A ofensiva dos houthis do Iêmen avançou nesta sexta-feira (11) rumo ao controle do estratégico estreito de Bab el-Mandeb, porta de acesso ao sul do mar Vermelho.
Os rebeldes apoiados pelo Irã tomaram mais uma cidade e uma ilha importante para o controle do tráfego marítimo na região.
Além disso, imagens de satélite mostraram uma grande coluna de fumaça subindo no oleoduto que liga os campos produtores de petróleo saudita no leste da península Arábica ao porto de Yanbun, no mar Vermelho.
A operadora estatal Aramco não confirmou a natureza do incêndio, mas se for um ataque houthi, a principal rota de desvio do óleo bloqueado pela saída marítima do Golfo Pérsico, no estreito de Hormuz obstruído pelo Irã, pode estar comprometida.
O avanço houthi começou nesta semana, com a chegada das forças rebeldes a Mokha, principal porto da província de Taiz, na costa que dá acesso ao estreito. Nesta sexta, eles foram a sul e tomaram Dhubab e a ilha de Perim, a maior da região.
Na manhã da sexta, os houthis acusaram forças sauditas de bombardear o aeroporto de Mokha, e depois houve relatos de que seis mísseis atingiram a cidade. Não há confirmação independente disso.
Segundo o governo do Iêmen, expulso da capital Sanaa pelos houthis em 2014, suas forças deixaram as áreas atacadas para se reagrupar. À agência Reuters, autoridades baseadas no porto de Áden (sul) disseram que haverá uma contraofensiva.
Pode ser. Mas, no momento, a iniciativa está com os houthis, que desde 2022 viviam em um cessar-fogo informal na guerra civil do país. O governo é apoiado pela Arábia Saudita e venceu no começo do ano a dissidência que recebia suporte dos Emirados Árabes Unidos, que dominava Áden e parte do sul iemenita.
Desde julho, quando os governistas pró-Riad impuseram um bloqueio aéreo a Sanaa, os houthis que controlam o oeste do Iêmen reativaram a guerra. Ataques pontuais a cidades sauditas com mísseis se multiplicaram, e nesta sexta surgiu a imagem do oleoduto em chamas.
Os houthis já haviam decretado, ainda em julho, um bloqueio ao comércio naval saudita no mar Vermelho, mas o fechamento do Bab el-Mandeb não foi tão eficaz quanto o de Hormuz pelo Irã porque os rebeldes estavam posicionados mais ao norte do estreito.
Com isso, podiam atingir navios com seus mísseis e drones, mas a distâncias maiores do que poderão se estiverem estabelecidos na ilha de Perim, por exemplo.
Apesar de terem uma agenda própria em relação aos aliados e patrocinadores de Teerã, se controlarem de fato o estreito os houthis darão ao Irã uma carta de barganha forte quando a teocracia tenta negociar um fim do conflito iniciado por Donald Trump em fevereiro.
O presidente americano diz que a guerra, ora em banho-maria, irá acabar depois das eleições legislativas de novembro nos EUA. Mas nada indica que isso vá ocorrer, ainda que iranianos estejam sendo pressionados por ataques pontuais e novas sanções econômicas.
A pressão sobre o preço do petróleo, motivo de crítica nos EUA a Trump, arrefeceu um pouco nesta sexta após reportagem do jornal britânico Financial Times indicar que há uma movimentação diplomática de países do Oriente Médio para tentar mediar um acordo para retomar o trânsito em Hormuz.
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