Enquanto a guerra no Irã mantém o Estreito de Ormuz sob tensão, seus efeitos são sentidos muito além do Oriente Médio.
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Washington afirma que o avanço da influência chinesa na região representa um risco para o comércio internacional e para a segurança global.
Pequim rejeita as acusações e sustenta que os EUA utilizam esse argumento para justificar uma presença cada vez mais ampla no entorno da hidrovia.
Sua posição estratégica permite que navios evitem a longa e muitas vezes perigosa rota ao redor do Cabo Horn, no extremo sul da América do Sul, reduzindo significativamente o tempo de viagem e os custos do transporte marítimo.
Essa dependência torna a operação especialmente vulnerável a períodos de estiagem. Quando os níveis de água caem, as autoridades podem impor restrições ao calado das embarcações, limitando a quantidade de carga transportada e reduzindo a capacidade de tráfego da rota.
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Com a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente, tornando-se mais incerta em razão do conflito, compradores asiáticos passaram a recorrer com mais frequência ao petróleo bruto e aos combustíveis refinados produzidos na Costa do Golfo dos Estados Unidos.
Ormuz é um ponto crítico para o fluxo global de energia. O Panamá é um elo fundamental na cadeia de suprimentos da maior economia do mundo. Ambos têm importância estratégica.
Segundo o órgão, a decisão reflete a diminuição das chuvas e a maior variabilidade climática observada nos últimos anos, associada a fenômenos como o El Niño.
As medidas lembram a severa seca de 2023, quando a queda do nível da água levou à adoção de restrições semelhantes, provocando longas filas de navios e transtornos às cadeias globais de abastecimento.
O processo foi concluído em 31 de dezembro de 1999, quando o país assumiu o controle total da via.
Quais são as preocupações dos EUA em relação à China.
Por décadas, a CK Hutchison, conglomerado sediado em Hong Kong, administrou os portos de Balboa e Cristóbal, localizados nas duas entradas da hidrovia, por meio de sua subsidiária Panama Ports Company.
As tensões aumentaram no início deste ano, quando a Suprema Corte do Panamá considerou inconstitucional a estrutura jurídica que sustentava a concessão portuária da CK Hutchison.
Nem todos concordam com essa avaliação. Jorge Heine, professor honorário do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, classifica a controvérsia como "totalmente injustificada.
Ele ressalta que a presença da CK Hutchison nos portos panamenhos remonta a 1997, poucos meses antes da transferência de Hong Kong para a soberania chinesa.
Ainda assim, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem afirmado repetidamente que a China exerceu influência excessiva sobre o Panamá e chegou a sugerir que Washington poderia retomar o controle da hidrovia, uma ideia rejeitada de forma categórica pelo governo panamenho.
O governo americano também acusa Pequim de retaliar por meio do aumento das inspeções sobre embarcações registradas sob bandeira panamenha que atracam em portos chineses.
Em abril, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, classificou as acusações como "totalmente infundadas" e acusou Washington de politizar a questão.
O governo panamenho, por sua vez, tem buscado se manter à margem da disputa. O presidente José Raúl Mulino reiterou diversas vezes que a hidrovia pertence ao Panamá e descreveu sua neutralidade como "a única e melhor defesa" diante de ameaças tanto específicas quanto globais.
O que levou a disputa a um ponto crítico.
Há anos, Washington acompanha com preocupação os investimentos chineses em infraestrutura estratégica e a crescente influência de Pequim, não apenas no Panamá, mas em toda a América Latina.
Devido à guerra no Oriente Médio e à instabilidade no Estreito de Ormuz, a pressão sobre o Panamá aumentou, e as tensões entre China e Estados Unidos se intensificaram", afirma Heine.
Pérez concorda. "Estamos vendo um roteiro semelhante se repetir várias vezes, seja em Ormuz ou no Mar Vermelho", diz. "Disputas em torno de vias navegáveis estratégicas acabam se transformando em palcos para rivalidades geopolíticas mais amplas.
Nesse contexto, países de pequeno e médio porte que controlam gargalos do comércio global, como Panamá, Iêmen e os Estados do Golfo, frequentemente acabam arcando com os "custos gerados por disputas entre potências muito maiores, com capacidade limitada de se manter à margem delas", conclui Pérez.
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