Pela primeira vez, os brasileiros residentes na França terão uma nova opção de local de votação nas eleições brasileiras. Além de Paris, os eleitores terão a opção de Marselha, segunda maior cidade francesa e sede, desde 2024, de um segundo consulado-geral do Brasil.
A novidade atende a uma demanda antiga da comunidade brasileira instalada no sul do país europeu.
Segundo a cônsul-geral do Brasil em Marselha, Vera Cíntia Alvarez, os preparativos para a realização do pleito estão em fase avançada.
Já há quase um mês estamos fazendo os cursos que o Tribunal Superior Eleitoral nos disponibiliza e já recebemos parte das urnas. Estamos muito entusiasmados e contentes com esse momento de reunir a comunidade brasileira aqui no nosso consulado", afirmou.
De acordo com a cônsul, 2. 669 eleitores estão inscritos para votar na nova zona eleitoral. A expectativa é receber entre 1. 300 e 1. 500 votantes.
Geralmente as pessoas se inscrevem, mas depois a vida vai acontecendo e acaba aparecendo cerca de 50% dos inscritos", explicou.
Para atender os eleitores, serão instaladas sete seções eleitorais, com quatro urnas eletrônicas. Ao todo, 24 mesários e agentes eleitorais atuarão no dia da votação.
Também há muita gente que chega até nós querendo colaborar de alguma forma", destacou Alvarez.
A criação da zona eleitoral em Marselha foi recebida com entusiasmo pela comunidade brasileira da região. Segundo a cônsul, muitos eleitores comemoram a possibilidade de exercer o direito ao voto sem precisar se deslocar até a capital francesa.
Uma das beneficiadas pela mudança é a professora de português Fabiana de Albuquerque, que mora em Nîmes, na região da Occitânia, há dez anos. Para ela, votar em Marselha representa uma economia significativa de tempo e dinheiro.
É muito mais prático, muito mais rápido e até mais econômico, porque eu posso ir de trem ou de carro. O trem de Nîmes para Paris é bem mais caro do que ir a Marselha", relatou.
Para mim é muito importante, não só como cidadã brasileira que vive fora. É um poder e uma conquista tardia na nossa história enquanto República, pois nós mulheres votamos há pouco tempo.
É muito importante porque garante o nosso direito e a nossa cidadania", afirmou.
Além do aspecto político, ela destaca o caráter de confraternização que costuma marcar os dias de eleição entre os brasileiros que vivem na França.
A gente espera esse dia ansiosamente, porque é um reencontro da brasilidade. Nos anos anteriores, quando íamos a Paris, sempre tinha amigos tocando música brasileira, amigas vendendo comida brasileira.
Era muito festivo, muito alegre, e estamos com a mesma expectativa para Marselha em outubro, de reencontro de todo mundo que mora no Sul", contou.
Fabrício Pereira, marido de Fabiana, também inscrito para votar em Marselha, acredita que a descentralização da votação facilitará a participação dos eleitores.
Isso garante que a gente tenha maior facilidade de votar nos dois turnos. É mais fácil de locomoção e talvez também na questão das filas. Na eleição anterior, a fila estava enorme, com quatro a cinco horas de espera", lembrou o professor e engenheiro hospitalar baseado no Centro Hospitalar Universitário (CHU) do Hospital Caremeau, de NÎmes.
Para ele, o exercício do voto mantém o vínculo dos brasileiros no exterior com a vida política do país.
É a forma como a gente consegue de opinar sobre os próximos dirigentes. Infelizmente, aqui na França, é somente a eleição para presidente. Mas ainda assim ela é importante, é fundamental porque isso mantém alguma identidade nacional e algum tipo de atuação na política nacional brasileira", avaliou.
A votação ocorrerá nas instalações do consulado-geral do Brasil em Marselha, localizado na Avenida Robert Schuman, nº 56, próximo à Place de la Joliette. Segundo Vera Cíntia Alvarez, a estrutura do local permitirá receber os eleitores com conforto.
É um imóvel bastante grande e nós temos corredores para fazer fila, salas amplas para poder abrigar até duas seções, se for necessário. Venham votar, porque vai ser uma grande festa cívica e democrática", convidou.
A Justiça Eleitoral lembra que os dois turnos são considerados eleições independentes. Assim, o eleitor que não votar no primeiro turno poderá participar normalmente do segundo.
O voto é obrigatório para brasileiros aptos a votar, inclusive no exterior. Quem não comparecer deverá justificar a ausência para evitar pendências junto à Justiça Eleitoral.
A justificativa pode ser feita pelos canais digitais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia da votação ou até 60 dias após cada turno.
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