Em uma demonstração de atrito entre as potências emergentes da nova ordem geopolítica no Oriente Médio, Israel e Turquia trocaram acusações e ameaças veladas nesta quinta-feira (20), dois dias após o Estado judeu bombardear uma base aérea na vizinha Síria.
O ataque aéreo israelense ocorreu na instalação de Abu al-Duhur, no noroeste sírio. Segundo o ministro Israel Katz (Defesa), o local estava sendo preparado para receber um contingente de forças da Turquia, país que foi fiador da derrubada do ditador sírio Bashar al-Assad em 2024.
Tanto o governo em Ancara quanto o de Damasco negam essa intenção, embora o chanceler sírio, Assad al-Shaibani, tenha dito ao site americano Axios que uma delegação militar turca havia visitado a base há alguns dias "como parte da cooperação em curso" entre os países.
Nesta quinta, o Ministério da Defesa da Turquia disse que "é essencial para a paz e estabilidade na Síria e na região que Israel cesse esses ataques irresponsáveis a cumpra os requisitos da lei internacional.
Já Katz voltou ao tema no X, subindo ainda mais o tom. Ele advertiu o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, a não "testar a determinação de Israel de se defender.
Segundo ele, o líder está "arrastando a Turquia para aventuras perigosas na Síria.
O novo desenho político do Oriente Médio começou a ser delineado quando os terroristas palestinos do Hamas atacaram Israel em 7 de outubro de 2023, dando a deixa para que o governo de Binyamin Netanyahu abrisse uma temporada de acerto de contas contra o arcabouço montado pelo Irã na região.
De lá para cá, Israel obliterou a Faixa de Gaza, degradou as capacidades do Hezbollah e reocupou o sul do Líbano, além de lançar duas guerras diretas contra Teerã com apoio dos Estados Unidos —a deste ano ainda inconclusa, apesar da disrupção econômica que trouxe ao planeta.
Com a desorganização na teocracia persa e o foco do aliado Vladimir Putin na Guerra da Ucrânia, o ditador Assad viu a Turquia reforçar o apoio a uma das facções que lutavam contra ele no conflito civil que se arrastava desde 2011.
A Ancara sempre interessou evitar o fortalecimento dos curdos no norte da Síria, ligados ao Curdistão turco, fonte de conflito interno há décadas.
Emergiu rapidamente como vencedor o HTS, um grupo extremista nascido das costelas da rede terrorista Al Qaeda. Seu líder, Ahmed al-Sharaa, abandonou o nome de guerra islâmico que usava, trocou a farda pelo terno e virou presidente do país, com Assad fugindo para Moscou.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.