Mais de 150 carteiras na casa de apostas Polymarket International podem ter operado com base em informações priviligiadas das Forças Armadas dos Estados Unidos, segundo revelou uma pesquisa publicada nesta quinta-feira (20).
As apostas feitas com base em informações militares também atraíram uma onda de outros apostadores e levantaram preocupações, dentro do governo norte-americano, de que o mercado poderia transmitir sinais que podem ser explorados por adversários estrangeiros dos EUA, indicou ainda a pesquisa.
O levantamento foi realizado pelo grupo de pesquisa sem fins lucrativos Anti-Corruption Data Collective (ACDC) e lança nova luz sobre possíveis casos de uso de informações privilegiadas de origem militar no mercado de previsões.
O grupo encontrou uma série de apostas que foram realizadas antes de ações militares dos EUA. Em um dos casos, um soldado norte-americano foi acusado de usar informações sigilosas para apostar na deposição do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, capturado em janeiro por militares norte-americanos.
O estudo surge também em um momento em que autoridades intensificam a fiscalização sobre esse setor em rápida expansão.
Porta-vozes da Polymarket, plataforma de apostas fundada em 2020, foram procurados pela agência de notícias Reuters para comentar o levantamento, mas não responderam.
A plataforma afirma possuir controles rigorosos, monitorar atentamente atividades suspeitas e ter encaminhado dezenas de carteiras de negociadores às autoridades, incluindo o caso relacionado a Maduro.
👉 A Polymarket liquida negociações em blockchain, o que significa que as apostas são públicas, embora os negociadores permaneçam anônimos.
Dentro desse universo, o ACDC identificou 556 carteiras que apelidou de "Orcas", uma referência às táticas de caça precisas e seletivas da orca.
Esses negociadores geralmente abriam uma conta e rapidamente faziam uma aposta de baixa probabilidade altamente bem-sucedida em mercados de nicho — onde pessoas com acesso a informações internas poderiam ter vantagem.
Depois, na maioria dos casos, obtinham o lucro da aposta e desapareciam da plataforma.
As características das "Orcas" podem ter outras explicações, incluindo pura sorte, afirmou o ACDC. Da mesma forma, nem todos os indivíduos com acesso a informações privilegiadas são "Orcas.
Ainda assim, essas carteiras são as mais propensas a negociar com base em segredos militares, segundo o relatório. Embora algumas dessas 152 contas já tenham sido identificadas anteriormente por outros pesquisadores e pela mídia, a ACDC afirma ter descoberto dezenas de outras carteiras não relatadas anteriormente.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos não comenta questões relacionadas à Inteligência ou conclusões de pesquisas de terceiros, disse um porta-voz da pasta.
Operações privilegiadas atraem apostas 'imitadoras', diz pesquisa.
👉 Lucrar com informações confidenciais do governo é, em geral, ilegal. No entanto, uma preocupação maior reside nas evidências de que as negociações militares do tipo "Orca" parecem atrair apostas de imitação feitas por "Baleias" — os chamados investidores de grande porte — e robôs de negociação automatizada, afirmou a ACDC.
Embora a prática de imitar negociações seja legal e já tenha sido documentada em mercados de previsão, a ACDC encontrou indícios de que ela pode amplificar os sinais das "Orcas" e propagá-los de forma mais ampla.
Apostas semelhantes de "Orcas" antes dos ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel contra Teerã, em fevereiro, também pareceram desencadear uma onda de apostas iniciais de alto risco (em resultados menos prováveis) por parte de robôs e "Baleias" que apostavam no mesmo desfecho, segundo a pesquisa.
A maioria das pessoas subestima enormemente o grau de visibilidade da atividade de apostas incomum na Polymarket. Tudo está disponível na internet, e podemos ver sinais claros de que grandes operadores e robôs estão copiando possíveis negociações baseadas em informações privilegiadas", disse David Szakonyi, cofundador da ACDC.
Seria ingenuidade pensar que agências de inteligência estrangeiras não estão monitorando esses mercados.
A Polymarket afirmou que seu registro público permite um escrutínio maior. Um porta-voz da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) — agência que busca exercer jurisdição sobre os mercados de previsão — não comentou as conclusões.
O órgão regulador declarou que fiscalizará rigorosamente condutas ilícitas nesse setor e já apresentou acusações em pelo menos três casos até o momento.
A ACDC é composta por acadêmicos e investigadores especializados em finanças ilícitas e tem como objetivo promover reformas anticorrupção. O grupo defende que todos os operadores sejam obrigados a comprovar sua identidade e que os pagamentos de negociações suspeitas sejam retidos até a conclusão das investigações.
No entanto, o texto argumenta que, para realmente mitigar os riscos de apostas privilegiadas, deveriam ser proibidos os mercados nos quais o uso de informações não públicas possa ser mais rentável e passível de exploração.
Limitar o perfil de quem pode apostar em mercados de previsão ou depender de investigações das autoridades... não será suficiente", afirmou o instituto.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.