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Em ano de recordes climáticos, pauta ambiental desaparece da campanha eleitoral no Brasil

As eleições de 2026 no Brasil ocorrem em um ano marcado por enchentes e ciclones no sul e sudeste do país, enquanto o risco de uma nova seca extrema ameaça o no

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Em ano de recordes climáticos, pauta ambiental desaparece da campanha eleitoral no Brasil

As eleições de 2026 no Brasil ocorrem em um ano marcado por enchentes e ciclones no sul e sudeste do país, enquanto o risco de uma nova seca extrema ameaça o norte.

No mundo, recordes sem precedentes de temperaturas foram registradas no hemisfério norte e os desastres climáticos, como as enchentes no Nepal e no Tibete, dão mais uma amostra da desregulação do clima.

Mesmo assim, a pauta ambiental desapareceu da campanha eleitoral, a poucas semanas do encontro dos eleitores brasileiros com as urnas.

O vazio é reflexo dos próprios programas de governo apresentados pelos candidatos. Dos seis principais nomes, apenas o atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (coligação da esquerda liderada pelo PT), traz uma proposta à altura do desafio climático.

Para os demais cinco aspirantes a presidente – Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema –, a questão é colocada de forma vaga, sem detalhes sobre aspectos importantes como a redução de emissões de gases de efeito estufa.

A campanha eleitoral ocorre em meio à maior crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), que monopoliza as atenções da imprensa no país. Mas isso não significa que o eleitor brasileiro menospreze a importância do combate às mudanças climáticas.

Um levantamento realizado pelo instituto Ipsos a pedido do Observatório do Clima – rede de quase 200 organizações socioambientais – acaba de mostrar que 91% dos brasileiros consideram “importante” que os candidatos façam propostas para enfrentar as mudanças climáticas; para 62%, essa é uma questão “muito importante”.

O Observatório do Clima passou um pente fino nos programas de governo dos principais candidatos e na atuação parlamentar dos que já exerceram no Legislativo. O resultado é que não apenas a pauta ambiental é quase inexistente, como a maioria dos presidenciáveis trabalha no sentido contrário, de negar ou rejeitar a importância do assunto.

O principal opositor de Lula no pleito, o senador Flávio Bolsonaro, nem mesmo reconhece a existência de uma crise do clima, e menciona sete propostas “antiambientais”, como ampliar a infraestrutura de petróleo e liberar a controversa técnica do fracking para a extração do óleo.

Em sua participação na série de entrevistas com os candidatos no Jornal Nacional, da TV Globo, o filho do ex-presidente minimizou a ação humana como causadora dos “eventos climáticos extremos”, como preferiu se referir às mudanças do clima.

Entretanto, a pesquisa Ipsos revelou que 87% dos eleitores concordam que a crise climática está provocando secas, chuvas intensas e ondas de calor. Para 79%, o tema deve ser uma prioridade do próximo governo, “mesmo que implique custos econômicos”.

A narrativa de Flávio Bolsonaro antecipa um eventual governo focado em desregulamentações ambientais para facilitar atividades como agricultura, pecuária e mineração – muitas vezes em detrimento do meio ambiente e das populações locais.

O próximo presidente terá o desafio de manter os compromissos internacionais assumidos pelo país, a começar pelo Acordo de Paris. Caberá ao futuro mandatário assegurar o corte de 1,2 bilhão de toneladas de CO2 equivalente e o fim do desmatamento ilegal em todos os biomas até 2030, além de restaurar ao menos 12 milhões de hectares de vegetação nativa.

Para esses e outros objetivos essenciais para que o país proteja a população, a biodiversidade e os ecossistemas, a nova configuração do Congresso também será decisiva.

Não existe nenhum outro grupo de pessoas no Brasil hoje que trabalhe de forma tão intensa contra o meio ambiente do que o Congresso brasileiro. É dia e noite retrocessos sendo votados lá”, ressalta Astrini.

Em números

  • Caberá ao futuro mandatário assegurar o corte de 1,2 bilhão de toneladas de CO2 equivalente e o fim do desmat
  • Amento ilegal em todos os biomas até 2030, além de restaurar ao menos 12 milhões de hectares de vegetação nativa

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