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Milei surfa em aceno de Trump e agora quer Malvinas

Reivindicação une correntes políticas em ano de pressão interna

4 min de leitura
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Em 2013, estive nas ilhas Malvinas quando seus habitantes foram às urnas responder se queriam continuar associados ao Reino Unido. Mais de 99% disseram que sim.

Quando saiu o resultado, moradores tomaram as ruas de Port Stanley a pé, em caminhonetes e tratores, empunhando bandeiras britânicas. Na festa, crianças e jovens pintaram o rosto de azul e vermelho.

Era difícil imaginar uma manifestação mais explícita de identidade.

Treze anos depois, Javier Milei acaba de dizer aos argentinos, em cadeia nacional, que aquele voto não vale. Os habitantes das ilhas, afirmou o presidente argentino, são uma "população implantada" que não tem direito à autodeterminação.

A afirmação expõe uma das dificuldades da reivindicação argentina sobre as Malvinas. No fim do ano passado, voltei às ilhas para acompanhar a eleição de seu Parlamento.

Encontrei uma população engajada na escolha dos representantes que exercem o poder Executivo local.

Nas conversas, o que mais me chamou a atenção foi a distância entre a importância que a questão das Malvinas conserva na Argentina e a maneira como os ilhéus a enxergam.

Para muitos, a guerra de 1982 e a reivindicação argentina pertencem ao passado. Consideram o referendo a palavra final sobre o assunto e se veem como habitantes legítimos das ilhas.

Algumas famílias estão ali há nove gerações.

A posição de Milei também chama a atenção porque mudou. Admirador de Margaret Thatcher, a primeira-ministra britânica durante a guerra de 1982, o libertário chegou a sustentar que a Argentina deveria se tornar tão próspera que os próprios ilhéus desejassem aproximar-se do país.

Era uma posição que reconhecia a importância da vontade deles. Agora, Milei diz que eles não podem decidir.

A guinada não ocorreu de uma vez. Na última Copa, quando a seleção argentina levantou em campo uma faixa com a frase "Las Malvinas son Argentinas" depois de derrotar a Inglaterra, o tema voltou com força ao debate nacional.

Depois veio Donald Trump. Irritado com Londres por divergências sobre a guerra no Irã, o presidente americano disse que poderia rever a posição dos EUA sobre as ilhas.

Foi o bastante para Milei falar em "ventos de mudança.

Seu pronunciamento destoou até na forma. Sem a jaqueta preta e os gritos habituais, Milei apareceu de terno e gravata, cercado pelo gabinete, lendo calmamente um discurso firme.

Anunciou sanções contra empresas que atuem na exploração de recursos das ilhas e voltou a falar numa base naval próxima à Terra do Fogo.

Não ameaçou ocupação nem intervenção militar, mas apresentou as Malvinas como uma causa capaz de ficar acima das divisões entre os argentinos. E talvez esteja aí parte da explicação para o momento escolhido.

Milei se aproxima de um novo ciclo eleitoral enfrentando instabilidade política e uma economia real que não produz o entusiasmo alardeado pelo governo. As Malvinas oferecem algo raro: uma bandeira nacional que atravessa boa parte das divisões partidárias.

A Copa mostrou que ela continua mobilizando os argentinos; e Trump ofereceu a oportunidade para que Milei, até então pouco identificada com esse nacionalismo, tentasse utilizá-la.

Toda essa mise en scène, porém, dificilmente alterará o status das ilhas. O Reino Unido respondeu que seu compromisso com as Falklands permanece inabalável.

Devotos dançam ao som de música afro-cubana antes da procissão da Virgem de Regla, em Havana. Em Cuba, a santa católica é sincretizada com Yemayá, orixá do mar conhecido no Brasil como Iemanjá.

A FILHA DO MARIACHI ESTÁ DE VOLTA Quase duas décadas depois de virar fenômeno em vários países da América Latina, a novela "La hija del Mariachi" ganhou um remake.

A história conserva a combinação de romance, fuga e rancheras: um empresário mexicano acusado de crimes se refugia em Bogotá e cruza o caminho de uma cantora de mariachi.

Com Essined Aponte e Roberto Romano nos papéis principais, o remake está na Netflix.

CINEMA LATINO EM BOGOTÁ Até 13 de setembro, a Cinemateca de Bogotá recebe a 14ª CICLA (Cita con el Cine Latinoamericano), com filmes de 13 países da região. A mostra abriu com "Cobre", do mexicano Nicolás Pereda, e reúne produções de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Panamá, Peru, República Dominicana e Uruguai, entre outros.

Uma boa janela para descobrir o que anda sendo filmado pelos vizinhos.

RONCAGLIOLO NO VATICANO Em "El Pastor y Los Lobos" (ed. Seix Barral, importado), seu novo livro, o peruano Santiago Roncagliolo mergulha nos escândalos de abusos sexuais da Igreja em seu país e no Sodalício de Vida Cristiana, organização dissolvida pelo papa Francisco em 2025.

Misturando investigação, memória e ensaio, Roncagliolo segue também a trajetória de Robert Prevost no Peru e em Roma, antes de ele se tornar o papa Leão XIV.

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Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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