Conselheiro Osmar Jeronymo apontou inadequações técnicas e risco de prejuízo aos cofres públicos do município.
A medida atinge quatro dos 18 lotes da Concorrência Eletrônica nº 8/2026. O conselheiro suspendeu o andamento dos lotes 1 e 11 e proibiu a Prefeitura de formalizar os contratos referentes aos lotes 4 e 9, que já haviam sido adjudicados e homologados pela prefeita Adriane Lopes (PP) em 24 de agosto.
008. 484,55. A homologação foi publicada no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) de 25 de agosto.
Já os lotes 1 e 11 não aparecem no termo de homologação. Segundo a área técnica do TCE-MS, a revisão desses dois itens repercute na solução técnica, nos quantitativos e no orçamento.
Por isso, os auditores recomendaram a revisão das planilhas orçamentárias, a republicação do edital e a reabertura do prazo para o envio de propostas.
Um dos principais questionamentos do TCE-MS envolve a espessura da camada de CBUQ (concreto betuminoso usinado a quente), material usado no revestimento asfáltico, prevista nos projetos dos lotes 4 e 9.
Conforme a análise técnica, a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) informou que considera a utilização padronizada da mistura asfáltica denominada “Faixa C”.
Nesse caso, a espessura mínima seria de 3,125 centímetros, arredondada para 3,2 centímetros. Apesar disso, os projetos dos dois lotes mantiveram uma camada de 3 centímetros.
A equipe técnica questionou se a Prefeitura pretende utilizar outra solução granulométrica, como a “Faixa D”, que permitiria espessuras menores. Caso contrário, os projetos estariam subdimensionados e em desacordo com a norma DNIT 031/2024-ES, segundo os auditores.
O setor especializado recomendou ainda que a Sisep defina formalmente a faixa granulométrica e a espessura mínima do asfalto antes da emissão das ordens de serviço.
Também orientou que as medições e os pagamentos sejam condicionados à apresentação de relatórios de controle de qualidade e resultados de ensaios laboratoriais.
O MPC-MS (Ministério Público de Contas) acompanhou os apontamentos técnicos e defendeu a suspensão dos quatro lotes para a realização dos ajustes necessários.
Ao conceder a medida cautelar, Jeronymo considerou que as indefinições e inadequações técnicas representam risco substancial de prejuízo aos cofres públicos. A medida permanecerá válida até uma nova deliberação do Tribunal.
A prefeita Adriane Lopes deverá ser intimada e terá cinco dias úteis para comprovar o cumprimento da decisão e se manifestar sobre os apontamentos. Em caso de descumprimento, poderá ser responsabilizada, obrigada a reparar eventual dano ao erário e multada em 1.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para solicitar esclarecimentos sobre a decisão e saber se o município pretende recorrer. O espaço segue aberto para manifestação.
Em números
- TCE-MS suspende quatro lotes de asfalto em licitação de R$ 188,5 milhões
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