Termo coloca no papel cooperação que levou recursos e voluntários estrangeiros ao hospital.
A associação mantenedora do Hospital São Julião formalizou nesta terça-feira (1º), em Campo Grande, uma parceria de 56 anos com a fundação italiana OASI/OMG. As instituições assinaram um termo de cooperação internacional durante as comemorações pelos 85 anos do hospital e pelos 95 anos da irmã Silvia Vecellio.
O documento oficializa pela primeira vez uma relação mantida desde a década de 1970.
O Hospital São Julião, em Campo Grande, formalizou nesta terça-feira uma parceria de 56 anos com a Fondazione O. A. S. I./O. M. G., da Itália, por meio de um termo de cooperação internacional.
O acordo registra pela primeira vez a relação mantida desde os anos 1970, quando voluntários italianos passaram a arrecadar recursos e a trabalhar nas reformas do hospital.
A cerimônia integrou as comemorações pelos 85 anos da instituição.
A parceria trouxe recursos e mais de mil voluntários da Itália para o São Julião ao longo das últimas cinco décadas. Engenheiros, arquitetos, médicos, enfermeiros e trabalhadores da construção participaram das reformas e de outras atividades na instituição.
Parte do dinheiro enviado ao hospital veio da venda de ferro-velho, papel e outros materiais recolhidos pelos voluntários italianos.
Presidente do São Julião, Carlos Melke explicou que a cooperação funcionou durante todo esse período sem um documento entre as duas organizações. Para ele, a assinatura reconhece uma atuação que ajudou a transformar a instituição.
O hospital deixou de ser uma unidade voltada exclusivamente ao isolamento de pessoas com hanseníase e ampliou os serviços de saúde.
Melke estima que mais de mil italianos tenham participado desse trabalho. Muitos vieram a Campo Grande para ajudar diretamente nas obras realizadas na área do hospital.
Segundo ele, havia profissionais especializados, mas também voluntários que assumiam tarefas simples na construção.
A colaboração começou quando o São Julião ainda carregava as características dos antigos leprosários criados no Brasil. Pessoas com hanseníase eram afastadas do convívio social e encaminhadas para instituições específicas.
O hospital de Campo Grande passou por reformas e ampliou gradualmente o perfil de atendimento.
Melke afirmou que o governo federal criou 35 unidades desse tipo durante a era Getúlio Vargas. Segundo ele, poucas conseguiram se adaptar à mudança no tratamento da hanseníase e permanecer em funcionamento como hospitais.
O presidente relaciona a continuidade do São Julião ao processo de transformação iniciado com apoio dos voluntários.
A cerimônia reuniu o governador Eduardo Riedel (PP), o prefeito de Turim, Stefano Lo Russo, além de representantes diplomáticos da Itália. A presença de Lo Russo também retomou um capítulo dessa cooperação.
O atual prefeito italiano trabalhou como voluntário no São Julião quando era jovem.
Lo Russo participou da Operação Mato Grosso e esteve nas frentes que auxiliaram na reforma da instituição. Cerca de 23 anos depois, ele voltou a Campo Grande como prefeito de uma das principais cidades italianas.
Na visita, defendeu a continuidade da parceria e a criação de projetos entre Turim e a Capital.
O prefeito citou inovação, meio ambiente e tecnologia entre os campos em que as duas cidades podem trocar experiências. Segundo ele, o próprio São Julião pode fazer parte dessa nova fase.
Turim e Campo Grande mantêm uma relação institucional como cidades-irmãs.
Riedel destacou o papel do hospital na rede de atendimento de Mato Grosso do Sul. O governador participou antes da assinatura do encontro institucional Brasil | Itália, também ligado à programação.
Ele afirmou que a aproximação pode ampliar a cooperação entre o Estado, Campo Grande e representantes italianos.
Carlos Melke também apontou a ampliação do hospital como uma das possibilidades para os próximos anos. Ele defende o uso da área disponível para formar um complexo de saúde com atendimento a pacientes de diferentes regiões do Estado.
A proposta, segundo o presidente, poderia envolver o São Julião e o Governo de Mato Grosso do Sul.
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