Ir para o conteúdo
Mundo Revisado por ULTRA AI

Justiça ordena que presidente da Colômbia se desculpe por ato religioso durante a posse

Abelardo de la Espriella participou de cerimônia com rabino, padre e pastor. Decisão determina que presidente faça pronunciamento para reconhecer erro.

3 min de leitura
Justiça ordena que presidente da Colômbia se desculpe por ato religioso durante a posse

Um juiz da Colômbia ordenou que o presidente Abelardo de la Espriella peça desculpas por violar o princípio de Estado laico durante a cerimônia de posse, realizada em agosto e marcada pela participação de um rabino, um padre católico e um pastor evangélico.

Abelardo de la Espriella toma posse na Colômbia.

A decisão, tomada em primeira instância, determina que o presidente faça o pedido de desculpas em 30 de setembro, em uma transmissão de rádio e televisão. Segundo o juiz, De la Espriella deverá reconhecer que violou a "neutralidade religiosa do Estado", prevista na Constituição colombiana.

O presidente também terá de emitir uma diretriz para que funcionários públicos "respeitem e façam respeitar" a neutralidade religiosa em atos oficiais, segundo o documento ao qual a AFP teve acesso nesta quinta-feira (27).

De la Espriella tomou posse em 7 de agosto, em uma cerimônia em Cali. Na programação oficial, uma das sessões foi chamada de "invocação e louvor". O momento teve cânticos e orações, além de manifestações de apoio a Israel.

A cerimônia ocorreu diante de um altar com uma imagem da Virgem de Fátima e contou com a participação de representantes de três religiões: um rabino, um padre católico e um pastor evangélico.

A presença de líderes religiosos na posse foi considerada incompatível com o princípio de neutralidade religiosa do Estado, segundo a decisão judicial.

De la Espriella faz referências frequentes a Deus. Dias antes de assumir a Presidência, ele participou de um "retiro espiritual" com a mulher e integrantes do gabinete que havia escolhido.

Na ocasião, ele entregou uma Bíblia aos participantes. Vídeos publicados nas redes sociais também mostram o presidente ajoelhado e rezando.

No passado, o advogado milionário chegou a se declarar ateu. Durante a campanha presidencial, porém, afirmou ter passado por uma transformação espiritual que o aproximou de Deus.

Diferentes igrejas apoiaram a candidatura de De la Espriella, e integrantes de setores evangélicos ocupam cargos no governo.

A oposição também critica o que chama de "batalha cultural" promovida pelo governo. Segundo a esquerda, a agenda busca reverter direitos fundamentais e fortalecer valores ligados à família tradicional e à religião.

Uma das primeiras medidas criticadas nessa área foi um decreto do Ministério da Educação que permite a participação de igrejas em estratégias pedagógicas de escolas públicas.

Também houve reação à decisão do órgão responsável pela proteção de menores no país de retirar a expressão "meninos e meninas" de documentos oficiais e substituí-la por "infância.

Fontes consultadas

Leia também

Mais em Mundo