A Amazônia atua como uma infraestrutura hídrica natural, distribuindo água e formando chuvas na América do Sul. O desmatamento e queimadas comprometem esse sistema, podendo gerar impactos climáticos além da floresta.
- A Amazônia atua como uma infraestrutura hídrica natural, distribuindo água e formando chuvas na América do Sul.
- O desmatamento e queimadas comprometem esse sistema, podendo gerar impactos climáticos além da floresta.
- Pesquisadoras destacam o papel central da Amazônia nos ciclos de água, nutrientes e carbono em escala global.
- Evidências mostram que o desmatamento na Amazônia brasileira já reduz chuvas e aumenta secas em regiões do continente.
- Árvores podem morrer por falta de água devido a secas prolongadas, especialmente no arco do desmatamento.
- A Amazônia enfrentou a pior seca de sua história em 2024, afetando 88% da bacia e causando problemas em cidades fora da floresta.
- A perspectiva de um super El Niño preocupa cientistas, podendo agravar secas, incêndios e a emissão de gases.
- Reduzir emissões e recuperar áreas degradadas são medidas cruciais para evitar um ponto de não retorno na Amazônia.
Pesquisadoras destacam o papel central da Amazônia nos ciclos de água, nutrientes e carbono em escala global. Evidências mostram que o desmatamento na Amazônia brasileira já reduz chuvas e aumenta secas em regiões do continente.
Árvores podem morrer por falta de água devido a secas prolongadas, especialmente no arco do desmatamento. A Amazônia enfrentou a pior seca de sua história em 2024, afetando 88% da bacia e causando problemas em cidades fora da floresta.
A perspectiva de um super El Niño preocupa cientistas, podendo agravar secas, incêndios e a emissão de gases. Reduzir emissões e recuperar áreas degradadas são medidas cruciais para evitar um ponto de não retorno na Amazônia.
A Amazônia funciona como uma gigantesca engrenagem natural de distribuição de água pela América do Sul, retirando umidade do solo, devolvendo-a à atmosfera e ajudando a formar chuvas em diferentes regiões do continente.
Cientistas alertam, porém, que o avanço do desmatamento, das queimadas e de outras atividades já compromete esse sistema e pode provocar impactos muito além da floresta.
A pesquisadora Julia Valentim Tavares define a Amazônia como a principal infraestrutura hídrica da América do Sul e a maior “máquina de chuva” do planeta. Segundo ela, uma única árvore adulta pode liberar entre 200 e 300 litros de água por dia na atmosfera.
Esse processo ocorre quando a chuva é absorvida pela vegetação e parte da água retorna ao ar em forma de vapor. Transportada pelos ventos, a umidade percorre grandes distâncias e forma os chamados rios voadores.
O painel reúne mais de 350 cientistas dedicados ao estudo do bioma. “A Amazônia sustenta a vida, não só na região amazônica, mas no planeta como um todo”, afirmou Marielos.
As duas pesquisadoras participaram da última edição do TEDxAmazônia, realizada no fim de agosto, no Equador. Desmatamento já altera volume de chuva Segundo Marielos, atividades como mineração, narcotráfico, desmatamento e queimadas prejudicam a conexão entre os diferentes ecossistemas amazônicos.
Ela destaca que a Amazônia reúne áreas terrestres e aquáticas interligadas e comunidades que dependem diretamente desses ambientes para seus modos de vida. Os efeitos climáticos dessa transformação já podem ser medidos.
De acordo com a pesquisadora, há evidências de que o desmatamento na Amazônia brasileira reduz as chuvas em partes do Brasil e da Bolívia. Nas áreas desmatadas, as temperaturas aumentaram e os períodos de seca ficaram mais intensos e prolongados.
Árvores podem morrer por falta de água Julia estuda esses impactos no chamado arco do desmatamento, na borda sul da Amazônia, onde houve redução das chuvas e aumento das temperaturas na última década.
A pesquisadora investiga como as árvores respondem a períodos prolongados sem água. Ela compara o sistema interno que transporta água nas árvores a uma corda que permanece equilibrada quando há umidade no solo.
Durante secas intensas, a tensão aumenta e pode provocar falhas no transporte de água. “Se isso acontecer muitas vezes, em várias partes da árvore, essa árvore começa a literalmente morrer de sede”, explicou.
Seca de 2024 atingiu 88% da bacia Além da perda de vegetação, pesquisadores acompanham os efeitos do aquecimento global sobre a região. Em 2024, a Amazônia enfrentou a pior seca de sua história, associada ao El Niño, fenômeno de aquecimento das águas do Oceano Pacífico que altera a circulação atmosférica.
Segundo Marielos, 88% da Bacia Amazônica sofreu os impactos daquele período. Os efeitos chegaram a áreas fora da floresta. Bogotá, na Colômbia, enfrentou problemas de abastecimento de água, enquanto Quito, no Equador, registrou falta de água que contribuiu para cortes no fornecimento de energia elétrica.
A seca também deixou a vegetação mais vulnerável ao fogo, e as queimadas atingiram níveis recordes naquele ano. A fumaça chegou a percorrer o Brasil e alcançou a Região Sudeste.
Julia explica que secas intensas podem causar a morte de árvores, interromper o crescimento da vegetação e ampliar os incêndios. Nesse cenário, a floresta pode perder parte da capacidade de retirar carbono da atmosfera e passar a emitir mais gases, contribuindo para o aquecimento global.
Marielos afirma que a expectativa é de um evento tão forte quanto ou superior ao de 2024, mas lembra que, desta vez, os riscos estão mais conhecidos. Para ela, reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa é uma das medidas fundamentais para diminuir o problema, principalmente por meio da substituição dos combustíveis fósseis.
A pesquisadora também defende a recuperação de áreas degradadas e desmatadas para restabelecer a conexão entre diferentes partes da floresta. Segundo Marielos, a Amazônia se aproxima de um ponto de não retorno, e a perda dessa conectividade poderia provocar consequências ambientais em escala global.
Floresta influencia ciclos de água, carbono e nutrientes.
A copresidente do Painel Científico pela Amazônia, Marielos Peñaclaros, afirma que a floresta desempenha papel central nos ciclos de água, nutrientes e carbono em escalas local, regional e global.
Desmatamento já altera volume de chuva.
Segundo Marielos, atividades como mineração, narcotráfico, desmatamento e queimadas prejudicam a conexão entre os diferentes ecossistemas amazônicos. Ela destaca que a Amazônia reúne áreas terrestres e aquáticas interligadas e comunidades que dependem diretamente desses ambientes para seus modos de vida.
Os efeitos climáticos dessa transformação já podem ser medidos. De acordo com a pesquisadora, há evidências de que o desmatamento na Amazônia brasileira reduz as chuvas em partes do Brasil e da Bolívia.
Árvores podem morrer por falta de água.
Ela compara o sistema interno que transporta água nas árvores a uma corda que permanece equilibrada quando há umidade no solo. Durante secas intensas, a tensão aumenta e pode provocar falhas no transporte de água.
Possível super El Niño preocupa pesquisadores.
A perspectiva de ocorrência de um super El Niño neste ano aumenta a preocupação dos cientistas. Julia explica que secas intensas podem causar a morte de árvores, interromper o crescimento da vegetação e ampliar os incêndios.
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