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Mato Grosso do Sul Revisado por ULTRA AI

Uma cidade servida à mesa: os sabores que ajudaram a construir Campo Grande

De receitas trazidas por imigrantes a pratos do cotidiano, a gastronomia revela a mistura de culturas que acompanha a história da Capital

5 min de leitura
Uma cidade servida à mesa: os sabores que ajudaram a construir Campo Grande

A gastronomia da Cidade Morena nasceu desse encontro. A influência indígena se mistura às tradições pantaneiras e aos costumes trazidos por imigrantes e migrantes de países como Paraguai, Itália, Bolívia e Líbano.

O resultado aparece no cotidiano: são sabores que atravessaram fronteiras, chegaram à cidade e, em muitos casos, deixaram de ser vistos como comida estrangeira para se tornar parte da própria memória local.

Se um turista visitar a cidade e perguntar: Qual a comida típica daqui? Quase certo que a maioria dos campo-grandenses vai responder que é o sobá. Não está errado, entretanto, a pluralidade gastronômica que existe atualmente na cidade permite que essa resposta seja outra.

Essa diversidade pode ser percebida em estabelecimentos que atravessaram gerações e acompanharam o crescimento da cidade. Entre eles estão o Thomaz Lanches, tradicional casa de esfihas árabes, e a Cantina Romana, que há quase cinco décadas mantém a culinária italiana entre seus principais pilares.

A história do Thomaz começa antes mesmo da abertura da primeira loja. José Thomaz Filho, atual responsável do estabelecimento, conta que sua família chegou em Campo Grande ainda na década de 30.

A família estava entre os árabes e libaneses que vieram para a região em um período marcado pelo desenvolvimento da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

Depois de passar por diferentes negócios, a família encontrou na culinária uma nova possibilidade. A iniciativa partiu do pai, que propôs à esposa, descendente de libaneses e conhecedora da culinária árabe, que começasse a produzir alimentos para venda.

As primeiras opções eram esfihas e pastéis. Com o passar dos anos, o cardápio cresceu, incorporando diferentes pratos da culinária árabe. O negócio também passou a reunir novas gerações da família.

A trajetória do restaurante também se confunde com a própria transformação da cidade. O estabelecimento permanece na mesma região desde a chegada da família, há mais de 90 anos.

A história da Cantina Romana começou algumas décadas depois, mas também se desenvolveu paralelamente ao crescimento de Campo Grande. Em 16 de dezembro de 1978, o estabelecimento abriu as portas na Rua Rui Barbosa com uma proposta menor e um nome diferente: Boutique Gastronômica.

O atual gestor do restaurante, Tommy Menegazo, conta que a ideia inicial era oferecer comida italiana preparada de maneira caseira, com massas frescas e receitas de família.

O movimento aumentou e, pouco a pouco, a pequena loja deu lugar ao restaurante que se tornou conhecido na cidade.

Quase 48 anos depois, a Cantina acompanhou diferentes fases de Campo Grande. A cidade cresceu, novos estabelecimentos surgiram e os hábitos dos consumidores mudaram.

Mesmo diante das transformações, o restaurante procurou preservar características que considera fundamentais para sua identidade.

Essa permanência também aparece na relação com os clientes. Ao longo das décadas, algumas famílias passaram a frequentar o restaurante por gerações.

Mais do que uma relação comercial, a casa passou a fazer parte da memória de quem vive na cidade.

Sabores que atravessaram fronteiras.

As histórias do Thomaz Lanches e da Cantina Romana representam apenas uma parte da diversidade que pode ser encontrada na mesa campo-grandense. A influência paraguaia é outro exemplo marcante dessa mistura cultural.

A proximidade com o Paraguai e a presença histórica de paraguaios e seus descendentes em Mato Grosso do Sul ajudaram a incorporar ao cotidiano pratos típicos do país, como a chipa e a sopa paraguaia.

A chipa, preparada tradicionalmente com polvilho e queijo, aparece em padarias, lanchonetes, feiras e nas mesas das famílias. Já a sopa paraguaia, apesar do nome, é um alimento sólido, semelhante a um bolo salgado, preparado à base de milho, queijo, cebola e outros ingredientes.

Esses sabores atravessaram a fronteira e, com o tempo, passaram a fazer parte da rotina dos moradores de Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, essa presença pode ser percebida até mesmo nos cafés da manhã oferecidos por hotéis da cidade.

Um levantamento realizado pela Prefeitura de Campo Grande em 2025 mostrou que, entre 71 hotéis catalogados, 35 ofereciam algum tipo de iguaria regional no café da manhã.

A chipa e a sopa paraguaia estavam entre os alimentos mais presentes.

A influência paraguaia se junta a outras culturas que também deixaram marcas na gastronomia da Capital. A presença japonesa, por exemplo, ajudou a popularizar o famoso sobá, enquanto as comunidades árabe e italiana mantiveram suas receitas e tradições por meio de restaurantes e negócios familiares.

No fim, a gastronomia de Campo Grande não pode ser resumida a uma única receita ou origem. Ela é resultado de encontros de culturas.

E os restaurantes que permanecem abertos por décadas ajudam a contar essa história. No Thomaz, são três gerações que mantêm receitas aprendidas dentro da própria família.

Na Cantina Romana, quase meio século de portas abertas acompanhou a transformação da cidade e de seus moradores.

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Fontes

Informação baseada em material público de A Crítica, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • A Críticalink
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