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Ceuta começa a enterrar imigrantes não identificados; túmulos receberam apenas números

18 migrantes foram sepultados em um cemitério muçulmano na sexta-feira (21). Os corpos dos homens foram enterrados voltados para Meca, e as sepulturas receberam

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Ceuta começa a enterrar imigrantes não identificados; túmulos receberam apenas números

A cidade espanhola de Ceuta começou a enterrar os imigrantes que morreram tentando entrar no território, há três semanas. Os mortos, cujas identidades são desconhecidas, estavam entre os mais de 90 imigrantes que perderam a vida durante a mais mortal crise de fronteira da Espanha.

Impulsionadas por desinformação, pobreza e falta de oportunidades, mais de 72 mil pessoas chegaram a Ceuta no final de julho.

👉 Ceuta é um território espanhol separado geograficamente do restante da Espanha. A cidade fica no Norte da África e faz fronteira com o Marrocos. Veja mapa ao final desta reportagem.

Veja momento em que imigrantes do Marrocos chegam a nado em Ceuta, cidade da Espanha.

Ceuta enterrou 18 imigrantes em um cemitério muçulmano na sexta-feira (21). Durante o sepultamento, um líder religioso islâmico fez orações e entoou cânticos religiosos.

A expectativa é que mais migrantes sejam enterrados em breve.

A ONG Associação Marroquina de Direitos Humanos pediu que os enterros em Ceuta fossem suspensos até que todos os esforços possíveis fossem feitos para identificar os corpos e repatriá-los ao Marrocos, país de origem da maioria dos imigrantes que realizaram a travessia.

Muitos dos que morreram se afogaram ou foram mortos em um tumulto durante a tentativa de atravessar uma barreira próxima a um posto de controle fronteiriço.

Em comunicado, a ONG pediu ao Ministério das Relações Exteriores do Marrocos que garantisse que “os corpos sejam devolvidos às famílias para que possam ser enterrados com dignidade”.

A entidade classificou os enterros em Ceuta como uma "nova tragédia humana", somando-se ao "desastre do deslocamento forçado e das pessoas desaparecidas.

Um porta-voz do governo local de Ceuta afirmou na semana passada que a documentação para repatriação dos corpos estava concluída, mas que o governo marroquino ainda não a havia aceitado.

O Ministério das Relações Exteriores do Marrocos não respondeu às perguntas da agência de notícias Associated Press sobre os enterros iniciados nesta sexta-feira em Ceuta nem às alegações de que estaria bloqueando a repatriação de corpos de migrantes identificados.

Embora a maioria das pessoas que entrou em Ceuta no fim de julho tenha retornado quase imediatamente ao Marrocos, autoridades locais afirmam que até 10 mil migrantes, incluindo mulheres e crianças, ainda podem estar na pequena cidade espanhola.

O governo central da Espanha cita um número menor, em torno de 5 mil pessoas.

Autoridades marroquinas e espanholas atribuíram a imigração em massa a rumores espalhados nas redes sociais e a redes de tráfico de pessoas. Já os próprios imigrantes apontaram o desemprego e os baixos salários como motivos para empreender a viagem.

Todos os enterrados na sexta-feira eram homens, afirmou Said Mohammed, gerente interino do cemitério. Os túmulos foram identificados com pedras numeradas, caso familiares venham a reivindicar os corpos no futuro.

Segundo a tradição islâmica, o corpo é colocado na sepultura voltado para Meca, como ocorreu com os migrantes enterrados em Ceuta.

Em números

  • Impulsionadas por desinformação, pobreza e falta de oportunidades, mais de 72 mil pessoas chegaram a Ceuta no final de julho
  • O governo central da Espanha cita um número menor, em torno de 5 mil pessoas

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

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