Para Raíssa Cuevas Alves, de 22 anos, nascida e criada em Campo Grande, muitas dessas particularidades ficam mais claras quando ela conversa com alguém de fora.
A lista ainda inclui esperar capivaras atravessarem a rua, observar araras pela janela, passear aos domingos pelo Parque dos Poderes, levar cadeira de praia para conversar e apresentar o Mercadão a quem visita a cidade.
Poucas tradições representam tão bem Campo Grande quanto o tereré. De origem indígena e fortemente ligado à cultura sul-mato-grossense, a bebida de erva-mate com água gelada funciona tanto como alívio para o calor quanto como convite para uma conversa.
Raíssa prefere erva de menta ou limão-rosa. “É de fato minha bebida preferida do mundo”, conta.
José Basilio da Mata Filho, de 27 anos e também nascido em Campo Grande, vê o tereré principalmente como um momento de descanso. Ao falar sobre uma característica que percebe nos moradores quando está fora da cidade, ele aponta “o jeito fechado do campo-grandense”.
É uma fama que contrasta com alguns dos principais rituais locais. Se o morador pode parecer reservado em um primeiro contato, boa parte da convivência acontece justamente em pequenos grupos, nas calçadas, nos parques e nas rodas de tereré.
Um vocabulário com identidade própria.
As expressões também entregam quem é daqui. “Vô nada”, “rendeu” e “fica de boa” aparecem com naturalidade em conversas do cotidiano.
Raíssa escolheria uma frase curiosa para ensinar a um visitante: “Fulano nasceu embaixo de cachoeira”. Segundo ela, a expressão é usada para alguém que fala muito alto e nem percebe.
José tem outra expressão para apresentar aos turistas: “quando o sol esfriar”.
A frase significa deixar algo para o final da tarde, quando o calor diminui. Em uma cidade conhecida pelas temperaturas elevadas, a expressão acaba fazendo sentido sem precisar de grandes explicações.
Ele também cita “Nhanhá” como uma palavra bastante presente no vocabulário local. A expressão faz referencia a um bairro conhecido por ser violento e não muito seguro.
Campo Grande também é servida à mesa.
A identidade da Capital passa ainda pelos sabores. O sobá, de origem japonesa e trazido por imigrantes de Okinawa, ganhou características próprias na cidade e se tornou patrimônio cultural imaterial de Campo Grande.
A Feira Central é um dos endereços mais associados ao prato e se consolidou como ponto de encontro, comércio, artesanato e gastronomia.
Raíssa coloca sobá, chipa e sopa paraguaia entre suas comidas preferidas. A chipa, feita com polvilho e queijo, e a sopa paraguaia, que apesar do nome é uma preparação sólida à base de milho, queijo e cebola, mostram também a influência do Paraguai na culinária local.
José é direto ao escolher os favoritos: “Tereré e Pastel do Milton”.
Quando Raíssa fala sobre o que mais gosta em Campo Grande, a resposta vem sem hesitação.
Campo Grande é conhecida pela arborização e pelos grandes espaços verdes que fazem parte da rotina dos moradores. Parques como o das Nações Indígenas e o dos Poderes misturam áreas de lazer, vegetação e animais que já fazem parte da paisagem urbana.
Raíssa conta que o Parque das Nações sempre esteve presente na rotina da família.
Hoje, o costume continua, muitas vezes acompanhado pelo tereré aos domingos à tarde.
Se tivesse apenas um dia para apresentar Campo Grande a um amigo de fora, Raíssa começaria pelo café da manhã no Mercadão e por um passeio na região central. Depois, seguiria para a Avenida Bom Pastor no almoço.
À tarde, o destino seria o Parque das Nações Indígenas para tomar tereré. À noite, Feira Central para comer sobá.
José escolhe a Avenida Gury Marques como seu lugar preferido na Capital.
Os roteiros são diferentes, mas mostram como a relação com Campo Grande está muito ligada aos hábitos simples. Tomar tereré no fim da tarde, comer sobá, encontrar amigos no parque, observar araras e capivaras ou simplesmente esperar o calor diminuir antes de sair de casa.
Aos 127 anos, Campo Grande segue sendo reconhecida não apenas pelo que aparece no mapa, mas pelos costumes de quem vive nela.
Homologações incluem 21 vias no Complexo Lageado e 16 lotes em diferentes regiões; programa prevê mais de 80 km de intervenções.
Em números
- Luem 21 vias no Complexo Lageado e 16 lotes em diferentes regiões; programa prevê mais de 80 km de intervenções
Fontes
Informação baseada em material público de A Crítica, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.