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Mundo Revisado por ULTRA AI

Meninas desafiam o Talibã ao estudar em escolas secretas no Afeganistão

Alunas mudam rotas diariamente e fazem de tudo para repetir o ano, adiando a exclusão escolar

4 min de leitura
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Ayesha frequenta uma escola secreta seis dias por semana, principalmente para continuar vendo pessoas fora de casa. Segundo ela, é a única maneira de evitar o isolamento total sob o regime do Talibã.

Sem esse contato", disse ela, "não sei o que aconteceria comigo.

Hoje com 18 anos, Ayesha já sonhou em estudar psicologia na universidade. O Talibã pôs fim a esse sonho ao proibir, em 2022, a educação formal para meninas após o sexto ano.

Mas Ayesha desafia as regras do Talibã há anos, frequentando uma sala de aula escondida atrás dos corredores de uma escola primária. Milhares de programas desse tipo funcionam em todo o país às escondidas do regime.

As escolas clandestinas já foram vistas como uma solução provisória, uma forma de as meninas manterem os estudos em dia até que o Talibã deixasse o poder. Mas, cinco anos após o retorno do grupo, quase 2,5 milhões de meninas afegãs estão impedidas de frequentar o ensino secundário.

Elas podem ir a escolas religiosas ou estudar em casa com aulas particulares. Mas, em todo o país, meninas correm o risco de ser presas ao frequentar escolas secretamente.

Outras fazem de tudo para serem reprovadas de propósito no sexto ano, para permanecer em sala de aula pelo maior tempo possível.

Diretores, professores e pais mantêm as escolas funcionando por meio de uma operação clandestina, lutando por aquilo que temem ser uma causa perdida: salvar da ignorância uma geração de meninas.

Os líderes do Talibã não parecem dispostos a revogar a proibição, embora algumas autoridades locais tolerem as escolas secretas, preocupadas em negar educação às próprias filhas.

Em entrevistas com mais de 50 estudantes, educadores, terapeutas e pais, muitos disseram temer que a proibição cause danos permanentes —às meninas e ao tecido social do Afeganistão.

Todos pediram para ser identificados apenas pelo primeiro nome, por medo de represálias.

Mesmo as meninas que concluem os estudos têm poucas perspectivas; o Talibã proibiu as mulheres de exercer a maioria das profissões, e são escassas as oportunidades de ir para o exterior.

Segundo professores e organizações humanitárias, aumentam os relatos de pensamentos suicidas e automutilação, assim como os índices de casamento de menores.

Ainda assim, algumas meninas se recusam a abandonar a luta por educação.

Nós também fazemos parte desta sociedade", disse Ayesha. "Apenas nos deixem ser quem queremos ser.

Certa noite, Ayesha recebeu uma mensagem de sua amiga Zuhal, 17, dizendo que não iria à aula no dia seguinte. O pai de Zuhal havia batido nela, afirmando que não havia motivo para frequentar uma escola clandestina.

Ayesha se lembra de ter chorado ao ler a mensagem de Zuhal. Entre as amigas, ela ficou conhecida como aquela em quem podem confiar, a aprendiz de terapeuta. Ayesha disse que rezou no quarto e insistiu para que Zuhal voltasse.

Se você ficar em casa, acabou para você", disse Ayesha. "Ninguém mais vai fazer nada por você.

Zuhal voltou à escola alguns dias depois, mas disse que só poderia ir quando o pai estivesse fora.

A sala de aula de Ayesha fica escondida dentro de uma escola primária oficial. O pátio está repleto dos gritos dos alunos mais novos, e centenas de sapatinhos coloridos ficam enfileirados na entrada do prédio.

Mas, depois das salas de aula, há uma porta que leva a uma passagem escondida atrás de um canto, por onde se chega à sala das meninas mais velhas.

Para evitar serem descobertas, as alunas variam os trajetos até a escola e evitam andar em grupos. Ainda assim, de vez em quando, o Talibã invade a escola sem aviso, como ocorreu em uma certa manhã de julho, durante as provas de física do meio do ano de Ayesha.

A diretora trancou as alunas lá dentro, e 14 jovens continuaram escrevendo em silêncio.

A sala de aula continua sem ser descoberta.

Em números

  • Mas, cinco anos após o retorno do grupo, quase 2,5 milhões de meninas afegãs estão impedidas de frequentar o

Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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