Condecoração reconhece proposta de restaurar 2 milhões de hectares do Cerrado brasileiro até 2030, além de projetos na Arábia Saudita e no Sahel; benefícios incluem fortalecimento da produtividade, recuperação de paisagens e da vida selvagem, qualidade do ar e geração de empregos.
Três projetos que prometem restaurar 5 milhões de hectares de terra até 2030 foram premiados, nesta terça-feira, pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO.
A área equivale a quase 7 milhões de campos de futebol.
O prêmio “Iniciativas Pioneiras da Restauração Mundial” foi concedido para projetos no Brasil, no Sahel e na Arábia Saudita, que buscam restaurar ecossistemas degradados em regiões que enfrentam secas, desertificação e mudanças climáticas.
No Brasil, o foco é restaurar o Cerrado, a savana tropical mais biodiversa do mundo. O bioma também fornece água para cinco das oito maiores bacias hidrográficas do país.
A Iniciativa Araticum "Restaurando o Cerrado Savannah do Brasil" reúne mais de 180 organizações, povos indígenas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores e instituições governamentais para apoiar projetos de restauração em nove estados brasileiros.
O representante da ONG Cerrado de Pé, Claudomiro Cortés falou sobre os efeitos que já consegue observar na região da Chapada dos Veadeiros, em Goiás.
A medida é implementada por meio da regeneração natural, semeadura direta, restauração e agrofloresta com espécies nativas.
Até junho de 2026, mais de 27 mil hectares foram colocados em restauração. Além disso, sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas foram coletadas e utilizadas em atividades de recuperação do ecossistema.
A iniciativa visa restaurar 2 milhões de hectares até 2030.
Na Arábia Saudita, o Programa Nacional de Esverdeamento tem como objetivo transformar paisagens degradadas em pastagens, florestas, desertos, áreas urbanas e ecossistemas costeiros, incluindo manguezais.
A meta do programa é restaurar 2,5 milhões de hectares e plantar 215 milhões de árvores até 2030, além de gerar até 187 mil empregos e melhorar a qualidade do ar urbano.
Liderado pelo Centro Nacional para o Desenvolvimento da Cobertura Vegetal e Combate à Desertificação, o programa havia restaurado, até junho, 1 milhão de hectares de terras degradadas e plantado 159 milhões de árvores.
As atividades incluem reflorestamento, regeneração natural, pastoreio controlado, reintrodução de espécies nativas de vida selvagem, captação de chuva e tratamento de águas residuais.
Em toda a região do Sahel, conflitos, degradação da terra, secas, insegurança alimentar e mudanças climáticas exercem uma pressão crescente sobre ecossistemas e comunidades.
A Iniciativa Integrada de Resiliência do Sahel, implementada em Burquina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger, está recuperando terras degradadas e, ao mesmo tempo, fortalecendo meios de subsistência e sistemas alimentares.
O projeto envolve apoio a refugiados que cruzam as fronteiras vindos do Sudão, país arrasado pela guerra.
A iniciativa, liderada pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU, já havia restaurado mais de 335 mil hectares de terras degradadas até junho, beneficiando mais de 4 milhões de pessoas em toda a região.
Os três projetos se juntam a uma rede crescente de 27 iniciativas reconhecidas sob a Década da ONU para a Restauração de Ecossistemas, que constituem os melhores exemplos globais de restauração de ecossistemas em larga escala e de longo prazo.
A premiação foi anunciada durante um evento de alto nível na 17ª Sessão da Conferência das Partes, COP17, da Convenção das Nações Unidas para Combater a Desertificação, Unccd, que acontece na Mongólia até esta sexta-feira.
A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, declarou que as três iniciativas mostram que restaurar ecossistemas traz benefícios significativos para todos, “incluindo segurança alimentar, novos empregos e maior resiliência para milhões de pessoas”.
Já o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, afirmou que cada hectare restaurado é um passo rumo a um futuro mais sustentável.
Os países já prometeram restaurar 1 bilhão de hectares, uma área maior que a China, como parte de seus compromissos com o acordo climático de Paris, as metas de Aichi para biodiversidade, as metas de Neutralidade da Degradação da Terra e o Desafio de Bonn.
No entanto, pouco se sabe sobre o progresso ou a qualidade dessa restauração.
Com o prêmio Iniciativas Pioneiras da Restauração Mundial, a ONU busca destacar exemplos positivos e de grande impacto, e se compromete a monitorar o progresso desses projetos de forma transparente.
Em números
- Condecoração reconhece proposta de restaurar 2 milhões de hectares do Cerrado brasileiro até 2030, além
- Três projetos que prometem restaurar 5 milhões de hectares de terra até 2030 foram premiados, ne
- A área equivale a quase 7 milhões de campos de futebol
- Até junho de 2026, mais de 27 mil hectares foram colocados em restauração
Fontes
Informação baseada em material público de ONU News, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.