OMS pede mudança urgente de estratégia; estudos de sequenciamento genético indicam que início da atual epidemia teria sido três meses antes do anúncio global; descentralização do atendimento será essencial para conter avanço da doença.
Nesta segunda-feira, o diretor regional da Organização Mundial da Saúde, OMS, para a África, Mohamed Yakub Janabi, falou a jornalistas após visitar o epicentro do surto de ebola em Bunia, República Democrática do Congo, RD Congo.
Segundo dados divulgados, até sexta-feira, 7 de agosto, as autoridades locais registaram 4. 209 casos confirmados e 1. 916 mortes, distribuídos pelas províncias de Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uele e Tshopo.
Trata-se do 17.º surto no país, considerado o maior da história da RD Congo e o segundo maior a nível mundial, ficando atrás apenas da grande epidemia na África Ocidental ocorrida entre 2014 e 2016.
Na ocasião, Janabi destacou a gravidade da situação em que as autoridades estão a perseguir o vírus, que segue adiante da resposta.
Segundo ele, após três meses de surto, o que se observa é apenas 30%. E se é notado apenas um terço pode “ser preciso parar para rever a abordagem: ser capaz de parar e fazer perguntas difíceis como o que se pode fazer de diferente e compreender a situação de outra forma”.
O diretor sublinhou que infecções iniciais podem ter sido diagnosticadas erroneamente como malária ou febre tifoide, atrasando a contenção da epidemia causada pelo vírus bundibugyo.
Um dos pontos mais críticos apresentados pela liderança regional da OMS é que entre 60% e 70% das mortes estão a ocorrer em casa, fora das unidades de tratamento.
Estimativas apontam que as equipas de resposta estão a identificar apenas cerca de um terço da real dimensão dos casos.
De acordo com as autoridades, a falta de serviços básicos de saúde fora dos grandes centros urbanos obriga os doentes a deslocarem-se até Bunia, muitas vezes tarde demais.
Entre as medidas prioritárias de resposta estão o envolvimento do setor de transportes. Cerca de 50% das mortes registadas estão associadas a redes e associações de transporte.
A agência da ONU aponta a necessidade urgente de capacitar os condutores para que encaminhem os pacientes diretamente para centros de tratamento, em vez de os levarem para as suas residências.
Quanto à ampliação hospitalar integrada, a proposta é além de adicionar 400 leitos dedicados exclusivamente ao ebola, criar 100 leitos para serviços de saúde gerais, garantindo que a população continue a ter acesso ao atendimento de outras enfermidades.
Por fim, entre as ações comunitárias e higiene prevê-se a mobilização de comerciantes, estações de autocarro e comércios locais para a instalação de pontos simples de lavagem das mãos com água e sabão.
Adicionalmente, busca-se um maior engajamento dos meios de comunicação social na conscientização da população sobre os sintomas.
Em paralelo às ações no terreno, um grupo consultivo técnico da OMS recomendou que a vacina Ervebo seja priorizada em ensaios clínicos no contexto do atual surto.
Especialistas, a da OMS na RD Congo, Anne Ancia, e Marie Roseline Belizaire defenderam que, embora a vacina tenha sido desenvolvida para outra cepa do vírus, há indícios promissores de eficácia.
Elas apontaram que em profissionais de saúde vacinados durante o surto de 2018–2020 e depois contraíram o vírus bundibugyo os quadros foram mais leves e maior taxa de sobrevivência.
Isso sugere uma possível proteção cruzada que continuará a ser investigada.
A OMS enfatiza que o fortalecimento da participação comunitária, a detecção precoce de casos e a descentralização do atendimento serão cruciais nas próximas 8 a 12 semanas para conter o avanço da doença.
Fontes
Informação baseada em material público de ONU News, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.