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Mundo Revisado por ULTRA AI

Como está a UE a combater a crescente escassez de água?

O calor recorde deste verão deixou 38% do território europeu em situação de seca. A exploração excessiva, a má gestão e a poluição prejudicaram lagos e rios e a

10 min de leitura
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The Ring é o programa político semanal da Euronews, onde os debates mais difíceis da Europa se encontram com as vozes mais ousadas. Em cada episódio, dois pesos pesados da política de toda a UE confrontam-se para apresentar uma diversidade de opiniões e estimular conversas sobre as questões mais importantes da União Europeia.

Sem filtros, sem discussões, sem barricadas políticas, No Comment. Os factos, sem comentários.

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A água na Europa está sob pressão crescente. A poluição, as secas e as inundações estão a afetar a nossa água potável, os lagos, os rios e as costas. Junte-se a nós numa viagem pela Europa para ver por que razão é importante proteger os ecossistemas, como é que as nossas águas residuais podem ser melhor geridas e para descobrir algumas das melhores soluções para a água.

Reportagens em vídeo, uma série animada e um debate em direto: descubra porque é que a água é importante, na Euronews.

Apresentamos as mais recentes informações do clima, analisamos as tendências e explicamos o que está a mudar no nosso planeta. Damos a conhecer a visão dos especialistas mundiais no setor para explorar o caminho a seguir no combate às alterações climáticas.

A água encontra-se sob pressão quando utilizamos 20 por cento das reservas de água doce renováveis e sob forte pressão quando atingimos os 40 por cento, de acordo com o Índice de Exploração da Água Plus (WEI+) da Agência Europeia do Ambiente (AEA).

Atualmente, 30 por cento dos europeus e 20 por cento do território enfrentam escassez de água todos os anos, segundo a Comissão Europeia.

As temperaturas atuais agravam a crise da água na Europa, com o calor a secar os solos e a reduzir o caudal dos rios. Por detrás desta onda de calor está um sistema hídrico já levado ao limite.

Décadas de poluição, sobreexploração e má gestão dos recursos degradaram as massas de água, deixando a UE com poucas reservas para enfrentar a crise hídrica de hoje.

A UE lançou a Estratégia para a Resiliência da Água em junho de 2025 para tornar a União mais resiliente em matéria de recursos hídricos. A estratégia protege o ciclo da água, promove uma economia inteligente na utilização da água e assegura o acesso a água limpa e a preços acessíveis.

O stress hídrico tem várias causas. A Europa depende fortemente da água para a agricultura, a indústria e a produção de energia, o que leva à sobreutilização dos recursos.

A EEA indica que as captações totais diminuíram 14 % entre 2000 e 2023, mas a UE continua a extrair cerca de 200 000 metros cúbicos por ano, muitas vezes acima das taxas naturais de renovação.

Este nível de exploração reduz o caudal dos rios e esgota os aquíferos, deixando menos água disponível em todo o sistema. Novas indústrias intensivas no uso de água, como a produção de semicondutores e os centros de dados, consomem as reservas ainda mais rapidamente.

Embora a reutilização de águas residuais possa reduzir as captações, a Europa recicla apenas 2,4 % desse volume.

Na Europa, perde‑se 23 % da água tratada devido à má gestão das redes públicas de abastecimento, o que limita a oferta. “Em toda a União, continuamos a perder volumes enormes de água potável tratada em condutas envelhecidas, antes de esta chegar às torneiras das pessoas”, alertou Bajada.

O relatório EurEau 2026 mostra uma ligeira redução das perdas de água na Europa para cerca de 23,5 %, face aos 24 % registados no estudo de 2021, mas os Estados‑membros continuam a investir pouco na manutenção das infraestruturas.

A Alemanha lidera, com 9 mil milhões de euros por ano, seguida de França, com 6,5 mil milhões, enquanto a Eslovénia investe apenas cerca de 100 milhões. Maior urbanização e migração vão aumentar a procura de água, sobretudo no Norte e Oeste da Europa, pressionando a modernização e expansão das redes, indica o Serviço de Investigação do Parlamento Europeu (EPRS).

As alterações climáticas intensificam esta tendência. Na Europa, as temperaturas estão a subir 0,56 graus Celsius por década, acima da média global de 0,27 graus, segundo o Copernicus, o programa de observação da Terra da UE.

As secas aumentaram, afetando 601 193 quilómetros quadrados de território e causando danos em 33 518 quilómetros quadrados de floresta e 87 567 quilómetros quadrados de terras agrícolas em 2024.

A EEA estima que, até 2050, as secas se tornem mais intensas, aumentando a evaporação da água.

Proporção de área terrestre exposta à seca, UE27, 2025-2026.

À medida que as reservas diminuem, a poluição agrava‑se, reduzindo a quantidade de água limpa disponível para uso. “A qualidade da água subterrânea pode ser afetada pelas alterações climáticas devido às interdependências entre poluição e sobreexploração.

Por exemplo, se um aquífero for sobreexplorado, as concentrações de nutrientes e de substâncias químicas podem aumentar porque os poluentes ficam menos diluídos”, explicou a EEA à Euronews.

A estratégia combate a sobreexploração e a degradação dos solos, protegendo a quantidade e a qualidade do ciclo da água. O mecanismo “sponge facility” restaura a capacidade dos ecossistemas para reter, purificar e libertar água, apoiando a biodiversidade.

Indicadores comuns de escassez e sistemas de alerta precoce monitorizam a disponibilidade de água e o risco de seca, reforçando a preparação.

Para garantir a qualidade, a estratégia reduz a poluição da água e elimina poluentes da água potável, protegendo a saúde pública. Uma aplicação mais rigorosa da Diretiva‑Quadro da Água melhora o estado ecológico de rios e lagos.

O princípio “water efficiency first” aponta para uma economia inteligente na utilização da água, que minimize o desperdício antes de recorrer a novas fontes, como a dessalinização.

A UE estabelece uma meta de aumento de 10 % na eficiência hídrica até 2030, através da reutilização da água na agricultura, na indústria e no abastecimento público.

O objetivo passa por limitar as necessidades de água dos setores industrial e digital através de um planeamento inteligente, reduzir fugas e perdas nas redes públicas e reforçar os mecanismos de controlo.

O Plano de Ação Digital para a água moderniza a gestão dos recursos hídricos com ferramentas baseadas em dados, como contagem inteligente de consumos, previsões com recurso a inteligência artificial, monitorização por satélite da humidade do solo, sistemas digitais de rega e deteção de fugas.

A meta de 10% é um sinal político forte, não um objetivo final, sublinhou Bajada. As alterações climáticas afetam as regiões europeias de forma diferente, pelo que uma única meta não serve para todos, explicou, defendendo objetivos de eficiência específicos por setor e por bacia hidrográfica, que tenham em conta os diferentes usos e riscos na agricultura, na indústria, no abastecimento público e na energia.

O último pilar da estratégia incentiva o uso de produtos eficientes na utilização da água através do Regulamento Ecodesign e promove tarifas de água baseadas no consumo e na capacidade de pagamento, garantindo acesso equitativo e estimulando hábitos mais conscientes de poupança.

Os Estados‑membros têm de informar os cidadãos sobre a situação dos recursos hídricos e a sua gestão, para permitir a participação pública nos planos nacionais da água.

O Sul da Europa continua a ser a região mais seca. O clima quente e árido aumenta a procura de água, sobretudo na agricultura, levando a que se use a maior parte da água doce disponível e praticamente toda durante os meses mais quentes.

Em 2023, a escassez de água atingiu 28 % do território e 32 % dos europeus, segundo o relatório da EEA de 2025. No Sul da Europa, 30 % da população enfrenta stress hídrico permanente, proporção que sobe para 70 % no verão, quando a procura de água por parte do turismo, da agricultura e dos serviços públicos aumenta.

Em resposta, a região extrai grandes quantidades de água subterrânea fóssil, não renovável, pressionando ainda mais as reservas dos aquíferos.

Chipre e Malta são os países mais afetados. Os dados mais recentes mostram que Chipre utilizou 92,1 % da sua água doce e Malta 66,7 % em 2023, ambos acima do limiar de 40 % do WEI+.

Entre 2020 e 2024, o impacto da seca em Chipre aumentou para 12,9 % do território e, em Malta, para 57,1 % (face aos 6,5 % em 2020), de acordo com a EEA.

Condições sazonais de escassez de água nos países europeus em 2023, medidas pelo índice de exploração da água plus (WEI+).

Para enfrentar a escassez, Chipre reutiliza quase 100 % das suas águas residuais, enquanto Malta reutiliza apenas 5 a 10 %. As duas ilhas ampliaram as centrais de dessalinização, que fornecem praticamente toda a água potável.

O Norte e o Centro da Europa enfrentam outro tipo de pressão hídrica, mas permanecem abaixo do limiar de stress definido pelo WEI+. Em 2023, os valores deste índice foram de 0,3 % na Suécia, 4,4 % na Alemanha e 8 % na Polónia, sobretudo devido à procura de água dos setores industrial e energético.

A EEA indica que a adoção de sistemas de arrefecimento e combustíveis mais eficientes na utilização da água, o recurso a inovações tecnológicas e o aproveitamento do calor residual das centrais elétricas poderiam reduzir as captações em até 95 %.

A produção de eletricidade representa 33 % das captações totais. “Caudais baixos nos rios podem afetar a produção de eletricidade dependente da água em centrais térmicas e nucleares ou em infraestruturas hidroelétricas e reduzir a profundidade da água em rios de curso livre, com impacto na navegação interior”, explicou a EEA.

As centrais podem reduzir a atividade ou mesmo parar totalmente, com efeitos no abastecimento de energia a cidadãos e indústrias, como está a acontecer na Hungria e na Roménia.

Na Suécia, a central nuclear de Ringhals teve de suspender operações em julho de 2018, quando a temperatura da água do mar atingiu 25 graus Celsius.

A agricultura utiliza 31 % da água na Europa. A falta de água leva a colheitas mais pequenas, expõe os agricultores a perdas económicas e riscos para a saúde e perturba as cadeias de abastecimento alimentar.

As perdas de culturas já foram mais de 30 % superiores às tendências previstas na última década, segundo o EPRS. Esta evolução pode provocar inflação prolongada nos preços dos alimentos.

Captações totais de água por setor económico entre 2000-2009, 2010-2019 e 2020-2023 na UE27.

21 % das captações totais destinam‑se ao abastecimento público. É aqui que os cidadãos sentem mais o impacto da escassez, quando os governos nacionais limitam o uso de água em atividades como lavar, higiene, cozinhar ou regar jardins.

As restrições atingem com mais força as regiões mediterrânicas, já que os turistas aumentam o consumo de água entre 300 e 2 000 litros por pessoa e por dia, face aos 125 litros dos residentes, segundo a EEA.

A produção industrial consome 14 % da água total na UE. A escassez perturba setores intensivos em água, como o aço, o papel ou a indústria alimentar, levando a paragens de atividade.

Estas interrupções reduzem os lucros das empresas, dificultam o pagamento de empréstimos e podem gerar instabilidade no sistema bancário. O Banco Central Europeu concluiu que 34 % dos créditos concedidos a empresas na área do euro financiam setores intensivos no uso de água.

Em números

  • A Alemanha lidera, com 9 mil milhões de euros por ano, seguida de França, com
  • 6,5 mil milhões, enquanto a Eslovénia investe apenas cerca de 100 milhões

Fontes

Informação baseada em material público de Euronews PT, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Euronews PTlink

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