Mindelo, ilha de São Vicente, Cabo Verde. Esta é uma cidade onde coisas destas ainda podem acontecer: na segunda (31), no Café Mindelo, lamentávamos que Fábio Porchat, em digressão pelo país, não tivesse um show aqui, na segunda maior cidade de Cabo Verde que é, para muitos, a sua capital cultural.
Nesta terça (1º), graças a António Tavares, diretor do Centro Cultural do Mindelo, tenho de sair correndo a terminar a coluna para participar dessa conversa. Sim, porque esse é o primeiro problema: tive de pagar a impertinência aceitando subir ao palco também.
O segundo problema é que não tínhamos a menor ideia do que iríamos falar.
Mas há pouco, enquanto esperávamos para apanhar o barco de volta da ilha de Santo Antão, chegamos a uma ideia central. Eu sou historiador, o Fábio é comediante, mas ambos não só não fugimos de ser chamados de contadores de histórias, como nos orgulhamos disso.
Vivemos num tempo que é de saturação da opinião. Toda a gente tem de ter uma, sobre tudo, o tempo todo. Mais do que uma opinião, é preciso ter uma posição, muitas, várias, sobre tudo, o tempo todo.
Ser contra. A favor. Odiar. Adorar. Entretanto, as redes sociais obrigam a que essa posição seja distintiva.
Se toda a gente diz um disparate grande, a única forma de a gente se distinguir é dizer um disparate maior. Se o absurdo de ontem não rendeu cliques, o absurdo de hoje terá de ser pior.
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