O Irã avalia atacar alvos militares dos Estados Unidos na Europa caso Donald Trump intensifique a guerra, segundo pessoas próximas ao regime, enquanto Teerã considera suas opções para elevar os custos do conflito.
Dois integrantes do regime disseram ao Financial Times que as forças iranianas avaliaram atingir ativos dos EUA em países do sudeste europeu, como a Bulgária, que no mês passado aprovou o uso de sua base aérea de Bezmer por aeronaves americanas de reabastecimento.
Uma das fontes acrescentou que Chipre, onde uma base aérea britânica foi atingida por um drone em março, também estava entre os possíveis alvos de retaliação em caso de uma nova ofensiva dos EUA.
As fontes disseram que as forças iranianas também analisaram a possibilidade de atacar cabos submarinos de fibra óptica no estreito de Hormuz em caso de escalada.
As ameaças refletem o clima de desafio em Teerã, onde cada vez mais integrantes do regime veem a retomada da guerra como uma questão de quando, e não de se ocorrerá.
As negociações para reabrir o estreito estão paralisadas, e o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, promoveu na semana passada integrantes da ala mais radical a cargos de alto escalão nas áreas de segurança e defesa.
Na terça-feira (18), Trump afirmou que não havia "nenhuma negociação ou conversa em andamento ou programada" com Teerã.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e outros comandantes militares advertiram que, em um novo conflito de grande escala, o Irã iria além de sua estratégia anterior de atacar instalações militares americanas, estruturas de energia e outras infraestruturas no Oriente Médio, passando a atingir alvos mais distantes.
No mês passado, a Guarda ameaçou o Reino Unido devido ao uso de bases militares britânicas pelos americanos, afirmando que "qualquer base usada para lançar um ataque contra o território iraniano será considerada um alvo legítimo.
Sidharth Kaushal, pesquisador do think tank Royal United Services Institute, em Londres, descreveu a ameaça representada pelos mísseis iranianos a alvos na Europa e em outros lugares como "real, mas limitada.
O Irã poderia empregar mísseis balísticos de médio alcance, como os da série Shahab, contra instalações dos EUA no sul e no sudeste da Europa, mas Kaushal afirmou que eles teriam dificuldade para causar danos a distâncias maiores.
Segundo as fontes, a retaliação do Irã dependeria das ações de Washington.
Uma delas afirmou que o regime preparava um plano para ampliar ainda mais o conflito caso Trump concretizasse ameaças anteriores de atacar a infraestrutura iraniana.
No mês passado, o presidente dos EUA disse que Washington destruiria uma ponte ou usina elétrica iraniana toda vez que a República Islâmica atacasse um navio no estreito.
A segunda fonte afirmou que o Irã não imporia "limite algum" à sua resposta em caso de agressão dos EUA. "Se os EUA forem longe demais, o Irã se defenderá a qualquer custo, irá além da região e atingirá também a Europa", disse a pessoa.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.