sábado (29), novas imagens divulgadas pela mídia estatal chinesa mostram equipes de resgate andando por um terreno baldio cheio de lama e pedras, enquanto tentam identificar pessoas presas.

Mas há poucos detalhes além disso. Não existem relatos de sobreviventes no Tibete e quase nenhuma filmagem gerada por usuários mostra os momentos da enchente e as consequências que ela causou.

Ainda não tivemos notícias das famílias aflitas dos desaparecidos. Tentar contatar as pessoas no local é praticamente impossível, mesmo em tempos normais.

Como jornalista que cobriu a Coreia do Norte, muitas vezes foi mais fácil para mim contatar entrevistados em Pyongyang do que na capital tibetana, Lhasa.

Na noite de quinta-feira (27), enquanto as manchetes globais davam destaque à devastação em um vale do Himalaia, a emissora estatal chinesa abriu seu principal boletim de notícias com o lançamento do novo livro de Xi, uma seleção de suas "obras mais importantes e fundamentais.

Jornalistas estrangeiros não podem viajar para o Tibete sem autorização do regime. Temos apenas algumas horas para obter o máximo de informações possível sobre histórias importantes como esta, antes que vídeos sejam apagados e vozes acabem silenciadas.

Dependemos da mídia estatal, que até agora tem se concentrado em esforços de resgate incrivelmente dramáticos. Equipes de busca especializadas escalam montanhas e penhascos, ou atravessam rios caudalosos para tentar chegar às áreas mais afetadas.

Ainda não sabemos o que aconteceu depois, nem quem eles conseguiram salvar.

Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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