Cuidado com a falsa central: quem liga não é quem você pensa.
Vídeos feitos por golpistas revelam como funcionam as falsas centrais bancárias.
Não é preciso invadir um computador ou quebrar a senha de uma conta para conseguir acesso ao dinheiro. No golpe da falsa central bancária, uma das principais armas dos criminosos é convencer a própria vítima a realizar as operações.
A fraude começa, muitas vezes, com uma mensagem ou ligação que parece legítima. O criminoso sabe o nome da pessoa, pode ter a foto do gerente e até utilizar o número de telefone associado ao profissional.
Em seguida, cria uma situação de emergência: uma suposta compra, uma transferência suspeita ou uma invasão da conta.
O objetivo é provocar medo e fazer com que a vítima aja rapidamente, sem tempo para desconfiar.
A técnica combina principalmente dois gatilhos: autoridade e urgência.
O golpista pode se apresentar como gerente, funcionário da auditoria ou especialista da área de segurança. Depois, afirma que existe um problema que precisa ser resolvido imediatamente.
A vítima, então, passa a acreditar que está seguindo orientações para proteger o próprio dinheiro — quando, na verdade, está ajudando o golpista a movimentá-lo.
Começa a te envolver psicologicamente.
Um advogado do Paraná foi uma das vítimas do golpe. Ele preferiu não ser identificado e também não quis gravar presencialmente.
A abordagem começou com uma mensagem que parecia ter sido enviada pela própria gerente do banco.
A suposta funcionária perguntou se ele reconhecia um pagamento e enviou um comprovante com informações pessoais, incluindo CPF e valor da operação.
A mensagem ainda trazia uma orientação que ajudava a construir a aparência de segurança: não clicar em links e não efetuar nenhum pagamento.
Depois, a vítima foi informada de que um especialista da área de segurança entraria em contato.
Segundo o advogado, a mulher que assumiu a ligação passou a conduzi-lo durante procedimentos no aplicativo bancário. Ela dizia que era necessário acessar códigos e realizar operações para cancelar transações suspeitas.
A partir daquele momento, segundo ele, a preocupação com uma possível invasão da conta fazia com que seguisse as orientações recebidas.
Os criminosos retiraram o dinheiro que estava na conta, utilizaram o cheque especial e ainda contrataram um financiamento em nome da vítima.
A estratégia não é necessariamente fazer a vítima acreditar em uma história durante toda a conversa. O objetivo é conduzi-la passo a passo.
Primeiro, o criminoso apresenta um problema.
Depois, demonstra que possui informações verdadeiras sobre a vítima.
Em seguida, assume uma posição de autoridade e oferece uma suposta solução.
Em uma gravação obtida pela reportagem, um golpista que se passava por gerente orientava a vítima durante uma operação no aplicativo.
O criminoso, então, continua conduzindo a operação e afirma que aquilo faria parte da proteção da conta.
A farsa só termina quando o dinheiro é movimentado.
Golpistas sabem quem está do outro lado.
Outro elemento que aumenta a eficiência do golpe é o uso de informações pessoais.
Os criminosos podem conhecer o nome, CPF, dados bancários e outras informações da vítima. Com isso, conseguem construir uma conversa muito mais convincente.
A abordagem também pode envolver uma falsa identificação do banco e até a reprodução de características do gerente verdadeiro.
A tecnologia tornou a fraude ainda mais sofisticada.
Vítimas já relataram casos em que a voz do criminoso parecia ser exatamente igual à de um gerente conhecido.
A inteligência artificial pode ser usada para reproduzir vozes e tornar a ligação ainda mais convincente.
A fraude também não depende de acertar todas as vítimas.
Os criminosos fazem abordagens em massa e repetem a mesma estratégia para dezenas de pessoas.
Por trás dessas ligações, podem existir quadrilhas com funções diferentes.
Uma equipe pode ficar responsável pelo contato com as vítimas. Outra pode atuar na obtenção de dados. Há ainda grupos especializados em criar sites falsos ou movimentar o dinheiro roubado.
Segundo investigadores, quadrilhas de diferentes estados podem trabalhar juntas e há casos de pessoas envolvidas que estão fora do Brasil.
Dinheiro é espalhado por várias contas.
Depois que a vítima realiza uma transferência, o dinheiro pode passar rapidamente por diferentes contas.
A estratégia dificulta o rastreamento e aumenta a dificuldade de recuperar os valores.
Por isso, a rapidez para comunicar o banco é um dos fatores que podem influenciar a recuperação do dinheiro.
Além de perder o dinheiro que estava na conta, ficou com o cheque especial utilizado e um financiamento feito em seu nome.
A principal recomendação é desconfiar de qualquer contato que crie uma situação de emergência e peça que o cliente faça operações para supostamente proteger a própria conta.
Bancos não pedem que clientes façam transferências para uma conta indicada por um suposto funcionário como forma de cancelar uma operação ou proteger o dinheiro.
Também não devem ser compartilhadas senhas, tokens ou códigos de segurança durante uma ligação recebida.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mantém um portal com informações sobre diferentes tipos de golpes e orientações de prevenção.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Tecnologia, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.