As forças dos Estados Unidos atingiram vários petroleiros iranianos ligados à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) em resposta a uma tentativa de ataque com mísseis contra um navio de guerra americano, segundo uma autoridade dos EUA.
Embora os mísseis não tenham atingido a embarcação, o episódio levou os militares americanos a atacar, nesta terça-feira, alvos próximos à estratégica ilha de Kharg, principal polo de exportação de petróleo do Irã, e à cidade portuária de Jask.
A ação aumentou a tensão nos mercados de energia e reforçou os temores de uma nova escalada na guerra envolvendo o Irã.
Os ataques de ambos os lados evidenciam as dificuldades dos Estados Unidos em passar de uma fase de hostilidades diretas para uma campanha sustentada de pressão econômica contra Teerã.
O presidente Donald Trump e autoridades de Defesa afirmaram repetidamente que as capacidades militares iranianas foram severamente enfraquecidas, enquanto o secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou recentemente que a estratégia de pressão econômica tornaria improvável uma retomada em larga escala dos confrontos militares.
O Wall Street Journal noticiou primeiro o ataque de segunda-feira ao navio americano. Já uma repórter da Fox News, citando autoridades de alto escalão dos EUA, afirmou que os alvos atingidos nesta terça-feira incluíam petroleiros iranianos e que a ação faz parte de um esforço mais amplo para pressionar Teerã a ceder.
A guerra contra o Irã, lançada pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro e justificada principalmente como uma tentativa de limitar o programa nuclear iraniano, passou a ter como foco mais recente a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz para o tráfego internacional.
A Marinha americana bloqueia embarcações carregadas com petróleo iraniano, enquanto o Irã tem lançado mísseis contra navios internacionais que tentam deixar o Golfo Pérsico.
Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados mundialmente passava pela região.
Reino Unido anuncia emenda para reinstituir sanções contra o Irã por ‘ações hostis’.
A emenda legislativa expandirá as restrições ao comércio e os poderes para sancionar navios que tenham relações com o programa nuclear de Teerã.
A Casa Branca não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
Trump tem insistido que as forças armadas iranianas foram enfraquecidas a ponto de não conseguirem mais atacar ativos americanos. Em agosto, seu governo anunciou que priorizaria o estrangulamento econômico do Irã e reduziria a intensidade da ofensiva militar, mas as trocas de ataques continuaram.
Nesta terça-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções a dezenas de empresas ligadas ao setor de aviação iraniano.
Mais cedo, a agência semioficial iraniana Tasnim informou que um míssil americano atingiu um petroleiro iraniano próximo à ilha de Kharg.
A televisão estatal iraniana também divulgou um comunicado atribuído à Guarda Revolucionária determinando que todas as tripulações de navios-tanque na região dos portos do Kuwait e do Bahrein abandonem imediatamente suas embarcações, estejam elas ancoradas ou atracadas, sob o argumento de que poderão ser atingidas.
Além disso, o Irã afirmou nesta terça-feira ter capturado um moderno drone submarino americano. Os EUA minimizaram a informação, descrevendo o equipamento como “defeituoso e com falha de funcionamento”.
Paralelamente, Teerã mantém negociações com Omã para reabrir o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, embora os dois países estudem cobrar uma tarifa de passagem dos navios.
Os Estados Unidos e seus aliados se opõem a qualquer cobrança em uma rota historicamente considerada uma via internacional livre.
Os relatos de explosões perto de Kharg impulsionaram a alta dos preços do petróleo, refletindo a enorme importância da ilha para a infraestrutura energética iraniana.
Embora os ataques americanos tenham como alvo declarado instalações militares, Trump já ameaçou anteriormente atingir estruturas petrolíferas e chegou a aventar a possibilidade de tomar o controle do terminal exportador.
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