Dirigido pela cineasta sul-mato-grossense Thauanny Maíra, de 26 anos, Chamas da Tradição acompanha a Aldeia Mãe Terra, da etnia terena, em Miranda, e transforma a relação entre território, fogo e memória em eixo da narrativa.
A aldeia existe desde 2005, quando 21 famílias participaram da retomada da área. Durante a pesquisa, a equipe inicialmente pretendia concentrar o filme nos incêndios, mas a história da própria comunidade ganhou espaço.
O documentário também mostra as respostas encontradas pelos moradores diante das queimadas. Desde 2020, brigadas voluntárias, inclusive com participação feminina, atuam para evitar que as chamas avancem até a chegada do Corpo de Bombeiros e do Prevfogo.
Outro projeto retratado é a Escola Quintal, que reúne moradores semanalmente para recuperar práticas, conhecimentos e costumes da cultura terena. Para o vice-cacique João Leôncio, o Kambu, o registro pode ajudar as novas gerações: “A importância desse documentário é que fica registrado para as crianças, que não vão conhecer mais [a história da comunidade], né.
Para a preservação da nossa identidade, da língua, dos artesãos, da espiritualidade.”.
As primeiras sessões já ocorreram no IFMS, no dia 21; na Aldeia Mãe Terra, no dia 22; e na UFMS, no dia 24. Uma exibição aberta ao público também está prevista para Campo Grande, ainda sem data anunciada, além de apresentações em escolas públicas e participação planejada em festivais.
Documentário coloca a Aldeia Mãe Terra no centro de uma história sobre território, queimadas e preservação da cultura terena.
Financiamento: o documentário recebeu recursos da Lei Complementar nº 195/2022, a Lei Paulo Gustavo, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, no Edital nº 09/2023.