O Jardim Pantanal, na Zona Leste de São Paulo, está há mais de 60 horas com ruas debaixo d’água. A chuva voltou a atingir a região nesta segunda-feira (14), e a água permanece nas vias desde sábado (12).
Muitos moradores tiveram que deixar suas casas. Outros estão ilhados e não conseguem trabalhar. O bairro, que há décadas enfrenta problemas com alagamentos no verão, agora passa a conviver com a situação durante o inverno.
A Escola Estadual Cristina de Castro Paes, a quase 3 km do bairro, virou abrigo para 12 famílias.
Para Érica Libano, moradora do Jardim Pantanal, deixar a região também traz preocupação com a segurança das casas.
No Jardim Pantanal vivem cerca de 45 mil pessoas. Muitas estão em áreas sujeitas a inundações do Rio Tietê, que contorna toda a região.
Em nota, a prefeitura de São Paulo informou que removeu 789 famílias de áreas de risco desde dezembro de 2025 pelo Plano Recupera Pantanal.
Equipes da SMSUB realizam o bombeamento da água nas ruas Serra do Grão Mongol, Tite de Lemos, Tietê, Antônio Dias Moura e Serra de Apodi. Após a drenagem, as vias serão limpas.
A obra do pôlder Jardim Pantanal está finalizada e o sistema de bombeamento foi acionado no último final de semana. Ele fica na Rua Tite de Lemos na Vila Seabra.
A região também conta com outro pôlder no Jardim Romano e um piscinão na Vila Itaim. As estruturas funcionam como um reservatório de amortecimento de cheias.
Euclides Mendes, líder comunitário, acompanha há anos as tentativas de reduzir os alagamentos no Jardim Pantanal e nos bairros vizinhos.
Segundo ele, obras estruturantes já ajudaram a resolver o problema em algumas regiões, como o Jardim Romano e a Vila Itaim.
A prefeitura começou a construção de um pôlder na Vila Seabra, vizinha ao Jardim Pantanal. A estrutura funciona como uma espécie de muro para conter a passagem da água.
🔍Um pôlder é uma porção de terrenos baixos e planos, usados como áreas alagáveis para que a água não invada regiões habitadas ou de plantio na agricultura. Comuns na Holanda, que é um país conhecido por estar no nível do mar, o pôlder é geralmente seguido por alguns diques, que impedem a passagem da água em situações de grande volume de chuvas.
A barragem, que havia sido prometida para 2023, ainda não ficou pronta.
Nesta segunda, uma bomba da Sabesp trabalhava havia mais de quatro horas para retirar a água de um ponto de alagamento perto do Parque Jardim Helena.
Uma mangueira laranja puxava a água do local, enquanto uma mangueira azul devolvia a água para o Rio Tietê. Como o nível do rio estava bastante elevado, a água bombeada dava a impressão de retornar por outro ponto.
O alagamento também prejudica o trabalho de quem depende das ruas para conseguir renda.
Enquanto a água permanece nas ruas, os próprios moradores tentam ajudar quem mais precisa. Em uma cozinha improvisada, voluntários preparam refeições com o que a enchente não levou.
O governo do estado afirmou que já retirou mais de 370 mil m³ de sedimentos do Rio Tietê para aumentar a capacidade de escoamento do rio na região do Jardim Pantanal.
Em números
- A Escola Estadual Cristina de Castro Paes, a quase 3 km do bairro, virou abrigo para 12 famílias
- No Jardim Pantanal vivem cerca de 45 mil pessoas
- O governo do estado afirmou que já retirou mais de 370 mil m³ de sedimentos do Rio Tietê para aumentar a cap
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