A maior parte das denúncias de antissemitismo registradas no Brasil em 2025 ocorreu na internet, segundo levantamento da Confederação Israelita do Brasil (Conib).
A entidade registrou 989 ocorrências no ano passado, ante 397 em 2022 —um salto de 149%. O pico foi registrado em 2024, um ano após o ataque do Hamas a Israel e o início da guerra em Gaza, com 1.
788 casos registrados. Para a Conib, o recuo não representa alívio, mas uma estabilização do antissemitismo em patamar elevado.
De acordo com o relatório mais recente, cerca de 80% dos casos ocorreram em plataformas digitais. O monitoramento da Conib também identificou 115. 970 menções classificadas como antissemitas, com alcance potencial estimado em 66 milhões de pessoas.
É nesse cenário que a Conib lançou o projeto "Decodificando o Antissemitismo", que inclui um atlas ilustrado sobre símbolos de ódio. A plataforma reúne mais de 2.
000 imagens, além de podcasts e videoaulas. A proposta é mostrar como estereótipos construídos historicamente reaparecem em formatos contemporâneos.
Para a antropóloga Anelise Fróes, uma das autoras do Atlas, a dificuldade está justamente em reconhecer o preconceito quando ele deixa de ter uma aparência imediatamente identificável.
Uma piada ou um meme podem carregar referências antissemitas imperceptíveis para quem desconhece a história desses estereótipos.
O Atlas aproxima imagens antigas de representações contemporâneas para evidenciar essa continuidade.
A internet amplia esse repertório antigo ao combiná-lo a linguagens próprias das redes. O antissemitismo reaparece em montagens, referências irônicas ou expressões cujo significado depende do contexto —os chamados dog whistles (apitos de cachorro).
A advogada Lilia Frankenthal, autora do recém-lançado "O Antissionismo Impossível" (Uiclap) e presidente da Fundação Aviva18, atua em processos judiciais e denúncias criminais sobre o tema.
Para ela, parte do obstáculo está no desconhecimento de juízes, promotores e delegados sobre referências históricas e linguagens veladas de discriminação.
O preconceito hoje não vem necessariamente com suástica, bandeira nazista ou gritaria nas ruas. É um antissemitismo velado, um racismo que não foi ensinado na faculdade de direito", pontua Frankenthal.
Ela relata situações em que magistrados tiveram dificuldade para compreender por que determinada publicação constituía antissemitismo. O desafio cresce quando a mensagem não contém insultos explícitos, mas recorre a códigos.
Em números
- 970 menções classificadas como antissemitas, com alcance potencial estimado em 66 milhões de pessoas
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