0x O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, apresenta ao Conselho Nacional de Saúde, em Brasília, a experiência de Campo Grande na implantação do sistema de controle de medicamentos.
A Capital foi convidada a apresentar ao Conselho Nacional de Saúde a implantação do e-SUS Assistência Farmacêutica, o sistema que registra estoque, consumo e entrega de medicamentos na rede pública.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, Campo Grande foi o primeiro município do país a implantar a plataforma por inteiro, incluindo os medicamentos da atenção básica e os fornecidos por decisão judicial.
O sistema está nas 104 unidades da rede municipal. O cronograma previa três meses de trabalho, e a implantação terminou em 50 dias.
O que isso muda na farmácia do posto.
Até agora, cada farmácia da rede tinha o seu próprio controle, e a Secretaria só juntava as peças depois. Com o novo sistema, o remédio que entra e o remédio que sai passam a ser registrados no mesmo lugar, no momento em que a entrega acontece.
Na prática, isso permite saber quanto existe em estoque, quanto cada unidade consome, onde há divergência entre o que está no papel e o que está na prateleira e o que precisa ser reposto.
É a diferença entre ter cadernos espalhados por 104 endereços e ter um painel único que todo mundo enxerga ao mesmo tempo. Com isso, dá para remanejar medicamento de um posto que tem sobra para outro que está no fim do estoque, e comprar antes que o item acabe.
UPAs, unidades de Saúde da Família e CAPS receberam configurações diferentes no sistema, de acordo com o tipo de atendimento e o volume de medicamentos que cada uma movimenta.
O prazo que faz o resto do país correr.
O que dá dimensão nacional ao caso é uma regra publicada em junho. A Portaria 11. 585, do Ministério da Saúde, determinou a substituição do Hórus, o sistema usado até agora na assistência farmacêutica do SUS, pelo e-SUS AF, e deu 180 dias para que o antigo saia de operação.
O prazo termina em dezembro, e o descumprimento pode levar à suspensão de repasses federais ligados ao envio de dados às bases nacionais.
Ou seja, todos os municípios brasileiros vão ter que fazer o que Campo Grande já fez. A Capital começou a implantação em abril, ainda como projeto-piloto em duas unidades, o Leblon e as Moreninhas, dois meses antes de a portaria existir.
O painel que a Capital criou por conta própria.
Durante a implantação, os servidores perceberam que os relatórios que vinham prontos na plataforma não davam conta de tudo o que a gestão precisava enxergar. A saída foi integrar ao e-SUS AF uma ferramenta de Business Intelligence, o tipo de programa que transforma listas de dados em gráficos e indicadores de acompanhamento.
Com esse painel, a Secretaria acompanha em tempo real o número de pacientes atendidos, os medicamentos entregues, o consumo mensal, os estoques e as divergências.
Antes de tudo isso funcionar, a prefeitura precisou revisar cadastros, perfis de acesso, infraestrutura de dados e a integração com os sistemas que a rede já usava, além de capacitar as equipes das farmácias.
O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, apresentou a experiência em Brasília. “Quando conseguimos saber o que temos em estoque, o que está sendo dispensado, onde estão as necessidades e como os recursos estão sendo utilizados, estamos falando de gestão, mas também de cuidado com as pessoas”, afirmou.
O erro encontrado aqui virou correção lá.
A implantação também revelou falhas e pontos a ajustar na plataforma nacional. As observações das equipes de Campo Grande foram enviadas ao Ministério da Saúde e passaram a orientar melhorias no sistema que será usado pelos demais municípios.
Para o gerente de Projetos de Saúde Digital do Ministério da Saúde, Suetônio Queiroz, esse retorno das cidades ajuda a ajustar a tecnologia à realidade do atendimento.
O que o sistema resolve, e o que ainda não.
Em agosto, o próprio secretário reconheceu que falta medicamento em unidades da Capital e atribuiu parte do problema a licitações frustradas e a empresas que vencem a disputa com preço baixo e depois não entregam, um processo que pode levar meses para ser resolvido.
O sistema não compra medicamento nem obriga fornecedor a cumprir contrato. O que ele faz é mostrar mais cedo onde o estoque está acabando, o que dá à Secretaria mais tempo para agir antes que a falta chegue ao balcão.
A implantação acontece pouco depois de Campo Grande ter sido escolhida para adotar integralmente o e-SUS Regulação, a plataforma que organiza a fila de consultas, exames e outros procedimentos do SUS.
Na ocasião, a Capital foi a primeira cidade de grande porte do país a implantar a ferramenta e passou a capacitar equipes de 64 municípios de Mato Grosso do Sul.
Peça ao farmacêutico que registre a falta no sistema e pergunte se o item existe em outra unidade da rede. O registro é o que alimenta o painel usado pela Secretaria para repor e remanejar estoque.
Se a falta se repetir, o caminho é a Ouvidoria do SUS, pelo telefone 136, que funciona para todo o país e encaminha a reclamação ao município.
Informações sobre a implantação conforme a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande e o Ministério da Saúde. A lista de medicamentos disponíveis varia conforme a unidade e a Relação Municipal de Medicamentos.
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