O fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias e folga um, é apoiado por 78% dos brasileiros, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro.
O levantamento mostra que a proposta tem apoio majoritário entre diferentes grupos políticos, chegando a 96% entre eleitores de esquerda e a 61% entre eleitores de direita.
A mudança voltou a avançar no Senado nesta semana e prevê, no debate apresentado pela pesquisa, a substituição da jornada 6x1 pela escala 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Entre os entrevistados, 9% são contrários ao fim da escala, enquanto 13% afirmaram não ser a favor nem contra a mudança. O apoio é maior entre mulheres, chegando a 83%, e entre integrantes da geração Z, formada por jovens de até 29 anos, alcançando 86%.
Mais tempo para família é principal argumento Entre os brasileiros favoráveis à redução da jornada, o principal argumento é a possibilidade de ter mais tempo fora do trabalho.
A afirmação de que “o trabalhador merece ter mais tempo para si e para a família” foi citada por 66% dos entrevistados que apoiam a mudança. Em seguida, 53% apontaram que muitas pessoas não conseguem descansar durante a folga porque precisam cuidar da casa e dos filhos.
Outros 49% consideram que apenas um dia de descanso não é suficiente para uma recuperação adequada. Para Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, a discussão sobre a escala passou a envolver não apenas emprego e renda, mas também a forma como o tempo é distribuído entre trabalho, descanso e vida familiar.
O que dizem os contrários Entre os entrevistados que se opõem ao fim da escala 6x1, o principal argumento é econômico. Para 69%, a mudança faria empresários repassarem eventuais aumentos de custos para os consumidores por meio dos preços.
Outros 48% consideram que “um país não vai para frente sem muito trabalho”, enquanto 35% afirmam que a alteração prejudicaria os empresários. O debate, portanto, envolve diferentes avaliações sobre os efeitos de uma eventual redução da jornada, principalmente sobre trabalhadores, empresas, custos e produtividade.
CNI estima prazo para compensar redução Em outro levantamento citado no debate, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), contrária ao fim da escala 6x1, estima que o Brasil poderia levar entre 17 e 30 anos para compensar a redução da jornada por meio de ganhos de produtividade.
O estudo foi divulgado na segunda-feira (31) e considera um cenário no qual empresas mantenham empregos e salários, absorvendo a redução das horas trabalhadas sem diminuir a remuneração.
Nesse cenário, o total de horas trabalhadas cairia aproximadamente 7,8%. Para compensar a redução, a produtividade por hora precisaria aumentar entre 8,3% e 8,5%.
Pesquisa ouviu mais de mil pessoas A pesquisa do Instituto Locomotiva e da QuestionPro foi realizada com 1. 030 homens e mulheres com 18 anos ou mais, por meio de entrevistas digitais em todo o Brasil.
As entrevistas ocorreram entre 2 e 8 de junho, com margem de erro de 3,1 pontos porcentuais. Os resultados mostram que o apoio ao fim da escala 6x1 atravessa diferentes grupos políticos e demográficos, embora a intensidade da defesa varie entre eles.
Enquanto a maioria dos brasileiros entrevistados apoia a mudança, o debate no Congresso também envolve os possíveis impactos econômicos da redução da jornada, especialmente sobre produtividade, custos empresariais e preços.
Mais tempo para família é principal argumento.
Entre os brasileiros favoráveis à redução da jornada, o principal argumento é a possibilidade de ter mais tempo fora do trabalho. A afirmação de que “o trabalhador merece ter mais tempo para si e para a família” foi citada por 66% dos entrevistados que apoiam a mudança.
Em seguida, 53% apontaram que muitas pessoas não conseguem descansar durante a folga porque precisam cuidar da casa e dos filhos. Outros 49% consideram que apenas um dia de descanso não é suficiente para uma recuperação adequada.
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