O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu, na tarde desta segunda-feira (31), com a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet num momento em que a postulação da chilena ao cargo de secretária-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) enfrenta uma crise após duas rodadas de consultas no Conselho de Segurança, nas quais ela figurou entre as candidaturas com pior desempenho.
De acordo com pessoas que acompanham a candidatura, Bachelet e Lula avaliaram que é preciso esperar uma nova rodada de consultas informais no Conselho de Segurança para avaliar melhor a viabilidade do nome da chilena.
A expectativa é que a França, que exerce a presidência do colegiado em setembro, convoque mais uma ou duas votações informais no mês.
Michelle Bachelet é apoiada formalmente pelos governos do Brasil e do México. O endosso de seu país, o Chile, foi retirado depois que o direitista José Antonio Kast chegou ao poder.
Antes de viajar a Brasília, Bachelet esteve no México para encontrar-se com a presidente Claudia Sheinbaum. A passagem pela Cidade do México levantou questionamentos sobre o comprometimento mexicano com seu nome —ela precisou esperar dois dias para ser recebida por Sheinbaum, e a líder mexicana disse que era preciso ver "as possibilidades" que Bachelet possui na corrida.
Além de ter sido presidente do Chile (2006-2010 e 2014-2018), ela foi ministra das pastas de Defesa e Saúde e, posteriormente, desenvolveu carreira na própria ONU: foi diretora-executiva da ONU Mulheres e comissária de direitos humanos da organização.
Brasil e México defendem a importância de ter uma candidata que represente a América Latina —o último da região a ocupar o posto foi o peruano Javier Pérez de Cuéllar, de 1982 a 1991— e que seja uma mulher (só homens chefiaram a ONU desde sua criação, em 1946).
No final do mês passado, o Conselho de Segurança realizou sua primeira pesquisa secreta para avaliar os nomes dos candidatos. No processo, cada país tem de dizer se encoraja, desencoraja ou fica neutro em relação a cada nome.
Por ora, não se sabe se o país votante é um membro permanente ou não.