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Neto de Raúl Castro vai de guarda-costas do avô a peça-chave em diálogo EUA-Cuba

Herdeiro da família de Fidel, Raúl Rodríguez Castro se reuniu com autoridades do governo Trump

3 min de leitura
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Raúl Castro fazia uma visita de Estado a Paris há uma década, quando era líder de Cuba, e um guarda-costas corpulento de sua comitiva chamou a atenção.

O homem se manteve tão próximo de Castro enquanto eles percorriam o tapete vermelho no Palácio do Eliseu que um integrante da guarda de honra francesa tentou afastá-lo.

Até François Hollande, então presidente da França, fez um gesto para que ele recuasse.

O agente de segurança que insistia em aparecer nas fotos oficiais não era outro senão o neto de Castro, Raúl G. Rodríguez Castro.

Hoje, o guarda-costas se tornou uma figura central nas negociações de Cuba com os Estados Unidos, embora nunca tenha ocupado um cargo público. Seu nome chegou a ser mencionado como alguém que o governo Trump poderia considerar aceitável para se tornar o próximo líder da ilha.

Ele é um exemplo de como aquele governo funciona", disse Tim Rieser, assessor de política externa do ex-senador Patrick Leahy, democrata de Vermont, que se encontrou várias vezes com Rodríguez Castro.

É muito parecido com uma empresa familiar. Assim, alguém que há uma década nos foi apresentado como guarda-costas do presidente Castro, por qualquer motivo e por quaisquer meios, tornou-se algo muito maior do que isso.

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Mas Rodríguez Castro, que se reuniu com algumas das figuras mais graduadas do governo Trump, também pode ter usado sua considerável influência para proteger uma operação de contrabando, segundo entrevistas e documentos judiciais.

Rodríguez Castro, 42, foi acusado de facilitar a entrada em Cuba de mercadorias compradas com cartões de crédito roubados, receber artigos de luxo como suborno e permitir que criminosos circulassem pela ilha.

O esquema foi alvo de uma investigação federal que resultou na condenação de pelo menos 21 pessoas, com penas de décadas de prisão. Rodríguez Castro não foi formalmente acusado.

Esta reportagem baseia-se em documentos judiciais e entrevistas com quase uma dúzia de pessoas que conhecem Rodríguez Castro pessoalmente —entre elas, alguém próximo das negociações com os EUA— ou que estão familiarizadas com a investigação criminal.

Rodríguez Castro não respondeu aos pedidos de entrevista enviados por canais diplomáticos formais e por meio de um conhecido em comum. Uma autoridade cubana de alto escalão classificou as acusações de caluniosas.

O papel de destaque de Rodríguez Castro nas conversas com o governo Trump pareceu espantar algumas autoridades cubanas, que o viam apenas como alguém encarregado de cuidar do avô.

Ainda assim, uma autoridade do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba recorreu às redes sociais, no mês passado, para afirmar que Rodríguez Castro havia sido alvo de um "assassinato de reputação" na imprensa dos EUA, cujo objetivo seria fazer o regime cubano parecer dividido.

Enquanto ajuda Havana a tentar sobreviver e conduzir o impasse com os EUA, Rodríguez Castro, segundo pessoas que conversaram com ele, não esconde sua ambição maior: tornar-se o próximo líder do país —embora não esteja claro se conta com apoio interno para isso.

Em números

  • O esquema foi alvo de uma investigação federal que resultou na condenação de pelo menos 21 pessoas, com penas de décadas de prisão

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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