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'Eles abriram a porta e nos arrastaram para fora': operação do ICE amplia medo em Nova Jersey

Agentes agora perseguem trabalhadores e entram em estabelecimentos sem aviso

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Funcionários hispânicos abasteciam as prateleiras do El Oaxaqueño com pimentas e condimentos da América Latina. Clientes habituais comiam tacos recheados com carne em tortillas feitas na hora, na cantina ao lado.

Era uma típica manhã de verão em um supermercado mexicano de Nova Jersey.

Trabalhadores diaristas aguardavam no estacionamento sem graça, na esperança de conseguir algum serviço freelance de jardinagem ou construção civil.

De repente, mais de meia dúzia de SUVs invadiram o estacionamento, e agentes federais de imigração saltaram dos veículos, segundo relatos de pessoas que estavam no local.

Os trabalhadores correram para todos os lados, e os agentes perseguiram pelo menos um homem para dentro do supermercado, passando pelas piñatas coloridas penduradas junto à entrada, disseram funcionários do estabelecimento.

Clientes e funcionários tentaram se esconder —no andar de cima, no banheiro, atrás de caixas de hortifrúti na câmara frigorífica. Mas os agentes de imigração os encontraram e, um a um, imobilizaram suas mãos com abraçadeiras plásticas e os levaram às pressas pela porta dos fundos.

A operação, em 24 de junho —que até então não havia sido noticiada pela imprensa— parece estar entre as maiores batidas na região desde que o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) reformulou discretamente suas operações neste verão.

Eles abriram a porta e nos tiraram de lá", disse, em espanhol, Bernarda Hernandez, 32, uma funcionária mexicana. Ela havia se trancado no banheiro com outra funcionária e disse ter implorado em vão, contando aos agentes que tinha uma filha de 2 anos.

Em pouco mais de uma hora, o ICE prendeu Hernandez e outras 17 pessoas sem status migratório legal depois de chegar ao estacionamento devido a "uma denúncia confiável de que um um imigrante em situação irregular com antecedentes criminais, acusado de furto e falsificação, estava naquele local", informou o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) em comunicado.

A agência afirmou que algumas pessoas fugiram para dentro do supermercado, "obrigando os agentes a iniciar uma perseguição". O órgão não especificou quantas pessoas prendeu no interior do estabelecimento, mas a maioria dos detidos parecia ser resultado de "prisões colaterais" —pessoas sem status migratório legal que estavam no local e não eram os alvos originais do ICE.

Testemunhas disseram em entrevistas que os agentes detiveram dez pessoas dentro do El Oaxaqueño, entre elas seis funcionários, de repositores ao açougueiro. Alguns diaristas foram detidos do lado de fora.

A nova atuação do ICE, mais discreta e ágil do que as operações de maior visibilidade realizadas nas grandes cidades no ano passado, surpreendeu municípios, subúrbios e cidades de todos os Estados Unidos.

Os agentes se espalharam pelo país sob ordens de efetuar 2. 000 prisões migratórias por dia —aproximadamente o dobro do ritmo registrado na primavera.

O governo Trump iniciou a ofensiva sem alarde, após promover mudanças na liderança do DHS, prometendo evitar as grandes operações que provocaram reação política depois que agentes mataram dois cidadãos americanos em Minneapolis, em janeiro.

A repressão ganhou força a menos de três meses das eleições de meio de mandato, enquanto os republicanos tentam manter o controle do Congresso. A abordagem mais ágil parece ser uma resposta a pesquisas que mostram que os aspectos mais linha-dura da agenda migratória do presidente Donald Trump representam uma vulnerabilidade para o Partido Republicano.

Em Nova Jersey, o ICE prendeu mais de 2. 100 pessoas em julho, o maior número em um único mês desde que Trump voltou ao poder e mais que o dobro das cerca de 850 a 950 pessoas que a agência prendia mensalmente entre fevereiro e maio, segundo dados do ICE divulgados na segunda-feira (24) pelo Deportation Data Project, um grupo acadêmico.

É um número superior ao de pessoas presas pelo ICE no estado vizinho de Nova York, maior e com uma população imigrante mais numerosa, onde as detenções também dispararam para mais de 1.

As operações do ICE em nossas comunidades não tornam Nova Jersey mais segura", disse Stephen Sigmund, porta-voz da governadora Mikie Sherrill, democrata que se opôs à instalação de novos centros de detenção do ICE no estado e tentou proibir os agentes de usar máscaras.

O aumento das prisões tornou-se perceptível em Nova Jersey por meio de sucessivas detenções realizadas de madrugada, em grande parte longe dos holofotes.

Em números

  • Em pouco mais de uma hora, o ICE prendeu Hernandez e outras 17 pessoas sem status migratório legal depois de chegar ao e

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Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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