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Avalanche no Himalaia: por que resgate após deslizamento é muito mais complexo do que em terremotos?

Área atingida pela tragédia é instável, extensa e de difícil acesso. Entenda dificuldades enfrentadas pelas equipes de socorro.

4 min de leitura
Avalanche no Himalaia: por que resgate após deslizamento é muito mais complexo do que em terremotos?

Por que resgate no Nepal e no Tibete é mais dificil do que em Brumadinho? Entenda.

Lista completa

  • Janela de oportunidade para encontrar sobreviventes praticamente nula.
  • Deslocamento dos corpos e dos pontos de referência.

Dias após a avalanche que deixou centenas de mortos e desaparecidos no Nepal e no Tibete, equipes de emergência do Nepal conseguiram socorrer 350 pessoas que haviam se abrigado num túnel em construção de uma hidrelétrica durante a tragédia.

Os sobreviventes tiveram a sorte de encontrar um abrigo antes de serem atingidos pela enxurrada, mas as cenas de resgates dramáticos devem se tornar mais raras daqui em diante.

A atuação das equipes de socorro em grandes deslizamentos é mais complexa do que em terremotos. E, muitas vezes, há pouco o que se fazer para salvar vidas.

Ao contrário da janela de oportunidade de 72 horas calculadas a partir de terremotos, a expectativa de vida de vítimas de deslizamentos é de menos de 15 minutos, e a maioria dos resgatados com vida são aqueles que se encontram na borda da área do desastre.

É muito provável também que parte dos corpos não seja retirada ou nem mesmo localizada.

Entenda, a seguir, as dificuldades das equipes de buscas no Tibete e no Nepal, e por que a operação é ainda mais complexa do que nos casos de terremotos.

No caso de terremotos, as equipes de resgate trabalham num período de 72 horas após a tragédia quase exclusivamente focados em encontrar sobreviventes. Apesar das dificuldades, vítimas presas em estruturas podem ficar presas em bolsões de ar e até receber água da chuva, a depender das circunstâncias, enquanto aguardam a retirada dos escombros.

Essa janela praticamente inexiste em deslizamentos. A grande maioria das vítimas é atingida por uma massa de água, lama e detritos, incluindo carros, árvores e até casas.

Poucas estruturas resistem com a vedação intacta, criando as bolhas de ar essenciais para a manter pessoas vivas.

Segundo um estudo publicado na revista científica "Jama" que analisou taxas de sobrevivência em avalanches na Suíça entre 1981 e 2020, as vítimas têm uma janela de 10 a 15 minutos antes de sofrer uma asfixia aguda, sendo que a privação crítica de oxigênio se inicia severamente logo após os primeiros 10 minutos.

Registros de sobreviventes após dias são raros e acontecem quase que exclusivamente na periferia do fluxo de detritos. E, mesmo que a pessoa esteja abrigada em um local vedado, a sobrevivência é quase nula se ela estiver a mais de seis metros de profundidade, pela dificuldade das equipes chegarem ao estrato em tempo hábil.

Ao contrário de um terremoto, as vítimas podem se deslocar por quilômetros quando ocorre um deslizamento — além disso, as próprias construções podem ser destruídas e ter seus escombros espalhados, obliterando as referências da área afetada.

Enquanto equipes em áreas de tremores têm um mapa com os quais trabalhar, e às vezes até condições de mapear quais os locais das construções onde há mais chances de se encontrar pessoas presas, os resgates em áreas de deslizes são feitos em locais desfigurados.

As equipes de resgate não deverão iniciar os trabalhos nas regiões mais críticas até que o terreno esteja estabilizado, e os sistemas de alerta, instalados. Esses procedimentos são essencias para evitar uma tragédia ainda maior e e riscos para os profissionais.

Tipicamente, encostas onde ocorrem deslizamentos perdem vegetação e continuam propensas a novos desmoronamentos.

Além disso, o perímetro da tragédia é tomado por um lamaçal que dificulta o avanço dos profissionais nos primeiros dias após a avalanche, que precisam colocar pranchas de madeira para explorar o terreno.

No caso da avalanche no Nepal e no Tibete, muitas das estradas que levam às cidades e vilarejos atingidos foram arrastadas pela correnteza. Isso impõe um desafio logístico às equipes, que precisam trabalhar com rotas alternativas para estabelecer cadeias de suprimentos.

Com o material do deslizamento assentado, a escavação e exploração dos escombros é muito mais difícil do que no caso de um terremoto, por exemplo. Isso torna o trabalho de recuperação dos corpos mais demorado, e os deixa mais expostos à degradação física e à decomposição.

Isso também faz com que, ainda que um corpo seja localizado, seu resgate seja mais difícil ou até mesmo inviável.

Mesmo que as equipes de resgate identifiquem a localização de uma vítima, ela pode estar profundamente presa em lama compactada, cercada por rochas, troncos de árvores e materiais estruturais.

Fontes consultadas

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