Santa Casa de Campo Grande é alvo de operação que apura desvios milionários no hospital.
- Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo da Santa Casa.
- Rinaldo Romano, diretor administrativo-financeiro.
- Paulo Guilherme Gutierre Mariosa, diretor de Finanças Adjunto.
- Monique Gregório, supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística.
- Mauricio Aparecido Benites, empresário.
A prisão da presidente e de parte da diretoria da Santa Casa, na última sexta-feira (11), ocorreu em meio a uma crise na prestação de serviços de saúde do hospital que, segundo a diretora técnica da instituição, Patrícia Berg, se arrasta há mais de um ano.
Conforme Patrícia, entre as medidas adotadas ao longo desse período estão a redução de cirurgias eletivas e a suspensão de atendimentos ambulatoriais, em razão da falta de insumos, materiais e medicamentos.
Os atrasos no pagamento de profissionais também seriam reflexo da instabilidade administrativa e financeira enfrentada pelo hospital, segundo a diretora.
Apesar das restrições, Patrícia afirmou que a Santa Casa mantém os atendimentos de urgência e emergência para pacientes de Campo Grande e de todo o Estado de Mato Grosso do Sul.
Patrícia Berg explicou que a redução da assistência já vinha ocorrendo antes das prisões. Segundo ela, os atendimentos ambulatoriais, que anteriormente recebiam mais de trezentas pessoas por dia, estão suspensos.
As cirurgias também sofreram uma redução significativa. Antes, eram realizados entre oitenta e cem procedimentos cirúrgicos diariamente. Atualmente, segundo a diretora técnica, o hospital opera com aproximadamente cinquenta a sessenta por cento de sua capacidade operacional.
Patrícia reforçou, no entanto, que as cirurgias de emergência continuam sendo realizadas no hospital.
Patrícia Berg também relatou que a Santa Casa enfrenta um período prolongado de dificuldades. Ela afirmou ter assumido a diretoria técnica em outubro do ano passado e que, desde então, o hospital tem atravessado momentos de instabilidade.
De acordo com a diretora, parte das dificuldades esteve relacionada ao pagamento de profissionais médicos contratados como pessoas jurídicas.
Ela relatou que, após períodos de retomada dos serviços, novos atrasos nos pagamentos voltaram a afetar o funcionamento da instituição, levando à redução dos atendimentos ambulatoriais.
Comitê de crise busca garantir serviços essenciais.
A diretora também explicou que um comitê de crise foi criado para acompanhar a situação e definir as prioridades da instituição.
Segundo Patrícia, as decisões relacionadas à gestão financeira e às tratativas com gestores devem ser esclarecidas pela diretoria corporativa.
Diretora garante funcionamento do hospital.
Após as prisões, a direção realizou uma reunião com o corpo clínico, chefes de serviços e coordenadores. A decisão foi manter os atendimentos de urgência e emergência e garantir a assistência aos pacientes dentro das possibilidades da instituição.
As prisões são preventivas e não representam condenação. O g1 não encontrou, até esta publicação, contato das defesas dos outros cinco investigados. O espaço segue aberto.
Para o Ministério Público, a diretora-presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, trabalhava para dificultar a fiscalização sobre os contratos fechados com o advogado Paulo da Cruz Duarte e com o empresário Maurício Benites.
A Operação Antidotum foi deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande e Dourados (MS) e Goiânia (GO).
A investigação também identificou suspeitas em contratos da Operadora Santa Casa Saúde, controlada pela associação. Segundo o Ministério Público, os contratos foram firmados com empresas do mesmo grupo econômico, cujo proprietário teria ligação com integrantes da diretoria do hospital.
O MPMS afirma ainda que contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido omitidos de órgãos de fiscalização, como o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.
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