Santa Casa de Campo Grande é alvo de operação que apura desvios milionários no hospital.
- Alir Terra Lima, diretora-presidente da Santa Casa de Campo Grande.
- Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo da Santa Casa.
- Rinaldo Romano, diretor Administrativo Financeiro na Santa Casa.
- Paulo Guilherme Gutierre Mariosa, diretor de Finanças Adjunto da Santa Casa.
- Monique Gregório, supervisora Serviço de Arquivo Médico e Estatística da Santa Casa.
- Mauricio Aparecido Benites, empresário.
Conforme documento ao qual o g1 teve acesso, há suspeita de que Alir teria usado sua posição de comando para favorecer Paulo. Ainda segundo a investigação, Paulo atuava na área jurídica da operadora Santa Casa Saúde e, ao mesmo tempo, era proprietário de empresas contratadas pela própria instituição.
O documento também revela que as empresas de Paulo tinham como endereço imóvel ligado a Alir Terra e possuiam estrutura reduzida ou praticamente inexistente.
Segundo o MPMS, essas empresas passaram a concentrar serviços considerados estratégicos para a Santa Casa Saúde, como.
Parte desses pagamentos foi justificada por serviços prestados a uma filial em Dourados. No entanto, de acordo com o MPMS, não foram encontrados contratos que comprovassem os repasses.
Para os promotores, as movimentações reforçam a suspeita de que a dirigente recebeu vantagens financeiras ligadas ao esquema investigado. Alir Terra Lima foi alvo da operação Antidotum e está presa desde a última sexta-feira (11).
A defesa de Alir nega qualquer irrregularidade e disse estar indignada com as acusações e com a prisão.
O g1 não localizou Paulo Duarte até a última atualização desta reportagem.
O MPMS aponta ainda que além do repasse milionário ao sócio de Alir através da operadora Santa Casa Saúde, o esquema também usava fraudes em contratações de empresa para digitalização do acervo documental da própria Santa Casa.
Conforme o documento, o processo de contratação para a prestação do serviço tinha três empresas que eram propriedade do empresário Maurício Aparecido Benites, também preso na operação Antidotum.
O contrato previa a digitalização do acervo documental da Santa Casa. No entanto, auditorias identificaram que a quantidade de documentos efetivamente digitalizada foi muito inferior ao volume contratado.
De acordo com o MPMS, a conta bancária da empresa de digitalização era usada principalmente para receber e redistribuir recursos. Segundo a investigação os valores eram sacados rapidamente em espécie e parte do dinheiro era transferida para terceiros ligados ao grupo.
Grupo teria dificultado fiscalização.
O MPMS afirma, ainda, que o grupo também adotava medidas para dificultar a atuação dos órgãos de controle.
A investigação aponta que teriam sido omitidos contratos, notas fiscais, relatórios financeiros e demonstrativos contábeis e os documentos não foram enviados ao Conselho Fiscal do hospital, Controladoria-Geral do Estado (CGE) e Poder Judiciário.
Outra suspeita é que o grupo alterou cadastros de sete empresas, mudando os endereços antes ligados a Alir Terra, para outro local, após descobrirem que uma ação judicial havia revelado coincidências de que as empresas de Paulo Duarte funcionavam no mesmo endereço se au sócia, a presidente da Santa Casa.
Presos por suspeita de envolvimento no esquema.
Na sexta-feira (11) agentes do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriram seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Dourados, em Mato Grosso do Sul, além de Goiânia (GO), na operação Antidotum, que investiga o suposto esquema criminoso.
O g1 não localizou as defesas de Alessandro, Rinaldo Romano, Paulo Guilherme, Monique Gregório e Maurício Aparecido até a última atualização desta reportagem.
Em números
- Empresas ligadas a sócio de presidente da Santa Casa receberam R$9,6 milhões em 2025, aponta MPMS
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