Suspeita sequestra bebê para encobrir gravidez falsa em Campo Grande.
Mãe de três filhos que foram criados pelas avós, Suzilaine da Graça Costa fingiu estar grávida e, segundo a polícia, sustentou a mentira diante da família. Alex Melo de Abreu, marido dela, era foragido da Justiça após ser condenado a 11 anos e seis meses de prisão pela morte de uma adolescente em um acidente de trânsito.
Juntos, os dois são apontados pela Polícia Civil como suspeitos do sequestro da bebê Ayla Emanuelly, em Campo Grande.
A investigação concluiu que Suzilaine queria uma menina para apresentar como filha e tentar manter o casamento com Alex. Para isso, segundo a polícia, ela procurou gestantes que dariam à luz no mesmo período, se aproximou da mãe de Ayla antes do parto e conquistou a confiança da adolescente com doações de roupas e fraldas.
O plano terminou no Paraguai. Ayla foi sequestrada em 6 de agosto e encontrada três dias depois em uma casa em Pedro Juan Caballero, onde Suzilaine e Alex estavam.
Os dois foram presos suspeitos pelo sequestro. O g1 não encontrou as defesas dos suspeitos até a última atualização desta reportagem.
Mãe de três filhos que foram criados pelas avós.
Antes de planejar o sequestro de Ayla, Suzilaine já era mãe de três filhos, atualmente adultos. Segundo a Polícia Civil, porém, não foi ela quem os criou. Os filhos ficaram sob os cuidados das avós enquanto a mãe passou parte da infância e da adolescência deles presa.
A informação surgiu justamente quando a delegada foi questionada sobre por que Suzilaine queria outra criança mesmo já sendo mãe.
Levantamento feito pelo g1 encontrou 19 processos judiciais em nome de Suzilaine em Mato Grosso do Sul. Os registros têm naturezas diferentes e não significam que ela tenha sido investigada ou condenada criminalmente em todos eles.
Entre os registros está um caso relacionado a abandono de incapaz. Também há processos em que Suzilaine aparece como vítima, entre eles um registro de violência e uma medida contra um ex-companheiro.
Há ainda um processo relacionado a calúnia.
Anos depois, segundo a investigação, Suzilaine passou a sustentar uma nova história dentro da própria família: dizia estar grávida.
Marido matou adolescente e estava foragido.
Alex Melo de Abreu também tinha histórico criminal antes do sequestro. Ele foi condenado a 11 anos e seis meses de prisão, em regime fechado, pelo homicídio de uma adolescente no Amazonas.
Conforme reportagens publicadas na época, a adolescente morreu em um caso ocorrido no trânsito. Alex deixou o local sem prestar socorro.
Quando foi encontrado com Ayla no Paraguai, ele era considerado foragido da Justiça do Amazonas e, segundo a Polícia Civil, utilizava uma identidade falsa.
Alex e Suzilaine mantinham uma união estável.
Gravidez falsa e fim do relacionamento.
A investigação aponta que Suzilaine dizia a Alex e a familiares que estava grávida. Em determinado momento, o relacionamento dos dois chegou ao fim.
Suzilaine afirmou à polícia que havia perdido o bebê e passado por uma curetagem na Santa Casa. Os investigadores checaram a informação e não encontraram registro do procedimento.
Por isso, a polícia acredita que Suzilaine nunca esteve grávida. Familiares também relataram aos investigadores que a história sobre a gestação era sustentada havia algum tempo.
Segundo a delegada, foi nesse contexto que surgiu o plano de conseguir uma criança. A intenção, conforme a investigação, era apresentar uma menina como filha e tentar preservar o relacionamento com Alex.
A polícia descobriu que Suzilaine procurou outras gestantes que dariam à luz em período próximo. Havia, porém, uma característica específica: ela queria uma menina.
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Aproximação começou antes do nascimento.
Durante aproximadamente um mês, segundo a investigação, ela doou roupas e fraldas, visitou a casa da jovem e conquistou a confiança da família. Suzilaine chegou a oferecer um ensaio fotográfico para a bebê.
Nesse período, ela também dizia ter um bebê de seis meses. A adolescente chegou a acreditar que Suzilaine havia passado recentemente por uma cesárea. Depois, a polícia descobriu que a criança apresentada por ela como filha era, na verdade, sua neta.
Na véspera do sequestro, Suzilaine tentou fazer uma produção fotográfica com Ayla, mas a família não permitiu por causa do frio.
Segundo a investigação, Suzilaine havia criado até uma conta em um aplicativo de transporte no dia anterior. Um motorista buscou as duas adolescentes e Ayla e as levou até a casa usada no crime.
As irmãs foram mantidas no imóvel e depois abandonadas em uma área de mata. Suzilaine ficou com Ayla.
Antes de seguir para o Paraguai, a suspeita foi até a casa de uma das filhas. Lá, trocou a roupa de Ayla e colocou na bebê peças que, segundo a polícia, fizessem a criança parecer um menino.
Também trocou o bebê-conforto e seguiu em direção à fronteira.
Mesmo depois de ser encontrada no Paraguai, Suzilaine não admitiu à polícia a motivação apontada pela investigação.
Segundo a delegada, ela reconheceu que levou a criança, mas continuou sustentando que o sequestro estaria relacionado a uma dívida envolvendo drogas. Essa havia sido a história contada às duas adolescentes quando elas foram abandonadas.
Suzilaine também teria dito às vítimas que pessoas ligadas a facções estavam envolvidas e que elas não deveriam procurar a polícia porque poderiam ser mortas. A investigação descartou essa versão.
A Polícia Civil também descartou a participação da família de Ayla no crime e as hipóteses de venda da bebê e tráfico internacional de crianças. A polícia também confirmou que Suzilaine e Alex pretendiam permanecer no Paraguai com a criança.
Nota da defesa do terceiro suspeito preso pelo caso.
A defesa do homem responsável pelo imóvel onde a suposta sequestradora teria ficado para orquestrar o sequestro da bebê afirma que ele não tem absolutamente nenhuma relação direta com o crime, bem como não sabia e sequer imaginava os planos da mulher apontada pela polícia como sequestradora.
O homem é de família de pessoas honestas, é trabalhador, não possui antecedentes criminais (ficha completamente limpa), nunca se envolveu em confusão e está muito abalado com tudo isso.
Na ocasião dos fatos, apenas emprestou seu imóvel à mulher, conhecida, para realizar outras atividades, mas jamais imaginaria que a finalidade seria a prática de um crime, como também não acompanhou nada, não ficou sabendo e não se envolveu com nada, e todos os fatos do crime são totalmente desconhecidos para ele.
A defesa afirma que não se pode atribuir a culpa direta ao homem responsável pelo imóvel, uma vez que o mesmo, logo que emprestou a casa, pediu o imóvel de volta e retomou sua vida normal, pois não tinha conhecimento de nada do que a mulher estaria fazendo ou tramando.
Quando a polícia chegou ao imóvel, na manhã de sábado, o cliente estava tranquilo e respondeu a todas as perguntas dos policiais, confirmando o total desconhecimento dos fatos, mesmo porque, se tivesse noção ou conhecimento das coisas que estavam acontecendo, ele não teria motivos para ficar no imóvel e não estaria calmo.
Após ser preso, no depoimento na delegacia, ambiente totalmente desconhecido para ele, que nunca teve passagem pela polícia, o homem foi ouvido sem a presença da defesa (de advogados), mas agora, com a verdade dos fatos e a conclusão do inquérito, como também a ampla notícia na imprensa, é possível compreender perfeitamente que o homem preso injustamente não tem qualquer relação direta com o crime, e a defesa irá provar cada detalhe a partir de agora.
A defesa confia no trabalho das autoridades policiais, no bom senso e na Justiça, e afirma que está adotando medidas para restabelecer a liberdade do cliente a qualquer momento, uma vez que já foi explicado pela própria polícia como o crime ocorreu e as duas pessoas (casal) diretamente envolvidas estão presas.
A defesa afirma ainda que o cliente ficou muito feliz em saber que a bebê foi encontrada com saúde e segurança, e isso reflete o seu comportamento normal de uma pessoa de bem, trabalhadora e de família honesta.
Advogados Silvio Ranier e Dendry Rios.
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Fontes
Informação baseada em material público de G1 MS, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.