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Marte: meteorito de 1,27 bilhão de anos tem composição nunca vista antes

Um raro meteorito originário de Marte está ajudando cientistas a investigar um período pouco conhecido da história geológica do planeta

6 min de leitura
Marte: meteorito de 1,27 bilhão de anos tem composição nunca vista antes

Um raro meteorito originário de Marte está ajudando cientistas a investigar um período pouco conhecido da história geológica do planeta. A rocha, descoberta na Argélia em 2019, tem aproximadamente 1,273 bilhão de anos e apresenta composição isotópica nunca observada antes em um tipo comum de meteorito marciano.

Chamado Northwest Africa (NWA) 13441, o meteorito foi analisado por pesquisadores do Boston College em colaboração com cientistas da Scripps Institution of Oceanography e da Open University, do Reino Unido.

O estudo foi publicado em 1º de agosto na revista Geochimica et Cosmochimica Acta.

A idade da rocha é especialmente importante porque ela pertence a um período que representa uma grande lacuna no conhecimento sobre a evolução geológica de Marte.

Uma lacuna de quase dois bilhões de anos.

Meteoritos marcianos só chegam à Terra depois que algum impacto suficientemente forte atinge a superfície do planeta e lança fragmentos de rocha ao espaço.

Até hoje, foram encontrados aproximadamente 400 meteoritos provenientes de Marte, o que limita as amostras disponíveis para os pesquisadores.

A maior parte dos meteoritos marcianos do grupo conhecido como shergottitos, que são rochas ígneas — formadas a partir da solidificação de magma —, é geologicamente jovem, com menos de 600 milhões de anos.

O problema é que existe uma enorme lacuna entre essas amostras e os shergottitos mais antigos conhecidos, que têm cerca de 2,4 bilhões de anos. Isso deixa aproximadamente 1,8 bilhão de anos da história geológica de Marte sem amostras de shergottitos que permitam investigar diretamente a atividade do planeta.

Existem dois outros grupos raros de meteoritos marcianos, chamados chassignitos e nakhlitos, datados de aproximadamente 1,3 a 1,4 bilhão de anos. No entanto, eles possuem características químicas diferentes dos shergottitos.

Por isso, o NWA 13441 é particularmente importante: ele é um shergottito com 1,273 bilhão de anos, sendo o primeiro meteorito desse tipo identificado nessa faixa de idade.

Uma composição que não se parece com a de outros shergottitos.

O meteorito chamou a atenção dos pesquisadores não apenas pela idade, mas também pela sua composição.

A equipe analisou, entre outros elementos, o neodímio, elemento naturalmente encontrado na Terra que possui sete isótopos. A composição isotópica de neodímio do NWA 13441 corresponde ao valor associado ao sistema solar primordial, algo que não havia sido observado em nenhum outro shergottito.

Esse padrão é semelhante ao encontrado nos chamados condritos, classe de meteoritos formada pelos primeiros agregados de rochas não fundidas do sistema solar, há aproximadamente 4,56 bilhões de anos.

A presença dessa assinatura “condrítica” no NWA 13441 é considerada especialmente surpreendente porque ela sugere que uma parte profunda de Marte permaneceu praticamente inalterada desde os primeiros momentos da formação do planeta.

Em outras palavras, a composição encontrada no meteorito pode ser uma espécie de registro preservado de materiais muito antigos do interior marciano. Essa característica também ajuda os pesquisadores a estabelecer novos limites para os processos que ocorreram no sistema solar primordial durante a formação de Marte.

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Marte se formou rapidamente, menos de cinco milhões de anos após o nascimento do Sistema Solar, segundo os pesquisadores.

Além disso, o planeta não possui placas tectônicas como a Terra. Essa diferença é importante porque, em nosso planeta, a movimentação das placas e outros processos geológicos alteram e reciclam continuamente materiais antigos da crosta e do interior.

Em Marte, a ausência desse mecanismo permitiu que algumas das composições formadas nos primeiros momentos da história do planeta permanecessem preservadas por bilhões de anos.

A combinação entre a assinatura isotópica primordial e a idade do NWA 13441 sugere que o meteorito pode ter se originado de um reservatório anteriormente não amostrado do interior de Marte, localizado entre fontes de shergottitos com características isotópicas diferentes, chamadas de fontes enriquecidas e empobrecidas.

A descoberta, portanto, não apenas fornece uma amostra de uma época até então sem shergottitos conhecidos, mas também pode ajudar a entender como diferentes regiões do interior marciano se formaram e evoluíram.

Como os pesquisadores descobriram a idade.

O NWA 13441 foi encontrado na Argélia em 2019, mas suas características ainda não haviam sido completamente estudadas.

A equipe de Baxter, no Boston College, recebeu pequena amostra do meteorito de um colega da Appalachian State University. O material foi limpo e triturado, enquanto uma seção fina do NWA 13441 foi preparada sobre uma lâmina de vidro.

Os pesquisadores trabalharam com cientistas da Scripps Institution of Oceanography e da Open University para confirmar a origem marciana da rocha, determinar sua idade de cristalização e comparar sua composição química com a de outros meteoritos provenientes de Marte.

Para isso, utilizaram técnicas de alta precisão baseadas em isótopos radiogênicos. As análises determinaram que o meteorito cristalizou há aproximadamente 1,273 bilhão de anos.

O que a rocha pode revelar sobre Marte.

A descoberta oferece aos cientistas uma nova oportunidade para investigar a atividade magmática e vulcânica de Marte durante período que, até agora, tinha poucas evidências diretas disponíveis.

Ao mesmo tempo, a composição isotópica do meteorito fornece pistas sobre processos que ocorreram ainda mais cedo, quando o planeta estava se formando.

O fato de o NWA 13441 preservar assinatura semelhante à dos materiais primordiais do Sistema Solar indica que determinadas regiões profundas de Marte podem ter permanecido relativamente intocadas pelos processos que modificaram outras partes do planeta ao longo de bilhões de anos.

Baxter e sua equipe continuam analisando a amostra. O próximo passo é estudar outros sistemas isotópicos para entender melhor como esse meteorito se relaciona com outras rochas marcianas formadas durante os primeiros períodos da história do planeta.

O trabalho envolve pesquisadores e colaboradores externos, além de estudantes de graduação do Boston College. Novas análises poderão ajudar a esclarecer não apenas a origem do NWA 13441, mas também a evolução do interior de Marte e sua atividade magmática e vulcânica ao longo de bilhões de anos.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

Em números

  • A rocha, descoberta na Argélia em 2019, tem aproximadamente 1,273 bilhão de anos e apresenta composição isotópica nunca ob
  • Eas — formadas a partir da solidificação de magma —, é geologicamente jovem, com menos de 600 milhões de anos
  • E lacuna entre essas amostras e os shergottitos mais antigos conhecidos, que têm cerca de 2,4 bilhões de anos
  • Isso deixa aproximadamente 1,8 bilhão de anos da história geológica de Marte sem amostr

Fontes

Informação baseada em material público de Olhar Digital, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Olhar Digitallink