Grupo rebelde lançou ataques que culminaram na tomada de cidades ao redor do Estreito de Bab el-Mandab, por onde passa boa parte do comércio global e do fornecimento de energia; escalada da violência já deixou mais de 46 mil iemenitas deslocados.
A população do Iêmen sofre com uma escalada dos combates entre as forças do governo e os rebeldes houthis desde a semana passada.
Segundo agências de notícias, o grupo apoiado pelo Irã, agora controla a costa do Iêmen. no Mar Vermelho, após capturar a cidade portuária de Mocha e a ilha de Perim, ambas localizadas no Estreito de Bab el-Mandab.
Esse é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, pois liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Por ali, passa uma parcela significativa do comércio global, incluindo o fornecimento de petróleo e outras fontes energia.
Na quinta-feira, o enviado especial da ONU para Iêmen, Hans Grundberg, disse ao Conselho de Segurança que o conflito está entrando numa “fase perigosa”, com combates em múltiplas frentes.
A sessão de emergência do órgão, solicitada pelo Bahrein e pelo Reino Unido, tinha como objetivo discutir relatos de ataques lançados pelos houthis contra a Arábia Saudita.
Nos últimos dias, segundo o enviado da ONU, os combates se intensificaram em várias frentes, particularmente na estratégica costa oeste. Os rebeldes lançaram uma grande ofensiva que incluiu a cidade de Mocha, localizada a cerca de 75 km do Estreito de Bab el-Mandab.
O enviado da ONU afirmou que os houthis agora controlam Mocha, o que lhes confere presença direta na entrada de um dos estreitos mais importantes do mundo. Ele destacou preocupações da comunidade internacional com novas ameaça à liberdade de navegação.
Grundberg afirmou que os acontecimentos em Mocha ocorrem após semanas de escalada da violência. No início de setembro, os Houthis realizaram ataques em larga escala em Taiz e Hodeida, em confrontos cada vez mais intensos com as forças governamentais.
Houve relatos de civis mortos em diversas áreas, incluindo crianças, e abrigos destruídos em bombardeios que atingiram campos de deslocados internos.
A Organização Internacional para Migrações, OIM, informou nesta sexta-feira que pelo menos 46 mil pessoas foram deslocadas.
A diretora-geral da agência, Amy Pope, confirmou que as famílias iemenitas estão sendo forçadas a fugir pela segunda ou terceira vez durante este conflito.
Ela adicionou que alcançar os deslocados para fornecer assistência vital está se tornando cada vez mais difícil à medida que os combates continuam se espalhando.
A agência afirmou que a costa oeste do Iêmen e a província de Taiz continuam registrando um aumento de deslocados, com relatos de um grande número de moradores deixando a cidade de Mocha com seus pertences durante a noite passada.
Aldeias inteiras estão agora desertas, à medida que os confrontos se aproximam de áreas povoadas. Há também relatos de que uma importante rota de abastecimento entre Mocha e Taiz foi cortada.
Desde o início do conflito, a OIM tem trabalhado para atender às necessidades dos deslocados por meio de suas equipes de campo, mas, devido à deterioração da situação de segurança, todas as operações foram temporariamente suspensas a partir desta sexta.
Em números
- Do comércio global e do fornecimento de energia; escalada da violência já deixou mais de 46 mil iemenitas deslocados
- Ebeldes lançaram uma grande ofensiva que incluiu a cidade de Mocha, localizada a cerca de 75 km do Estreito de Bab el-Mandab
- Organização Internacional para Migrações, OIM, informou nesta sexta-feira que pelo menos 46 mil pessoas foram deslocadas
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